sábado, 16 de agosto de 2025

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

 


Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que solenemente declarou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

A primeira leitura, retirada do livro do Apocalipse traz visões expressas em linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão do sinal grandioso pode ser aplicada a Maria. A mulher também pode representar a Igreja, novo Israel, sugerido pelo número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.

A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. É o que despreendemos da segunda leitura, da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. O apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro, que tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

E o Evangelho de são Lucas nos traz o episódio de Maria visitando sua prima Isabel e cantando o Magnificat. Aprendemos assim a rezar por Maria, com Maria e como Maria. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!”. A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus. Rezar como Maria é fazer eco ao canto Magnificat. A nossa oração torna-se ação de graças pelas obras de Deus em nossas vidas. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab

2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a

Evangelho: Lc 1,39-56

Salmo

À vossa direita se encontra a rainha,

com veste esplendente de ouro de Ofir!

sábado, 9 de agosto de 2025

19º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o Reino.

A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um ‘sábio’ anônimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade ‘vigilante’, que consegue discernir entre os valores efêmeros e os valores duradouros.

A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos cristãos, em geral.

E o Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do Reino. 

1ª Leitura: Sb 18,6-9

2ª Leitura: Hb 11,1-2.8-19

Evangelho: Lc 12,32-48

Salmo

Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

18º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia desde 18º domingo do tempo comum questiona-nos acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles não podem ser os deuses que dirigem a nossa vida; e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens que dão verdadeiro sentido à nossa existência e que nos garantem a vida em plenitude.

Na primeira leitura, temos uma reflexão sobre o sem sentido de uma vida voltada para acumular bens. Embora a reflexão não vá além, ela constitui um patamar para partirmos à descoberta de Deus e dos seus valores e para encontrarmos aí o sentido último da nossa existência.

A segunda leitura convida-nos à identificação com Cristo: isso significa deixarmos os ‘deuses’ que nos escravizam e renascermos continuamente, até que em nós se manifeste o homem novo, que é ‘imagem de Deus’.

No Evangelho, através da parábola do rico insensato’, Jesus denuncia a falência de uma vida voltada apenas para os bens materiais: o homem que assim procede é um ‘louco’, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, dá sentido à existência.

Muitas vezes, encantados pelos bens desse mundo, esquecemos que, assim como nossa existência terrena, eles são finitos e temporários. Ao partirmos, não levamos nada. Os bens materiais são importantes para nossa existência enquanto seres viventes na terra. Porém, fomos feitos para o céu. Para uma vida plena e eterna em Deus.

 

1ª Leitura: Ecl 1,2.2,21-23

2ª Leitura: Cl 3,1-5.9-11

Evangelho: Lc 12,13-21

Salmo

Vós fostes ó Senhor, um refúgio para nós.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

16º Domingo do Tempo Comum

 A inquietação de Marta – AEFC

           A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum nos lembra da importância de, antes de qualquer coisa, acolhermos Deus em nosso coração. Nenhum projeto inicia antes contemplarmos Ele em nós.

A primeira leitura fala de hospitalidade. Para o povo da Bíblia, acolher as pessoas é um ato de fé e de religião. Abraão é o homem ao qual Deus prometeu terra e descendência. Mas até aquele momento está sem filho e sem terra. Ele precisa aprender a ser dom para os outros a fim de acolher o dom da vida que Deus lhe faz através das pessoas que ele hospeda. Aqui encontramos uma ambiguidade: o trecho começa afirmando que o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, mas o que Abraão vê são três homens parados perto dele. A conclusão mais latente é que quem acolhe pessoas está acolhendo o Deus que dá vida, uma vez que eles trazem consigo a esperança de paternidade à Abraão. Ele está sentado à entrada da tenda, no maior calor do dia. Não é hora de visitas, mas de descanso à sombra. Não obstante isso, ao ver os três homens, corre-lhes ao encontro, inclina-se diante deles e os convida a serem seus hóspedes, fazendo-se seu servo e servindo-lhes um banquete extraordinário. Os visitantes parecem conhecer a situação de Abraão e sua mulher. Conhecem inclusive o nome dela, sem que alguém o tenha revelado. Sabem que a esterilidade tornara aquele casal infeliz, sem perspectivas de vida. Ao acolher as pessoas nos momentos menos oportunos do dia, Abraão e Sara acolhem o dom da vida que vem de Deus: “No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho”.

