quarta-feira, 28 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Martírio de São João Batista

 


Deste grande profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24 de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é a aurora da vinda de Cristo; hoje é o dia de sua morte por degolação.

João Batista é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo vivo da face ascética da religião.

Certo dia, haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um profeta… Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que João Batista” (Mt 11,7-11).

A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração.

À testa do governo da Galileia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: “Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão”. Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande veneração ao profeta João Batista.

A morte de João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve este martírio: “Chegou o dia propício. Herodes, por ocasião de seu aniversário, ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então, o rei disse à moça: ‘Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade do meu reino’. Ela saiu e perguntou à mãe: ‘O que é que eu peço?’ Ela respondeu: ‘A cabeça de João Batista’. Voltando logo à presença do rei fez o pedido: ‘Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista’. O rei ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a à menina e esta a entregou à sua mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram num túmulo” (Mc 6,21-26).

Jesus chamou João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no testemunho glorioso de seu sangue.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

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