sábado, 17 de fevereiro de 2024

O que a Bíblia diz sobre o Dízimo?

 


Dentro da história bíblica, mais precisamente surge uma nova modalidade de oferta tendo em vista a manutenção da comunidade: o dízimo. Essa palavra vem do latim decimu e representa a doação da décima parte dos produtos adquiridos.

Em uma sociedade que se baseava no cultivo, o dízimo visava justamente socorrer os pobres e necessitados além de subsidiar o culto. Um exemplo prático: vamos supor que uma família da comunidade não colhesse o suficiente para alimentar sua família. O dízimo vinha de encontro a essa necessidade.

O dízimo dos patriarcas foi espontâneo. Somente em Números encontramos o dízimo como uma instituição divina, pois segundo o texto, é Deus quem determina que ele seja a herança da tribo de Levi, que se dedicava exclusivamente ao culto. Qual a finalidade? Reconhecer a absoluta primazia de Deus e sobretudo, manter o culto e os homens do culto.

O homem de fé, conhecedor do amor de Deus, sabedor das necessidades do Templo e voltado para os mais necessitados, esforçava-se para cumprir os preceitos de Deus contidos na Lei.

Conforme o espírito da lei de Moisés, o dízimo atende todas as dimensões da vida do povo de Deus: supre as necessidades do culto e do templo através do dízimo aos levitas e aos sacerdotes; realiza uma dimensão comunitária, quando o dízimo deve ser partilhado em uma refeição com os levitas e os da família; por último, acode também aqueles que nada ou pouco têm e foram sempre preciosos ao Senhor.

Não haverá verdadeira renovação da comunidade se não houver o compromisso de dar à comunidade os meios necessários para exercer a sua missão.

No Novo Testamento vemos que o Senhor veio aperfeiçoar a lei dada ao Povo Eleito por Deus através dos séculos e, neste intuito, não reprova o pagamento do dízimo por parte dos fariseus que eram seguidores minuciosos da Lei de Moisés.

São Paulo, na Carta aos Hebreus diz que o que se apresenta é a grandeza do sacerdócio de Cristo e a superação do sacerdócio levítico, que nas palavras do Apóstolo teve sua legislação abolida.

Na verdade, não se encontra no Novo Testamento nenhuma referência sobre o dízimo formalmente caracterizado como experiência de fé a partir dos preceitos contidos na Lei de Moisés. Mas isto não quer dizer que o novo Povo de Deus, no encontro com o Salvador, deixou de contribuir com a manutenção da comunidade e com os pobres. E como é belo ver nas páginas dos Atos dos Apóstolos e das cartas como os fiéis, que acolhiam o Reino de Deus no maior e mais belo encontro de suas vidas, colocavam seus bens a serviço dos discípulos e dos pobres. O próprio Jesus diz ao enviar os doze em missão que “o trabalhador tem direito a seu sustento” (Mt 10,9).

Em 1Cor 9,13-14 lemos: “Acaso ignorais que os que servem ao culto são alimentados pelo culto? E que os que servem ao altar participam do que é oferecido sobre o altar? Assim como o Senhor estabeleceu para os que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho”.

A disponibilidade interior era tão real a ponto de considerarem os bens como patrimônio comum e alguns chegavam até a vender campos e casas para resolver as necessidades de muitos. Porém, sempre houve hipocrisia: algumas pessoas gostavam de fazer de conta. Tinham uma fé aparente.

Resumindo

O Dízimo é um Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no antigo e no Novo Testamento. O dízimo do Antigo Testamento está ligado com a contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas.

Já o Dízimo do Novo Testamento deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e generosa.

Ou Seja, para nós católicos, não está definido que precisa ser 10% do salário nem que Deus irá amaldiçoar alguém por não contribuir com o dízimo.

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