quinta-feira, 17 de julho de 2025

16º Domingo do Tempo Comum

 A inquietação de Marta – AEFC

           A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum nos lembra da importância de, antes de qualquer coisa, acolhermos Deus em nosso coração. Nenhum projeto inicia antes contemplarmos Ele em nós.

A primeira leitura fala de hospitalidade. Para o povo da Bíblia, acolher as pessoas é um ato de fé e de religião. Abraão é o homem ao qual Deus prometeu terra e descendência. Mas até aquele momento está sem filho e sem terra. Ele precisa aprender a ser dom para os outros a fim de acolher o dom da vida que Deus lhe faz através das pessoas que ele hospeda. Aqui encontramos uma ambiguidade: o trecho começa afirmando que o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, mas o que Abraão vê são três homens parados perto dele. A conclusão mais latente é que quem acolhe pessoas está acolhendo o Deus que dá vida, uma vez que eles trazem consigo a esperança de paternidade à Abraão. Ele está sentado à entrada da tenda, no maior calor do dia. Não é hora de visitas, mas de descanso à sombra. Não obstante isso, ao ver os três homens, corre-lhes ao encontro, inclina-se diante deles e os convida a serem seus hóspedes, fazendo-se seu servo e servindo-lhes um banquete extraordinário. Os visitantes parecem conhecer a situação de Abraão e sua mulher. Conhecem inclusive o nome dela, sem que alguém o tenha revelado. Sabem que a esterilidade tornara aquele casal infeliz, sem perspectivas de vida. Ao acolher as pessoas nos momentos menos oportunos do dia, Abraão e Sara acolhem o dom da vida que vem de Deus: “No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho”.

Na segunda leitura temos o retrato do discípulo de Jesus. Paulo está na prisão. O anúncio de Jesus Cristo lhe trouxe prisões, humilhações, torturas, difamações e sofrimentos sem conta. Tudo isso faz com que se sinta próximo de Jesus e de sua paixão. É o evangelizador que enfrenta com alegria os sofrimentos, a fim de que a comunidade cristã seja edificada. Paulo se apresenta como ministro da palavra para o bem da comunidade. Por meio dele, as comunidades cristãs ampliaram seus horizontes, abrindo-se aos não-judeus, entre os quais se encontram os cristãos colossenses.

E o Evangelho aparece a visita de Jesus à Marta, Maria e Lázaro. Marta faz as vezes de dona-de-casa. Acolhe Jesus e anda preocupada com as tarefas de casa, aumentadas pela visita do Mestre. E fica chateada porque Maria, sua irmã, não a ajuda no serviço. Maria, por sua vez, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. A irmã de Marta é tipo do discípulo não pelo fato de nada fazer, e sim porque coloca, como base de seu discipulado, a acolhida da palavra de Deus que vem a ela na pessoa de Jesus. O episódio, pois, não afirma que é hora de fugir da ação pastoral para buscar refúgio na contemplação. Pelo contrário, afirma que a contemplação é sintonia com o mestre que está a caminho de Jerusalém. O contemplativo é o que busca descobrir, na oração e no discernimento, seu papel dentro do projeto de Deus, exatamente como agiu Jesus que foi, ao mesmo tempo, contemplativo, místico e construtor de uma nova sociedade. 

O equívoco de Marta consistiu em querer demonstrar hospitalidade sem acolher o dom que Deus lhe fazia em jesus Cristo, a palavra de Deus. Maria, por sua vez, solidarizando-se com o Mestre a caminho de Jerusalém, descobriu o novo modo de fazer as coisas, ou seja, encontrou a raiz do discipulado que a torna participante do projeto de Deus. Deixou-se animar pela palavra que gera sociedade e história nova. Tornou-se discípula porque acolheu em sua casa o dom que Deus lhe fazia em Jesus. 

 

1ª Leitura: Gn 18m1-10a

2ª Leitura: Cl 1,24-28

Evangelho: Lc 10,38-42

Salmo

“Senhor, quem morará em vossa casa?”

sexta-feira, 11 de julho de 2025

15º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum procura definir o caminho para encontrar a vida eterna. É no amor a Deus e aos outros que encontramos a vida.

A primeira leitura reflete, sobretudo, sobre a questão do amor a Deus. Convida os crentes a fazer de Deus o centro da sua vida e a amá-lo de todo o coração. Como? Escutando a sua voz no íntimo do coração e percorrendo o caminho dos seus mandamentos.

Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um hino que propõe Cristo como referência fundamental, como o centro à volta do qual se constrói a história e a vida de cada crente. O texto foge, um tanto, à temática geral das outras duas leituras; no entanto, a catequese sobre a centralidade de Cristo leva-nos a pensar na importância do que ele nos diz no Evangelho de hoje. Se Cristo é o centro a partir do qual tudo se constrói, convém escutá-lo atentamente e fazer do amor a Deus e aos outros uma exigência fundamental da nossa caminhada.

E o Evangelho sugere que essa vida plena não está no cumprimento de determinados ritos, mas no amor a Deus e aos irmãos. Como exemplo, apresenta-se a figura de um samaritano – um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na beira da estrada. “Vai e faz o mesmo” – diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no caminho da vida plena.

Não existe salvação sem compaixão e amor a Deus e ao próximo. É preciso estar atento ao chamado constante de Deus que se faz presente também no irmão que sofre.

 

1ª Leitura: Dt 30,10-14

2ª Leitura: Cl 1,15-20

Evangelho: Lc 10,25-37

Salmo

Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!

sexta-feira, 4 de julho de 2025

14º Domingo do Tempo Comum

 


Toda a liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum tem por base a temática do ‘envio’: No evangelho, Jesus envia 72 discípulos dois a dois; na primeira leitura, um profeta anônimo fala aos habitantes de Jerusalém do Deus que os ama; na segunda leitura, Paulo anuncia a glória da cruz.

Na primeira leitura, apresenta-se a palavra de um profeta anônimo, enviado a proclamar o amor de pai e de mãe que Deus tem pelo seu povo. O profeta é sempre um enviado que, em nome de Deus, consola os homens, liberta-os do medo e acena-lhes com a esperança do mundo novo que está por chegar. Nesse novo mundo, o próprio Deus irá cuidar de seus filhos com carinho único, constante e perene.

Na segunda leitura, são Paulo deixa claro qual o caminho que o apóstolo deve percorrer: não o podem mover interesses de orgulho e de glória, mas apenas o testemunho da cruz – isto é, o testemunho desse jesus, que amou radicalmente e fez da sua vida um dom a todos. Mesmo no sofrimento, o apóstolo tem de testemunhar, com a própria vida, o amor radical; é daí que nasce a vida nova do homem novo.

Mas é sobretudo no Evangelho que a temática do ‘envio’ aparece mais desenvolvida. Os discípulos de Jesus são enviados ao mundo para continuar a obra libertadora que Jesus começou e para propor a Boa Nova do Reino aos homens de toda a terra, sem exceção; devem fazê-lo com urgência, com simplicidade e com amor. Na ação dos discípulos, torna-se realidade a vitória do Reino sobre tudo o que oprime e escraviza o homem.

Em suma, neste final de semana somos convidados a tomar consciência de que Deus nos envia a testemunhar o seu Reino. Como diz uma motivação: “Na Igreja de Cristo, todo batizado é missionário”. Ou seja, o cristão não é um mero membro passivo, mas sim um anunciador da grande novidade que é o Reino de Deus.

 

1ª LEITURA: Is 66,10-14c

2ª LEITURA: Gl 6,14-18

EVANGELHO: Lc 10,1-12.17-20

SALMO

“Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira”

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...