sábado, 16 de agosto de 2025

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

 


Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que solenemente declarou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

A primeira leitura, retirada do livro do Apocalipse traz visões expressas em linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão do sinal grandioso pode ser aplicada a Maria. A mulher também pode representar a Igreja, novo Israel, sugerido pelo número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.

A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. É o que despreendemos da segunda leitura, da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. O apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro, que tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

E o Evangelho de são Lucas nos traz o episódio de Maria visitando sua prima Isabel e cantando o Magnificat. Aprendemos assim a rezar por Maria, com Maria e como Maria. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!”. A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus. Rezar como Maria é fazer eco ao canto Magnificat. A nossa oração torna-se ação de graças pelas obras de Deus em nossas vidas. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab

2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a

Evangelho: Lc 1,39-56

Salmo

À vossa direita se encontra a rainha,

com veste esplendente de ouro de Ofir!

sábado, 9 de agosto de 2025

19º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o Reino.

A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um ‘sábio’ anônimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade ‘vigilante’, que consegue discernir entre os valores efêmeros e os valores duradouros.

A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos cristãos, em geral.

E o Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do Reino. 

1ª Leitura: Sb 18,6-9

2ª Leitura: Hb 11,1-2.8-19

Evangelho: Lc 12,32-48

Salmo

Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

18º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia desde 18º domingo do tempo comum questiona-nos acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles não podem ser os deuses que dirigem a nossa vida; e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens que dão verdadeiro sentido à nossa existência e que nos garantem a vida em plenitude.

Na primeira leitura, temos uma reflexão sobre o sem sentido de uma vida voltada para acumular bens. Embora a reflexão não vá além, ela constitui um patamar para partirmos à descoberta de Deus e dos seus valores e para encontrarmos aí o sentido último da nossa existência.

A segunda leitura convida-nos à identificação com Cristo: isso significa deixarmos os ‘deuses’ que nos escravizam e renascermos continuamente, até que em nós se manifeste o homem novo, que é ‘imagem de Deus’.

No Evangelho, através da parábola do rico insensato’, Jesus denuncia a falência de uma vida voltada apenas para os bens materiais: o homem que assim procede é um ‘louco’, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, dá sentido à existência.

Muitas vezes, encantados pelos bens desse mundo, esquecemos que, assim como nossa existência terrena, eles são finitos e temporários. Ao partirmos, não levamos nada. Os bens materiais são importantes para nossa existência enquanto seres viventes na terra. Porém, fomos feitos para o céu. Para uma vida plena e eterna em Deus.

 

1ª Leitura: Ecl 1,2.2,21-23

2ª Leitura: Cl 3,1-5.9-11

Evangelho: Lc 12,13-21

Salmo

Vós fostes ó Senhor, um refúgio para nós.

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...