sexta-feira, 9 de agosto de 2024

19º Domingo do Tempo Comum

 


Nesse 19º Domingo do Tempo Comum temos uma continuação da reflexão nos domingos anteriores onde constatamos que existe um pão que poderá alimentar nossos corações de angústia e outro pão que poderá nos alimentar com a paz. Um é o pão da reclamação, da murmuração que nos torna angustiados, outro o Pão da Vida, o pão que dá vida ao mundo.

Na primeira leitura encontramos o profeta Elias murmurando contra Deus e simplesmente ‘jogando a toalha’ diante da missão a ele confiada por Deus. Deita-se debaixo de um junípero esperando a morte. Um anjo traz pão assado e um jarro de água encorajando-o a levantar-se e comer. Elias, após a refeição volta a dormir. Novamente o anjo aparece, oferece-lhe o alimento e diz que o profeta ainda tem um longo caminho a percorrer. Elias toma o alimento que dá energia e força para continuar a caminhada.

A segunda leitura apresenta conselhos dados por são Paulo à comunidade de Éfeso. Tais indicações visam uma aproximação do cristão ao coração do Pai que é amor. Não é um amor interesseiro, que se beneficia de forma utilitarista dos irmãos, mas um amor capaz de esvaziar-se, de dar-se plenamente pela vida do outro. Por isso, nada que divida a comunidade pode ter a última palavra.

As leituras apresentam um quadro psicológico bem próximo da realidade social de nossos dias. Convivemos com pessoas desanimadas, incapazes de prosseguir o caminho, entregando os pontos e perdendo de vista o objetivo da própria vida, por não alimentarem seus corações com o pão vivo. As leituras acenam ainda para os infelizes, aqueles que vivem profundamente mergulhados na angústia e aqueles que vivem amargurados, irritados, enraivecidos, e tratam os outros com gritarias e injúrias. Reflexo evidente de uma vida marcada pelo sofrimento interior. Um quadro que, infelizmente, invade nossas famílias, escolas, locais de trabalho, alimentando corações com um ‘pão de infelicidade’.

Com tais características, facilmente avaliamos que convivemos com pessoas que perderam a paz interior e, por isso, são incapazes de conviver consigo mesmas e com os outros. São pessoas cansadas que, a exemplo de Elias, jogam-se por terra e desejam a morte, porque viver tornou-se um sofrimento. Este quadro é, perigosamente, alimentado com um pão que podemos denominar de ‘pão da reclamação’. Quanto mais nossos corações se alimentam de reclamações, mais a insatisfação toma conta da gente, menos paz interior e menos alegria para viver.

No Evangelho, quem aparece murmurando são os judeus que não conseguem ver em Jesus o verdadeiro Messias prometido. Jesus é o filho de José, nós o conhecemos. Como pode ter descido do céu? Jesus revela-se como o pão da vida, capaz de alimentar nossos corações com uma paz que conduz a uma vida plena e eterna. Não é um pão passageiro, sujeito ao tempo e as condições físicas. Sua carne é alimento que dá vida ao mundo.

Bem diferente é o resultado de quem se alimenta com o Pão da Vida, oferecido por Jesus, através de sua Palavra e, mais concretamente, pela doação de sua própria carne, de sua própria Vida; Vida capaz de alimentar um novo modo de viver no mundo. Diferentemente daquele pão que provoca angústia, o Pão da Vida promove a bondade, a compaixão, o perdão e, nos torna imitadores de Deus, incapazes de contristar o Espírito Santo que habita em nós. Acontece aquilo que Jesus evoca no Evangelho, quando lembra aos judeus que todos serão ‘discípulos de Deus’, todos viverão e se alimentarão com o Espírito Santo de Deus. Assim é o ‘Pão Vivo’, o ‘Pão da Vida’, o ‘Pão para a vida’. Um alimento que pacifica os corações e atrai homens e mulheres para que se alimentem deste pão que é dado por Deus e vivam deixando-se inspirar pelo Espírito Santo.

Existe, contudo, uma condição para se alimentar deste pão: crer; ter fé. No Evangelho, Jesus sublinha a iniciativa do Pai no processo da fé, quando diz: ‘ninguém pode vir a mim, se o Pai que o enviou não o atrai’. O mesmo verbo ‘atrair’ encontra-se em outra passagem do Evangelho de João, quando Jesus promete que, na Cruz, atrairá todos a Ele (Jo 12,32). A cruz é o local onde Jesus doa concretamente sua vida, num gesto extremo de amor e misericórdia. A pedagogia da fé, portanto, tem a iniciativa do Pai e alcança seu ápice na adesão a Cristo, alimentando-se da ‘carne de Cristo’, pois quem nele crer e se alimentar deste pão terá a vida eterna.


 Primeira Leitura: 1Rs 19,4-8

Segunda Leitura: Ef 4,30-5,2

Evangelho: Jo 6,41-51

 Salmo:

“Provai e vede quão suave é o Senhor!”

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