Na segunda leitura temos o retrato do discípulo de Jesus. Paulo está na prisão. O anúncio de Jesus Cristo lhe trouxe prisões, humilhações, torturas, difamações e sofrimentos sem conta. Tudo isso faz com que se sinta próximo de Jesus e de sua paixão. É o evangelizador que enfrenta com alegria os sofrimentos, a fim de que a comunidade cristã seja edificada. Paulo se apresenta como ministro da palavra para o bem da comunidade. Por meio dele, as comunidades cristãs ampliaram seus horizontes, abrindo-se aos não-judeus, entre os quais se encontram os cristãos colossenses.

E o Evangelho aparece a visita de Jesus à Marta, Maria e Lázaro. Marta faz as vezes de dona-de-casa. Acolhe Jesus e anda preocupada com as tarefas de casa, aumentadas pela visita do Mestre. E fica chateada porque Maria, sua irmã, não a ajuda no serviço. Maria, por sua vez, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. A irmã de Marta é tipo do discípulo não pelo fato de nada fazer, e sim porque coloca, como base de seu discipulado, a acolhida da palavra de Deus que vem a ela na pessoa de Jesus. O episódio, pois, não afirma que é hora de fugir da ação pastoral para buscar refúgio na contemplação. Pelo contrário, afirma que a contemplação é sintonia com o mestre que está a caminho de Jerusalém. O contemplativo é o que busca descobrir, na oração e no discernimento, seu papel dentro do projeto de Deus, exatamente como agiu Jesus que foi, ao mesmo tempo, contemplativo, místico e construtor de uma nova sociedade. 

O equívoco de Marta consistiu em querer demonstrar hospitalidade sem acolher o dom que Deus lhe fazia em jesus Cristo, a palavra de Deus. Maria, por sua vez, solidarizando-se com o Mestre a caminho de Jerusalém, descobriu o novo modo de fazer as coisas, ou seja, encontrou a raiz do discipulado que a torna participante do projeto de Deus. Deixou-se animar pela palavra que gera sociedade e história nova. Tornou-se discípula porque acolheu em sua casa o dom que Deus lhe fazia em Jesus. 

 

1ª Leitura: Gn 18m1-10a

2ª Leitura: Cl 1,24-28

Evangelho: Lc 10,38-42

Salmo

“Senhor, quem morará em vossa casa?”

sexta-feira, 11 de julho de 2025

15º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum procura definir o caminho para encontrar a vida eterna. É no amor a Deus e aos outros que encontramos a vida.

A primeira leitura reflete, sobretudo, sobre a questão do amor a Deus. Convida os crentes a fazer de Deus o centro da sua vida e a amá-lo de todo o coração. Como? Escutando a sua voz no íntimo do coração e percorrendo o caminho dos seus mandamentos.

Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um hino que propõe Cristo como referência fundamental, como o centro à volta do qual se constrói a história e a vida de cada crente. O texto foge, um tanto, à temática geral das outras duas leituras; no entanto, a catequese sobre a centralidade de Cristo leva-nos a pensar na importância do que ele nos diz no Evangelho de hoje. Se Cristo é o centro a partir do qual tudo se constrói, convém escutá-lo atentamente e fazer do amor a Deus e aos outros uma exigência fundamental da nossa caminhada.

E o Evangelho sugere que essa vida plena não está no cumprimento de determinados ritos, mas no amor a Deus e aos irmãos. Como exemplo, apresenta-se a figura de um samaritano – um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na beira da estrada. “Vai e faz o mesmo” – diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no caminho da vida plena.

Não existe salvação sem compaixão e amor a Deus e ao próximo. É preciso estar atento ao chamado constante de Deus que se faz presente também no irmão que sofre.

 

1ª Leitura: Dt 30,10-14

2ª Leitura: Cl 1,15-20

Evangelho: Lc 10,25-37

Salmo

Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!

sexta-feira, 4 de julho de 2025

14º Domingo do Tempo Comum

 


Toda a liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum tem por base a temática do ‘envio’: No evangelho, Jesus envia 72 discípulos dois a dois; na primeira leitura, um profeta anônimo fala aos habitantes de Jerusalém do Deus que os ama; na segunda leitura, Paulo anuncia a glória da cruz.

Na primeira leitura, apresenta-se a palavra de um profeta anônimo, enviado a proclamar o amor de pai e de mãe que Deus tem pelo seu povo. O profeta é sempre um enviado que, em nome de Deus, consola os homens, liberta-os do medo e acena-lhes com a esperança do mundo novo que está por chegar. Nesse novo mundo, o próprio Deus irá cuidar de seus filhos com carinho único, constante e perene.

