Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, foi ao
longo dos séculos o tipo da mãe cristã; a mãe forte, que por sua resistência,
suas lágrimas e orações conseguiu a conversão de um dos maiores pensadores e santos
da Igreja e da humanidade. O próprio Santo Agostinho diz de sua mãe: “que pela
carne, concebeu seu filho para a vida temporal mas, pela fé e o coração, o fez
nascer para a vida eterna”.
Santa Mônica nasceu em Tagaste, norte da
África, por volta de 332, de família cristã.
Tendo chegado à idade própria para o
casamento, foi dada pelos pais por esposa a um cidadão de Tagaste de nome
Patrício, jovem pagão, rude. O caráter indômito do marido foi para Mônica fonte
de sofrimentos e provações mais duras. Mônica sofreu tudo com a maior paciência
e mansidão, encontrando consolação nas orações que, fervorosas, elevava ao céu
pela conversão do esposo. Deus recompensou esta dedicação e estas orações,
podendo ela ver a conversão sincera do marido, que recebeu o batismo.
Do seu matrimônio, Mônica teve dois filhos,
Agostinho e Navígio, e uma filha, Perpétua, que se tornou religiosa. O filho
mais velho, Agostinho, foi sua grande preocupação, fonte de amarguras, motivo
de lágrimas amargas.
Embora não lhe deixasse faltar bons conselhos
e o educasse nos princípios da religião cristã, a vivacidade, a inconstância, o
espírito de insubordinação de Agostinho induziram a mãe Mônica a protelar-lhe o
batismo, com receio que ficasse uma graça profanada. De fato, Agostinho, morto
o pai, aos dezessete anos, afastou-se de casa por motivos de estudos, tomando o
caminho dos vícios. O coração de Mônica sofreu terrivelmente com as notícias
dos desmandos do filho: redobrou suas orações, e certo dia, pedindo conselho e
consolação junto a um bispo, este a animou dizendo: “Continue a rezar, pois é
impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.
Agostinho tornou-se um brilhante professor de
retórica em Cartago. Mas, espírito irrequieto, se afiliou à seita herética dos
maniqueus. Procurando fugir das instâncias da mãe aflita, às escondidas, toma o
navio rumando para Roma, e de Roma para Milão, onde consegue o honroso cargo de
professor oficial de retórica.
Mônica em seu afeto de mãe, e mãe cristã, que
deseja a todo custo recuperar o filho, viaja da África para a Itália à procura
do filho, encontrando-o em Milão, onde, aos poucos, termina seu sofrimento. De
fato, em Milão, Agostinho, inicialmente por curiosidade retórica, depois por
interesse espiritual, tinha-se tornado frequentador dos magníficos sermões de
santo Ambrósio. Aí se deu sua conversão: recebeu o batismo com seu filho Adeodato
e o amigo inseparável, Alípio. Mônica colhia os frutos de suas orações e de
suas lágrimas.
Mãe e filho decidiram voltar para a terra
natal, a África, mas chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu
e veio a falecer. Agostinho imortalizou estes últimos momentos, escrevendo: “Próximo
já do dia em que ela ia sair desta vida, sucedeu que nos encontrássemos
sozinhos ela e eu, apoiados a uma janela, cuja vista dava para o jardim
interior da casa. Era em Óstia, onde apartados da multidão, após o cansaço de
uma longa viagem, retemperávamos as forças para embarcarmos. Falávamos a sós,
muito docemente excedendo o passado e ocupando-nos do futuro, qual seria a vida
eterna dos santos, que nunca os olhos viram, nunca o ouvido ouvi, nem o coração
do homem imaginou. Nossos corações abriam-se ansiosos para a corrente celeste
da fonte da vida divina”. Naquele momento, Mônica entregou sua bela alma a
Deus. Corri o ano 387. Ela contava 56 anos de idade.
Seu corpo atualmente se conserva na Igreja de Santo Agostinho em Roma, cuja festa ocorre amanhã.
Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti,
I.M.C.

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