Dentro da
história bíblica, mais precisamente surge uma nova modalidade de oferta tendo
em vista a manutenção da comunidade: o dízimo. Essa palavra vem do latim decimu
e representa a doação da décima parte dos produtos adquiridos.
Em uma
sociedade que se baseava no cultivo, o dízimo visava justamente socorrer os
pobres e necessitados além de subsidiar o culto. Um exemplo prático: vamos
supor que uma família da comunidade não colhesse o suficiente para alimentar
sua família. O dízimo vinha de encontro a essa necessidade.
O dízimo dos
patriarcas foi espontâneo. Somente em Números encontramos o dízimo como uma
instituição divina, pois segundo o texto, é Deus quem determina que ele seja a
herança da tribo de Levi, que se dedicava exclusivamente ao culto. Qual a
finalidade? Reconhecer a absoluta primazia de Deus e sobretudo, manter o culto
e os homens do culto.
O homem de fé,
conhecedor do amor de Deus, sabedor das necessidades do Templo e voltado para
os mais necessitados, esforçava-se para cumprir os preceitos de Deus contidos
na Lei.
Conforme o
espírito da lei de Moisés, o dízimo atende todas as dimensões da vida do povo
de Deus: supre as necessidades do culto e do templo através do dízimo aos
levitas e aos sacerdotes; realiza uma dimensão comunitária, quando o dízimo
deve ser partilhado em uma refeição com os levitas e os da família; por último,
acode também aqueles que nada ou pouco têm e foram sempre preciosos ao Senhor.
Não haverá
verdadeira renovação da comunidade se não houver o compromisso de dar à
comunidade os meios necessários para exercer a sua missão.
No Novo
Testamento vemos que o Senhor veio aperfeiçoar a lei dada ao Povo Eleito por
Deus através dos séculos e, neste intuito, não reprova o pagamento do dízimo
por parte dos fariseus que eram seguidores minuciosos da Lei de Moisés.
São Paulo, na
Carta aos Hebreus diz que o que se apresenta é a grandeza do sacerdócio de
Cristo e a superação do sacerdócio levítico, que nas palavras do Apóstolo teve
sua legislação abolida.
Na verdade,
não se encontra no Novo Testamento nenhuma referência sobre o dízimo
formalmente caracterizado como experiência de fé a partir dos preceitos
contidos na Lei de Moisés. Mas isto não quer dizer que o novo Povo de Deus, no
encontro com o Salvador, deixou de contribuir com a manutenção da comunidade e
com os pobres. E como é belo ver nas páginas dos Atos dos Apóstolos e das
cartas como os fiéis, que acolhiam o Reino de Deus no maior e mais belo
encontro de suas vidas, colocavam seus bens a serviço dos discípulos e dos
pobres. O próprio Jesus diz ao enviar os doze em missão que “o trabalhador tem
direito a seu sustento” (Mt 10,9).
Em 1Cor
9,13-14 lemos: “Acaso ignorais que os que servem ao culto são alimentados pelo
culto? E que os que servem ao altar participam do que é oferecido sobre o
altar? Assim como o Senhor estabeleceu para os que pregam o Evangelho, que
vivam do Evangelho”.
A
disponibilidade interior era tão real a ponto de considerarem os bens como
patrimônio comum e alguns chegavam até a vender campos e casas para resolver as
necessidades de muitos. Porém, sempre houve hipocrisia: algumas pessoas
gostavam de fazer de conta. Tinham uma fé aparente.
Resumindo
O Dízimo é um
Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no
antigo e no Novo Testamento. O dízimo do Antigo Testamento está ligado com a
contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o
sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas.
Já o Dízimo do
Novo Testamento deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o
cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e
generosa.
Ou Seja, para
nós católicos, não está definido que precisa ser 10% do salário nem que Deus
irá amaldiçoar alguém por não contribuir com o dízimo.

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