sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

 


Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que solenemente declarou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

A primeira leitura, retirada do livro do Apocalipse traz visões expressas em linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão do sinal grandioso pode ser aplicada a Maria. A mulher também pode representar a Igreja, novo Israel, sugerido pelo número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.

A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. É o que despreendemos da segunda leitura, da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. O apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro, que tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

E o Evangelho de são Lucas nos traz o episódio de Maria visitando sua prima Isabel e cantando o Magnificat. Aprendemos assim a rezar por Maria, com Maria e como Maria. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!”. A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus. Rezar como Maria é fazer eco ao canto Magnificat. A nossa oração torna-se ação de graças pelas obras de Deus em nossas vidas. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

 

1ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab

2ª Leitura: 1Cor 15,20-27ª

Evangelho: Lc 1,39-56

Salmo:

“À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir”.


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