O tema da pureza e impureza, na Bíblia, tem a
finalidade de continuamente alertar o povo para a diferença em relação aos
outros povos. O objetivo é ajudar o povo, e cada um individualmente, a não se
envolver com práticas religiosas de outros povos para evitar algum tipo de
culto à idolatria. A liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum toca o centro de
nossas vidas, denominado “coração” pela Bíblia e, na linguagem de nossos dias,
“consciência”. É o local onde são formados os pensamentos, nascem os
sentimentos, são tomadas as decisões. Processos que não surgem de um momento
para o outro, qual fosse uma fatalidade, mas como resultado de onde bebemos
nossa confiança. O senso comum a identifica como “voz interior” falando dentro
de nós. Do ponto de vista religioso, esta voz é iluminada pelos “mandamentos”
ou “preceitos” divinos. São orientações pela Palavra que, uma vez acolhida,
iluminam ações e relacionamentos. Tudo nesse domingo é iluminado pelos
mandamentos: Jesus ensina a levar a sério os mandamentos de Deus, o autor do
Deuteronômio insiste com o povo, para que observe os mandamentos, pois quem
observa os mandamentos habita na casa de Deus. Tiago, por fim, incentiva
acolher a Palavra com docilidade, pois ela ensina como viver em Deus, ou seja,
oferece a possibilidade de viver autenticamente a religião. Falar de
autenticidade religiosa pela prática dos mandamentos tem a ver com puro e
impuro.
Na primeira leitura, o Senhor, através de Moisés
coloca a prática dos mandamentos como condição para se entrar na terra
prometida. Segui-los e executá-los é sinônimo de sabedoria perante as outras
nações.
A carta de São Tiago nos mostra que a Palavra, a Lei
foi implantada em nossos corações. É um dom precioso e dádiva perfeita. Ser
praticante, e não mero ouvinte, é ser coerente com ela.
E no Evangelho vemos Jesus mostrando que a Lei deve
ser seguida não por tradição, mas por convicção. Quando a Lei de Deus se torna
costume banal, corre-se o risco de tornar-se escravo. Do que adianta louvar a
Deus com os lábios, fazer tudo o que é prescrito porque ‘sempre foi assim’? Do
que adianta frequentar uma igreja se pratica-se os seus mandamentos apenas por
formalidade? Jesus dá ainda um ‘tapa de luva’ nos fariseus ao dizer que o que
torna o homem impuro não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu
interior. Logo, convive dentro de nós força e fraqueza, pureza e impureza,
virtude e indecência. O que se sobrepõe? Aquilo que livremente alimentamos.
1ª
Leitura: Dt 4,1-2.6-8
2ª
Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27
Evangelho:
Mc 7,1-8.14-15.21-23
Salmo
“Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte
santo, habitará?”

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