O que incomoda
na reflexão sobre o dízimo é, sem dúvida, a questão do dinheiro. As pessoas
sempre fazem uma ligação entre dízimo e dinheiro. Na realidade, não deveria ser
assim. A primeira ideia é que o dízimo não é uma questão de economia, mas sim
de experiência de Deus na vida cristã. Não estamos lidando com uma campanha
financeira!
Para as
pessoas que têm pouca vivência cristã, ouvir falar sobre dízimo é sempre
entender que o padre está a pedir dinheiro para a comunidade. Isso incomoda,
intimida e desestimula a reflexão. Por isso, na maioria das vezes, o padre
acaba delegando aos leigos a tarefa do dízimo.
São tantas as
vezes que ouvimos a expressão: “Deus não necessita de dinheiro!”. E é certo que
ele não o necessita. Mas a igreja, a pastoral e a caminhada da igreja se faz
também com o dinheiro. A igreja o necessita para se manter, para a sua
administração etc.
Dentro das
igrejas, há muitos que, por diversos motivos, não aceitam a ideia de reservar
uma parte de seus ganhos para o Senhor. O dízimo, embora sendo tão antigo
quanto o Antigo Testamento, é, para a maioria dos católicos, algo assustador e
desconhecido.
O católico –
em geral – não sabe lidar com a ideia de dinheiro (aplicado à Igreja). Quando
delegamos alguém para falar de tal assunto, observamos que essa pessoa se sente
insegura e acaba passando a sua insegurança à assembleia. Como nos falta
segurança e convicção, em consequência, o dízimo é sempre aquilo que conhecemos
na comunidade. Por sinal sempre deficiente.
A necessidade
do dinheiro nunca foi ensinada na Igreja. Falamos sempre em catequese,
evangelização, promoção humana, assistência social aos menos favorecidos etc.,
mas nunca nos damos conta de que tudo isso é feito com dinheiro. Ele move, de
certa forma, as nossas atividades religiosas.
A ideia de que
dinheiro é sujo faz com que, na Igreja, ele nunca assuma seu devido lugar e
importância. É certo também que podemos encontrar, nas Escrituras, vários
cenários contrários em que o dinheiro assume o seu lado negativo. Vejamos
alguns exemplos:
·
O resgate dos primogênitos dos filhos de Israel:
Nm 3 (todo o capítulo);
·
A troca do dízimo por dinheiro: Dt 14,24-27;
·
O costume de vender a mulher por dinheiro: Dt
21,10-14;
·
A falsificação do peso e da medida: 1Rs 12,11;
·
O amor pelo dinheiro: Eclo 5,10; 7,12; 10,19;
·
A morte de Jesus por dinheiro: Mt 28,12;
·
Não comercializar o dom de Deus: At 8,9-24;
· O amor ao dinheiro: 1Tm 6,10.
Jesus não
condena de maneira absoluta a riqueza (Mc 10,17-30), não elogia a miséria ou a
fome, mas ensina como usar os bens: com honestidade, justiça e caridade.
Certamente
que, quando ouvimos falar sobre dinheiro, nos vem à mente a ideia de riqueza.
Em geral, muito malvista pelos cristãos! De fato, a ideia da prosperidade
abençoada por Deus nos faz pensar sobre muitos equívocos provocados por muitas
igrejas. “Duas orientações da Igreja em como agir na evangelização atualmente.
A indicação de que método é necessário evitar para não cair na tentação de
valorizar a quantidade e os dividendos que isso pode gerar. A Igreja não é
empresa; é continuadora da missão evangelizadora de Cristo” (Francisco Régis).
Mas então o
que é o Dízimo?
O dízimo é uma
contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio do qual cada
comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e da Igreja. É uma forma
concreta que o cristão tem de manifestar sua fé em Deus e seu amor ao próximo,
pois deve ser, preferencialmente, por meio do dízimo que a Igreja se mantenha
em atividade, sustente seus trabalhos de evangelização e realize as obras de
caridade aos mais pobres e necessitados.
Dízimo é a
demonstração de gratidão e reconhecimento a Deus por tudo o que recebemos e que
somos. Dízimo é partilha que gera fraternidade. É o compromisso de cada cristão
para, em comunidade, colaborar com o Projeto Divino neste mundo.
Apesar de
significar 10%, é importante entender que o que vale é a fidelidade a Deus e a
consciência de pertença e corresponsabilidade na manutenção da comunidade.


