A liturgia deste domingo
exige-nos o amor total, o amor sem limites, mesmo para com os nossos inimigos. Convida-nos
a pôr de lado a lógica da violência e a substituí-la pela lógica do amor.
Na primeira
leitura, vemos o soldado Abisai, diante de uma situação favorável onde Saul
está dormindo profundamente aconselhar Davi a matá-lo sem piedade, pois
considera que Deus entregou o inimigo nas mãos dele. Davi, mesmo sabendo que
Saul é seu inimigo mortal, não o faz, pois o rei é o ungido do Senhor e por
isso, seu algoz não ficaria impune diante da justiça divina. Davi escolhe a
misericórdia.
A segunda
leitura, retirada da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, apresenta uma
continuação da catequese iniciada há alguns domingos sobre a ressurreição. Podemos
ligá-la ao tema central da Palavra de Deus deste Domingo – o amor aos inimigos –
dizendo que é na lógica do amor que preparamos essa vida plena que Deus nos
reserva; e que o amor vivido com radicalidade e sem limitações é um anúncio
desse mundo novo que nos espera para além desta terra. Se por um lado, o primeiro
homem, Adão, foi um ser vivo, mas terrestre. O segundo homem, Jesus, foi um
espírito vivificante, celeste. A ressurreição d’Ele trouxe a humanidade uma
nova visão além morte terrena que culmina na vida eterna com Deus.
O evangelho
reforça a proposta sobre o perdão aos inimigos. Exige dos seguidores de Jesus
um coração sempre disponível para perdoar, para acolher, para dar a mão, independentemente
de quem esteja do outro lado. Não se trata de amar apenas os membros do próprio
grupo social, da própria raça, do próprio povo, da própria classe, partido,
igreja ou clube de futebol; trata-se de um amor sem discriminações, que nos
leve a ver em cada homem um irmão.
Ser
misericordioso como o Pai não é tarefa fácil, pois enquanto peregrinos nesse
mundo passageiros, estamos condicionados a condição terrena que exige, numa
justiça equitativa, devolver as bofetadas. Alimentar o homem celeste é superar
esses condicionamentos e almejar as coisas eternas em vista da vida eterna. É
praticar a misericórdia em relação a todos, mesmo àqueles que nos ofendem. O perdão
de Davi a Saul deve nos inspirar. O clamor de Jesus na cruz, nos conduzir: “Pai,
perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem.
1ª Leitura: 1Sm
26,2.7-9.12-13.22-23
2ª Leitura:
1Cor 15,45-49
Evangelho: Lc
6,27-38
Salmo:
“O Senhor é
bondoso e compassivo”.

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