sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

O que é Dízimo?

 

O que incomoda na reflexão sobre o dízimo é, sem dúvida, a questão do dinheiro. As pessoas sempre fazem uma ligação entre dízimo e dinheiro. Na realidade, não deveria ser assim. A primeira ideia é que o dízimo não é uma questão de economia, mas sim de experiência de Deus na vida cristã. Não estamos lidando com uma campanha financeira!

Para as pessoas que têm pouca vivência cristã, ouvir falar sobre dízimo é sempre entender que o padre está a pedir dinheiro para a comunidade. Isso incomoda, intimida e desestimula a reflexão. Por isso, na maioria das vezes, o padre acaba delegando aos leigos a tarefa do dízimo.

São tantas as vezes que ouvimos a expressão: “Deus não necessita de dinheiro!”. E é certo que ele não o necessita. Mas a igreja, a pastoral e a caminhada da igreja se faz também com o dinheiro. A igreja o necessita para se manter, para a sua administração etc.

Dentro das igrejas, há muitos que, por diversos motivos, não aceitam a ideia de reservar uma parte de seus ganhos para o Senhor. O dízimo, embora sendo tão antigo quanto o Antigo Testamento, é, para a maioria dos católicos, algo assustador e desconhecido.

O católico – em geral – não sabe lidar com a ideia de dinheiro (aplicado à Igreja). Quando delegamos alguém para falar de tal assunto, observamos que essa pessoa se sente insegura e acaba passando a sua insegurança à assembleia. Como nos falta segurança e convicção, em consequência, o dízimo é sempre aquilo que conhecemos na comunidade. Por sinal sempre deficiente.

A necessidade do dinheiro nunca foi ensinada na Igreja. Falamos sempre em catequese, evangelização, promoção humana, assistência social aos menos favorecidos etc., mas nunca nos damos conta de que tudo isso é feito com dinheiro. Ele move, de certa forma, as nossas atividades religiosas.

A ideia de que dinheiro é sujo faz com que, na Igreja, ele nunca assuma seu devido lugar e importância. É certo também que podemos encontrar, nas Escrituras, vários cenários contrários em que o dinheiro assume o seu lado negativo. Vejamos alguns exemplos:

·         O resgate dos primogênitos dos filhos de Israel: Nm 3 (todo o capítulo);

·         A troca do dízimo por dinheiro: Dt 14,24-27;

·         O costume de vender a mulher por dinheiro: Dt 21,10-14;

·         A falsificação do peso e da medida: 1Rs 12,11;

·         O amor pelo dinheiro: Eclo 5,10; 7,12; 10,19;

·         A morte de Jesus por dinheiro: Mt 28,12;

·         Não comercializar o dom de Deus: At 8,9-24;

·         O amor ao dinheiro: 1Tm 6,10.

Jesus não condena de maneira absoluta a riqueza (Mc 10,17-30), não elogia a miséria ou a fome, mas ensina como usar os bens: com honestidade, justiça e caridade.

Certamente que, quando ouvimos falar sobre dinheiro, nos vem à mente a ideia de riqueza. Em geral, muito malvista pelos cristãos! De fato, a ideia da prosperidade abençoada por Deus nos faz pensar sobre muitos equívocos provocados por muitas igrejas. “Duas orientações da Igreja em como agir na evangelização atualmente. A indicação de que método é necessário evitar para não cair na tentação de valorizar a quantidade e os dividendos que isso pode gerar. A Igreja não é empresa; é continuadora da missão evangelizadora de Cristo” (Francisco Régis).

Mas então o que é o Dízimo?

O dízimo é uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio do qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e da Igreja. É uma forma concreta que o cristão tem de manifestar sua fé em Deus e seu amor ao próximo, pois deve ser, preferencialmente, por meio do dízimo que a Igreja se mantenha em atividade, sustente seus trabalhos de evangelização e realize as obras de caridade aos mais pobres e necessitados.

Dízimo é a demonstração de gratidão e reconhecimento a Deus por tudo o que recebemos e que somos. Dízimo é partilha que gera fraternidade. É o compromisso de cada cristão para, em comunidade, colaborar com o Projeto Divino neste mundo.

Apesar de significar 10%, é importante entender que o que vale é a fidelidade a Deus e a consciência de pertença e corresponsabilidade na manutenção da comunidade.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O que a Bíblia diz sobre o Dízimo?

 


Dentro da história bíblica, mais precisamente surge uma nova modalidade de oferta tendo em vista a manutenção da comunidade: o dízimo. Essa palavra vem do latim decimu e representa a doação da décima parte dos produtos adquiridos.

Em uma sociedade que se baseava no cultivo, o dízimo visava justamente socorrer os pobres e necessitados além de subsidiar o culto. Um exemplo prático: vamos supor que uma família da comunidade não colhesse o suficiente para alimentar sua família. O dízimo vinha de encontro a essa necessidade.

