A liturgia do 8º domingo do tempo comum vem nos
encorajar a mantermos a vigilância e cultivarmos o anseio pelo céu. O homem que
busca o céu mostra através de suas obras seu desejo incessante pelo encontro
com o Criador.
Já na primeira leitura vemos o eclesiástico nos chamando
a atenção para as palavras do homem. Elas revelam como o homem cultiva seu
desejo pelo céu. Através da conversação, provamos o homem e vemos onde estão
realmente suas intensões. Igualmente, a passagem nos aconselha a não elogiarmos
ninguém antes de ouvi-lo.
A passagem apresentada como segunda leitura é da
Primeira Carta aos Coríntios. Nela, o apóstolo recorda para onde devem estar
canalizadas nossas energias. Enquanto nesse mundo, estamos presos a um corpo
corruptível, sujeito a morte e a degradação. Fomos feitos para a vida eterna,
onde seremos revestidos de incorruptibilidade e imortalidade. Enquanto peregrinos
nesse mundo, o pecado nos atormenta tal como um aguilhão, um ferrão que nos
lembra a todo instante que não fomos feitos para essa vida. O homem deve buscar
o céu com todo o empenho.
Como manter-se focado no céu? No Evangelho, o próprio
Cristo nos aconselha a primeiro cuidarmos de nossa salvação, para depois
buscarmos a salvação de outrem. Nossa caminhada nos impele a sempre nos
aperfeiçoarmos no caminho. Através dos frutos conhecemos a árvore. Aqui vemos
mais uma referência sobre as palavras humanas: “a boca fala do que o coração
está cheio”. É nesse interim que somos estimulados a enchermos os nossos corações
para assim, aproximarmos as pessoas de Deus. Ninguém dá o que não tem. Se tenho
um coração maldoso, cheio de coisas ruins, inevitavelmente não poderemos
conduzir ninguém para Deus. Seremos cegos tentando guiar outros cegos.
A liturgia desse final de semana parece continuar o
que ouvimos no último domingo. Nascemos homens terrestres, tais como Adão. Mas
ao longo da vida, vamos nos aperfeiçoando conforme vamos nos configurando ao
Homem Celeste – Jesus Cristo – que nos ensina a Misericórdia. Conforme praticamos
boas obras, vamos alimentando em nós o céu e assim nos transformando em Cristo.
Quiçá um dia possamos dizer como Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo que
vive em mim!”
1ª Leitura: Eclo 27,5-8
2ª Leitura: 1Cor 15,54-58
Evangelho: Lc 6,39-45
Salmo
“Como é bom agradecermos ao Senhor”.



