Cesário de Arles nasceu em Charlon-sur-Saône, na França,
pelo ano de 470.
Com vinte anos de idade deixou sua casa e, tocado por um
ideal de perfeição, distribuiu seus bens aos pobres e ingressou no mosteiro de
Lérins, colocando-se sob a direção do abade São Porcário. Distinguiu-se logo,
por seus dotes de inteligência, pelo comportamento grave, unido à doçura e bom
humor.
Eleito administrador do convento, foi em breve substituído
por causa da grande frugalidade que exigia dos monges, dando por primeiro o
exemplo de austeridade. Ele própria iria mudar mais tarde estes excessos de
penitência que lhe estragavam a saúde. De fato, teve que se deslocar para
tratamento à vizinha cidade de Arles, onde aperfeiçoou seus estudos clássicos e
dedicou-se à literatura dos grandes Padres das Igreja.
O bispo de Arles, Eônio, conhecendo-lhe as grandes qualidades
de zelo e de ciência, ordenou-o sacerdote e con0fiou-lhe importantes ofícios da
diocese e, enfim, apontou-o como seu sucessor na sede primacial de Arles, no
sul da França. Cesário contava então trinta e três anos e seu episcopado foi
longo e benéfico. Foi um bispo exemplaríssimo. Sua vida e sua atividade tiveram
um papel primordial na história eclesiástica da França no seu século.
Seus biógrafos o saúdam como o orador mais popular do
Ocidente Latino e preceptor da Igreja francesa. Seus sermões e homilias eram
vazados num estilo límpido e convincente, propondo uma doutrina sólida com
aplicações morais adequadas à realidade. Muitos de seus sermões e homilias eram
recolhidos por estenógrafos e enviados a bispos e monges, como modelos de
pregação pastoral.
Através destas pregações pode ser reconstruído o quadro da
vida cristã durante o século VI, com estas características: o batismo era
administrado de preferência às crianças sob a responsabilidade de padrinhos
que, junto com os pais, deviam responsabilizar-se pela educação cristã das
mesmas. A disciplina penitencial, um tanto rígida naquele tempo, foi por ele
suavizada, a fim de encorajar os pecadores à conversão, obtendo o perdão dos
pecados após o batismo. Incrementou a comunhão frequente, mas com o devido
cuidado, a fim de que fosse recebida dignamente. Temos dessa época o mais
antigo testemunho sobre o sacramento dos enfermos, a ser administrado aos
doentes graves.
Cesário expõe uma doutrina clara sobre a existência do
purgatório; relembra o caráter obrigatório de contribuir com o dízimo por parte
dos fiéis em favor do culto e da piedade cristã. Ele frisa três aspectos
fundamentais na moral cristã: o cultivo da justiça, a prática da misericórdia e
o cuidado pela castidade.
Cesário, além de pastor zeloso, é considerado também uma
glória do monaquismo, pois, mesmo elevado à Cátedra Episcopal de Arles, foi um
protetor dos monges a respeito dos quais escreveu vários sermões, inclusive duas
Regras monásticas, uma para os homens e outra para as virgens, entre as quais
vivia sua santa irmã Cesária. O tempo dos monges e das virgens devia ser bem
distribuído entre oração, meditação da Palavra de Deus e o trabalho manual,
recomendando, inclusive, a transcrição da Bíblia e dos códigos da literatura
cristã. Atividade esta que fazia dos monges preciosos instrumentos e veículos
de cultura.
Além das duas preciosas Regras de vida monástica, conservam-se
150 sermões e homilias, dos que ele pronunciou, assim como escritos sobre a
graça e a liberdade humana, inspirando-se na doutrina de Santo Agostinho. Como
bispo, Cesário foi uma das personalidades mais destacados do episcopado do seu
tempo, com filial relacionamento com o bispo de Roma, em nome do qual promoveu
cinco sínodos de bispos do sul da França, a fim de decidir a estruturação da
vida cristã e consolidar a doutrina ortodoxa. Contudo, sua vida transcorria em
harmonia perfeita com suas atividades pastorais, tornando-se forma e modelo de
sua grei.
Cesário faleceu aos 27 de agosto de 543, pranteado e
venerado como santo pelo seu povo. Tinha setenta e três anos.
Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

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