Deste grande
profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24
de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é
a aurora da vinda de Cristo; hoje é o dia de sua morte por degolação.
João Batista é
o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a
Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta
missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo
vivo da face ascética da religião.
Certo dia,
haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o
Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: “Que fostes ver no
deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de
roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios
dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um
profeta… Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que
João Batista” (Mt 11,7-11).
A missão de
João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas
altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar
os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na
sinceridade do coração.
À testa do
governo da Galileia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande,
criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia
escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união
ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se
sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como
profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: “Não te é
lícito viver com a mulher de teu irmão”. Herodíades, a mulher escandalosa, não
aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar
João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande
veneração ao profeta João Batista.
A morte de
João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve
este martírio: “Chegou o dia propício. Herodes, por ocasião de seu aniversário,
ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galileia. A
filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então,
o rei disse à moça: ‘Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade
do meu reino’. Ela saiu e perguntou à mãe: ‘O que é que eu peço?’ Ela
respondeu: ‘A cabeça de João Batista’. Voltando logo à presença do rei fez o
pedido: ‘Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista’. O rei
ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos
convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um
executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na
prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a à menina e esta a entregou à sua
mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram
num túmulo” (Mc 6,21-26).
Jesus chamou
João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no
testemunho glorioso de seu sangue.
Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.