O dízimo dos patriarcas foi espontâneo. Somente em Números encontramos o dízimo como uma instituição divina, pois segundo o texto, é Deus quem determina que ele seja a herança da tribo de Levi, que se dedicava exclusivamente ao culto. Qual a finalidade? Reconhecer a absoluta primazia de Deus e sobretudo, manter o culto e os homens do culto.

O homem de fé, conhecedor do amor de Deus, sabedor das necessidades do Templo e voltado para os mais necessitados, esforçava-se para cumprir os preceitos de Deus contidos na Lei.

Conforme o espírito da lei de Moisés, o dízimo atende todas as dimensões da vida do povo de Deus: supre as necessidades do culto e do templo através do dízimo aos levitas e aos sacerdotes; realiza uma dimensão comunitária, quando o dízimo deve ser partilhado em uma refeição com os levitas e os da família; por último, acode também aqueles que nada ou pouco têm e foram sempre preciosos ao Senhor.

Não haverá verdadeira renovação da comunidade se não houver o compromisso de dar à comunidade os meios necessários para exercer a sua missão.

No Novo Testamento vemos que o Senhor veio aperfeiçoar a lei dada ao Povo Eleito por Deus através dos séculos e, neste intuito, não reprova o pagamento do dízimo por parte dos fariseus que eram seguidores minuciosos da Lei de Moisés.

São Paulo, na Carta aos Hebreus diz que o que se apresenta é a grandeza do sacerdócio de Cristo e a superação do sacerdócio levítico, que nas palavras do Apóstolo teve sua legislação abolida.

Na verdade, não se encontra no Novo Testamento nenhuma referência sobre o dízimo formalmente caracterizado como experiência de fé a partir dos preceitos contidos na Lei de Moisés. Mas isto não quer dizer que o novo Povo de Deus, no encontro com o Salvador, deixou de contribuir com a manutenção da comunidade e com os pobres. E como é belo ver nas páginas dos Atos dos Apóstolos e das cartas como os fiéis, que acolhiam o Reino de Deus no maior e mais belo encontro de suas vidas, colocavam seus bens a serviço dos discípulos e dos pobres. O próprio Jesus diz ao enviar os doze em missão que “o trabalhador tem direito a seu sustento” (Mt 10,9).

Em 1Cor 9,13-14 lemos: “Acaso ignorais que os que servem ao culto são alimentados pelo culto? E que os que servem ao altar participam do que é oferecido sobre o altar? Assim como o Senhor estabeleceu para os que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho”.

A disponibilidade interior era tão real a ponto de considerarem os bens como patrimônio comum e alguns chegavam até a vender campos e casas para resolver as necessidades de muitos. Porém, sempre houve hipocrisia: algumas pessoas gostavam de fazer de conta. Tinham uma fé aparente.

Resumindo

O Dízimo é um Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no antigo e no Novo Testamento. O dízimo do Antigo Testamento está ligado com a contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas.

Já o Dízimo do Novo Testamento deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e generosa.

Ou Seja, para nós católicos, não está definido que precisa ser 10% do salário nem que Deus irá amaldiçoar alguém por não contribuir com o dízimo.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Fundamentos do Dízimo


 

O dízimo é um Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no Antigo e no Novo Testamento. O dízimo bíblico está ligado com a contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas. “O levita que não recebeu parte nem herança com vocês, o migrante, o órfão e a viúva que vivem dentro das portas de sua cidade poderão vir para comer até ficarem satisfeitos” (Dt 14,29a).

No Novo Testamento, a contribuição deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e generosa.

 

Fundamento Teológico

Tem como base o Plano de Deus e sua origem vem do Antigo Testamento, onde o povo reconhece que tudo vem de Deus. Quem tem fé, acredita na Palavra de Deus que nos diz que devemos ser sinal do amor de Deus no mundo e devemos oferecer nossa colaboração para que todos os irmãos vivam dignamente. “Tudo o que fizeste ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

 

Fundamento Comunitário

A comunidade é a família do povo de Deus que se ama, se une e se ajuda. Como membros de uma família, todos nós temos responsabilidade sobre al. É onde se testemunha o Cristo pela vivência da fraternidade como expressão de fé. “Todos os fiéis viviam e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2,44-45).

 

Fundamento Pastoral

Pastoral poderia ser definida como o modo pelo qual a Igreja constrói a si mesma, no seguimento da pessoa de Cristo. Assim sendo, todo cristão, como parte do povo de Deus, que é a Igreja, assume também tal missão e corresponsabilidade. O dízimo é uma forma de colaboração do anúncio do Reino, e, portanto, na missão evangelizadora da Igreja. No que se refere à missão evangelizadora da Igreja, o atual magistério o apresenta em paradigma missionário: “Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento não nos serve uma simples administração. Constituamo-nos em estado permanente de missão” (EG 25). “A razão da Igreja existir é anunciar o Evangelho” (AG. 2). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15) (DAp 551).


Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...