Nesse 19º
Domingo do Tempo Comum temos uma continuação da reflexão nos domingos
anteriores onde constatamos que existe um pão que poderá alimentar nossos
corações de angústia e outro pão que poderá nos alimentar com a paz. Um é o pão
da reclamação, da murmuração que nos torna angustiados, outro o Pão da Vida, o
pão que dá vida ao mundo.
Na primeira leitura
encontramos o profeta Elias murmurando contra Deus e simplesmente ‘jogando a
toalha’ diante da missão a ele confiada por Deus. Deita-se debaixo de um
junípero esperando a morte. Um anjo traz pão assado e um jarro de água
encorajando-o a levantar-se e comer. Elias, após a refeição volta a dormir. Novamente
o anjo aparece, oferece-lhe o alimento e diz que o profeta ainda tem um longo
caminho a percorrer. Elias toma o alimento que dá energia e força para
continuar a caminhada.
A segunda
leitura apresenta conselhos dados por são Paulo à comunidade de Éfeso. Tais indicações
visam uma aproximação do cristão ao coração do Pai que é amor. Não é um amor
interesseiro, que se beneficia de forma utilitarista dos irmãos, mas um amor
capaz de esvaziar-se, de dar-se plenamente pela vida do outro. Por isso, nada
que divida a comunidade pode ter a última palavra.
As leituras
apresentam um quadro psicológico bem próximo da realidade social de nossos
dias. Convivemos com pessoas desanimadas, incapazes de prosseguir o caminho,
entregando os pontos e perdendo de vista o objetivo da própria vida, por não
alimentarem seus corações com o pão vivo. As leituras acenam ainda para os
infelizes, aqueles que vivem profundamente mergulhados na angústia e aqueles
que vivem amargurados, irritados, enraivecidos, e tratam os outros com
gritarias e injúrias. Reflexo evidente de uma vida marcada pelo sofrimento
interior. Um quadro que, infelizmente, invade nossas famílias, escolas, locais
de trabalho, alimentando corações com um ‘pão de infelicidade’.
Com tais
características, facilmente avaliamos que convivemos com pessoas que perderam a
paz interior e, por isso, são incapazes de conviver consigo mesmas e com os
outros. São pessoas cansadas que, a exemplo de Elias, jogam-se por terra e
desejam a morte, porque viver tornou-se um sofrimento. Este quadro é, perigosamente,
alimentado com um pão que podemos denominar de ‘pão da reclamação’. Quanto mais
nossos corações se alimentam de reclamações, mais a insatisfação toma conta da
gente, menos paz interior e menos alegria para viver.
No Evangelho,
quem aparece murmurando são os judeus que não conseguem ver em Jesus o
verdadeiro Messias prometido. Jesus é o filho de José, nós o conhecemos. Como
pode ter descido do céu? Jesus revela-se como o pão da vida, capaz de alimentar
nossos corações com uma paz que conduz a uma vida plena e eterna. Não é um pão
passageiro, sujeito ao tempo e as condições físicas. Sua carne é alimento que dá
vida ao mundo.
Bem diferente
é o resultado de quem se alimenta com o Pão da Vida, oferecido por Jesus,
através de sua Palavra e, mais concretamente, pela doação de sua própria carne,
de sua própria Vida; Vida capaz de alimentar um novo modo de viver no mundo. Diferentemente
daquele pão que provoca angústia, o Pão da Vida promove a bondade, a compaixão,
o perdão e, nos torna imitadores de Deus, incapazes de contristar o Espírito
Santo que habita em nós. Acontece aquilo que Jesus evoca no Evangelho, quando
lembra aos judeus que todos serão ‘discípulos de Deus’, todos viverão e se
alimentarão com o Espírito Santo de Deus. Assim é o ‘Pão Vivo’, o ‘Pão da Vida’,
o ‘Pão para a vida’. Um alimento que pacifica os corações e atrai homens e
mulheres para que se alimentem deste pão que é dado por Deus e vivam
deixando-se inspirar pelo Espírito Santo.
Existe, contudo, uma condição para se alimentar deste pão: crer; ter fé. No Evangelho, Jesus sublinha a iniciativa do Pai no processo da fé, quando diz: ‘ninguém pode vir a mim, se o Pai que o enviou não o atrai’. O mesmo verbo ‘atrair’ encontra-se em outra passagem do Evangelho de João, quando Jesus promete que, na Cruz, atrairá todos a Ele (Jo 12,32). A cruz é o local onde Jesus doa concretamente sua vida, num gesto extremo de amor e misericórdia. A pedagogia da fé, portanto, tem a iniciativa do Pai e alcança seu ápice na adesão a Cristo, alimentando-se da ‘carne de Cristo’, pois quem nele crer e se alimentar deste pão terá a vida eterna.
Segunda
Leitura: Ef 4,30-5,2
Evangelho: Jo
6,41-51
“Provai e vede
quão suave é o Senhor!”

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