Nesse final de semana celebramos a Assunção
de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido
pelo papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que solenemente
declarou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso
da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com
antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em
meio às aceitações e oferecimentos das dores.
A primeira leitura, retirada do livro do Apocalipse traz visões expressas em
linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as
formas de morte. Por transposição, a visão do sinal grandioso pode ser aplicada
a Maria. A mulher também pode representar a Igreja, novo Israel, sugerido pelo
número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra
uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para
destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o
poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.
A Assunção é uma forma
privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a
emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. É
o que despreendemos da segunda leitura, da primeira carta de são Paulo aos
Coríntios. O apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma
ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus,
que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como
um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro, que tinha levado
a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para
a vida.
E o Evangelho de são
Lucas nos traz o episódio de
Maria visitando sua prima Isabel e cantando o Magnificat. Aprendemos assim a rezar por Maria, com Maria e como
Maria. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores
agora e na hora da nossa morte!”. A sua intervenção maternal em Caná resume bem
a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo
o que Ele vos disser!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é
ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e
guia-nos na nossa caminhada junto de Deus. Rezar como Maria é fazer eco ao
canto Magnificat. A nossa oração
torna-se ação de graças pelas obras de Deus em nossas vidas. Pomos os nossos
passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja
feito segundo a tua Palavra, Senhor!”
1ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27ª
Evangelho: Lc 1,39-56
Salmo:
“À vossa
direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir”.

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