sexta-feira, 30 de agosto de 2024

22º DTC - Onde está teu coração?

 

O tema da pureza e impureza, na Bíblia, tem a finalidade de continuamente alertar o povo para a diferença em relação aos outros povos. O objetivo é ajudar o povo, e cada um individualmente, a não se envolver com práticas religiosas de outros povos para evitar algum tipo de culto à idolatria. A liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum toca o centro de nossas vidas, denominado “coração” pela Bíblia e, na linguagem de nossos dias, “consciência”. É o local onde são formados os pensamentos, nascem os sentimentos, são tomadas as decisões. Processos que não surgem de um momento para o outro, qual fosse uma fatalidade, mas como resultado de onde bebemos nossa confiança. O senso comum a identifica como “voz interior” falando dentro de nós. Do ponto de vista religioso, esta voz é iluminada pelos “mandamentos” ou “preceitos” divinos. São orientações pela Palavra que, uma vez acolhida, iluminam ações e relacionamentos. Tudo nesse domingo é iluminado pelos mandamentos: Jesus ensina a levar a sério os mandamentos de Deus, o autor do Deuteronômio insiste com o povo, para que observe os mandamentos, pois quem observa os mandamentos habita na casa de Deus. Tiago, por fim, incentiva acolher a Palavra com docilidade, pois ela ensina como viver em Deus, ou seja, oferece a possibilidade de viver autenticamente a religião. Falar de autenticidade religiosa pela prática dos mandamentos tem a ver com puro e impuro.

Na primeira leitura, o Senhor, através de Moisés coloca a prática dos mandamentos como condição para se entrar na terra prometida. Segui-los e executá-los é sinônimo de sabedoria perante as outras nações.

A carta de São Tiago nos mostra que a Palavra, a Lei foi implantada em nossos corações. É um dom precioso e dádiva perfeita. Ser praticante, e não mero ouvinte, é ser coerente com ela.

E no Evangelho vemos Jesus mostrando que a Lei deve ser seguida não por tradição, mas por convicção. Quando a Lei de Deus se torna costume banal, corre-se o risco de tornar-se escravo. Do que adianta louvar a Deus com os lábios, fazer tudo o que é prescrito porque ‘sempre foi assim’? Do que adianta frequentar uma igreja se pratica-se os seus mandamentos apenas por formalidade? Jesus dá ainda um ‘tapa de luva’ nos fariseus ao dizer que o que torna o homem impuro não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Logo, convive dentro de nós força e fraqueza, pureza e impureza, virtude e indecência. O que se sobrepõe? Aquilo que livremente alimentamos.

 

1ª Leitura: Dt 4,1-2.6-8

2ª Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27

Evangelho: Mc 7,1-8.14-15.21-23

Salmo

“Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo, habitará?”

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