Ontem a
mãe Mônica, hoje o filho Agostinho: sois santos! Não existiria o segundo, se
sua mãe não tivesse sido santa, gerando o filho à fé pelas orações e pelas
lágrimas!
Aurélio
Agostinho nasceu em Tagaste, hoje região da Argélia, norte da África, em 334,
filho de Mônica e Patrícia: ela, santa esposa e mãe, ele pagão rude e violento.
Agostinho teve uma mocidade irrequieta, agitada pelas paixões e desvios
doutrinais. Inteligência eleita, aguda, penetrante, depois dos desmandos da
juventude, procurou a verdade e a redenção do seu espírito irrequieto, através
das filosofias, mas debalde. Formou-se brilhantemente em retórica e, ainda
jovem, escrevia ensaios de poesia e filosofia…
Procurando
maior glória, deixou Cartago, cidade de seus estudos, e foi para a capital do
Império Romano, abrindo uma escola de retórica, mas ficou por pouco tempo,
porque teve a nomeação oficial de professor de retórica e gramática em Milão.
Aí, atraído pela fama do grande bispo Ambrósio, poeta e orador, começou a assistir
aos sermões do santo bispo. Do apreço à forma literária da pregação, Agostinho
passa ao apreço pelo conteúdo. Converte-se, recebe a instrução e é batizado por
Santo Ambrósio, na Páscoa de 387. Tinha trinta e três anos e chegara ao término
de um longo e laborioso processo de conversão, para o qual, além de sua sede de
verdade, tiveram um papel importante as preces e as lágrimas de sua santa mãe.
O próprio
Agostinho descreve o toque final da graça de Deus que o levou à conversão: “Enquanto,
chorando debaixo de uma figueira, debatia-me entre sentimentos e forças opostas…
de súbito, ouço uma voz que cantava e repetia muitas vezes: “Toma e lê, toma e
lê…” Agarrei o livro (carta aos Romanos) e li para mim aquele capítulo que
primeiro se apresentou aos meus olhos e eram estas as palavras: “Caminhemos
como de dia; nada de desonestidades, nem dissoluções; nada de contendas nem de
ciúmes; ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não procureis
satisfazer os desejos da carne’ (Rm 13,13s). Não quis ler mais nem era
necessário; pois penetrou-me no coração uma espécie de luz serena e todas as
trevas de minhas dúvidas fugiram” (Confissões, Cap. X).
Com ele
foi batizado também o filho Adeodato; jovem inteligentíssimo, que faleceu aos
15 anos de idade, com grande dor de Agostinho. Decidiu então voltar para sua
pátria, a África, com sua mãe Mônica, que faleceu na viagem perto de Roma. Na África,
com alguns amigos, iniciou uma vida comunitária, entregue à meditação, ao
estudo da Bíblia, à oração e obras de caridade.
Mas, no
dizer do Evangelho, a luz não pode ficar oculta. Agostinho foi procurado pelo
bispo de Hipona, a fim de que o ajudasse na pregação, pois o bispo era velho e
doente. Foi ordenado sacerdote e, pouco depois, com a morte do bispo, Agostinho
foi aclamado pelo povo como sucessor.
Agostinho,
como pastor da diocese por 34 anos, revelou-se um bispo zeloso, vigilante,
iluminado, pai dos pobres, mestre insuperável de espiritualidade, escritor
fecundíssimo em todos os assuntos teológicos, defensor infatigável da ortodoxia.
Sua ação
e influência pastoral não se limitou à pequena cidade portuária de que era bispo,
mas rompeu as fronteiras, tornando-se uma espécie de oráculo de sabedoria teológica
que a civilização antiga presenteou ao cristianismo. Ele foi definido o mais
profundo pensador entre os escritores do mundo antigo, e, talvez, o gênio
metafísico mais portentoso que viram os tempos. Sua linguagem apaixonada e
cálida, expressiva e pessoal, seduz, convence, comove. Seu pensamento iluminou
quase todos os pensadores dos séculos posteriores. Entre suas obras imortais,
emerge sua autobiografia Confissões e A Cidade de Deus, que é uma
filosofia da história vista à luz da mensagem cristã.
Santo
agostinho morreu aos 28 de agosto de 430 com 76 anos de idade, amargurado ao
ver os bárbaros sitiarem sua cidade episcopal.
Do livro: “O Santo do Dia”,
de Dom Servilio Conti, I.M.C.

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