sexta-feira, 23 de agosto de 2024

21º DTC - Vós também vos quereis ir embora?

 


A liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta buscando valores efêmeros e passageiros, ou a apostando nos valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha.

Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre ‘servir o Senhor’ e servir outros deuses. O povo escolhe claramente ‘servir o Senhor’, pois viu, na história recente da libertação do Egito e da caminhada pelo deserto, como só Jahweh pode proporcionar ao seu povo a vida, a liberdade, o bem-estar e a paz.

São Paulo, na segunda leitura, diz aos irmãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também no nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Assim como a mulher deve ser submissa, por amor, ao seu marido, a Igreja tem de ser submissa a Cristo. Ora, se marido e mulher são uma só carne desde o matrimônio, a Igreja e Jesus também formam essa unidade, onde a cabeça cuida dos membros com zelo e carinho, pois visa a edificação do corpo.

E o Evangelho coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à ação de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos cristãos de todos os tempos.

Por que muitos discípulos voltaram (e voltam) atrás em sua opção por Jesus? Por que muitos que abraçaram a fé, foram batizados, comungaram da Eucaristia, em algum momento afastam-se do caminho? A resposta é simples: vaidade. O Evangelho de Cristo provoca e compromete. É um apelo a uma mudança radical de vida onde livremente optamos, como Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. A pergunta que Jesus faz aos apóstolos também é repetida a cada um de nós hoje: “E vós, também vos quereis ir embora?”. É fácil de ser discípulos diante das belas parábolas ou dos milagres. É difícil manter-se fiel mediante a uma mudança permeada pela cruz. Quando escolhemos o verdadeiro Evangelho, deixamos o Espírito de Deus nos purificar com o ‘banho da água unida à palavra’. Somos submissos ao verdadeiro marido da Igreja e como membros desse corpo, somos alimentados pelo pão da Eucaristia.

1ª Leitura: Js 24,1-2a.15-17,18b

2ª Leitura: Ef 5,21-32

Evangelho: Jo 6,60-69

Salmo

"Provai e vede quão suave é o Senhor!"

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