Na segunda leitura, são Paulo deixa claro qual o caminho que o apóstolo deve percorrer: não o podem mover interesses de orgulho e de glória, mas apenas o testemunho da cruz – isto é, o testemunho desse jesus, que amou radicalmente e fez da sua vida um dom a todos. Mesmo no sofrimento, o apóstolo tem de testemunhar, com a própria vida, o amor radical; é daí que nasce a vida nova do homem novo.

Mas é sobretudo no Evangelho que a temática do ‘envio’ aparece mais desenvolvida. Os discípulos de Jesus são enviados ao mundo para continuar a obra libertadora que Jesus começou e para propor a Boa Nova do Reino aos homens de toda a terra, sem exceção; devem fazê-lo com urgência, com simplicidade e com amor. Na ação dos discípulos, torna-se realidade a vitória do Reino sobre tudo o que oprime e escraviza o homem.

Em suma, neste final de semana somos convidados a tomar consciência de que Deus nos envia a testemunhar o seu Reino. Como diz uma motivação: “Na Igreja de Cristo, todo batizado é missionário”. Ou seja, o cristão não é um mero membro passivo, mas sim um anunciador da grande novidade que é o Reino de Deus.

 

1ª LEITURA: Is 66,10-14c

2ª LEITURA: Gl 6,14-18

EVANGELHO: Lc 10,1-12.17-20

SALMO

“Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira”

sexta-feira, 27 de junho de 2025

São Pedro e São Paulo

 


Neste final de semana celebramos a Solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo. A liturgia nos convida a refletir sobre estas duas figuras e a considerar o seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e de testemunho do projeto libertador de Deus.

A primeira leitura narra com riqueza de detalhes como Pedro é libertado da prisão por um anjo enviado por Deus. Herodes prende Pedro. Viu que a morte dos apóstolos agradava os judeus. Sabendo da influência do apóstolo, usa de ‘segurança máxima’: quatro grupos com quatro soldados. Ou seja, dezesseis guardas, sem contar duas correntes para dificultar qualquer plano de fuga. Enquanto isso, a igreja rezava constantemente. Pedro é libertado da prisão por um anjo. Deus cauciona o testemunho dos discípulos cuidando deles quando o mundo os rejeita. Penso atualmente muitas ‘prisões’ impedem os batizados de evangelizarem. Muitas são as correntes que prendem os homens: o individualismo, a ganância, o poder. O Evangelho liberta, mas é necessária a contrapartida: querer ser livre.

Na segunda leitura, Paulo parece despedir-se de Timóteo. Mas não é uma despedida triste e sim carregada de tranquilidade por ter cumprido a missão: ‘combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé’. É um texto comovente e que questiona, convidando os cristãos de todas as épocas e lugares a percorrer o caminho da vida com entusiasmo, com entrega e com ânimo. Agora é só esperar a recompensa de quem dedicou a vida a transmitir integralmente a mensagem de Cristo.

O Evangelho apresenta o mandato petrino. Jesus questiona seus discípulos sobre o que dizem a seu respeito. Após relatarem, Jesus pergunta: e vocês, quem dizeis que eu sou? É Pedro, que pela comunidade, faz a profissão de fé: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus aqui coloca os pilares de sua igreja. Diante de muitos que dizem que Jesus não fundou nenhuma igreja, podemos remetê-los ao versículo 18, do capítulo 16 do Evangelho de Mateus: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. E arremata dizendo que tudo o que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.

As duas colunas da Igreja, São Pedro e São Paulo, celebradas nesse domingo foram testemunhas da verdade de Cristo até a morte. Pedro morreu crucificado de cabeça para baixo. Seu corpo está enterrado embaixo da cátedra do papa, na basílica de São Pedro, em Roma. Paulo, por ser cidadão romano, foi decapitado.

 1ª LEITURA: At 12,1-11

2ª LEITURA: 2Tm 4,6-8.17-18

EVANGELHO: Mt 16,13-19

SALMO

“De todos os temores me livrou o Senhor Deus”.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Santíssima Trindade

        O mistério da Santíssima Trindade

A festa que celebramos nesse final de semana não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas", mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

        A primeira leitura sugere-nos a contemplação de um Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e o grande revelador do amor do Pai).

        A segunda leitura, convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus-Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.

        O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.

 

Primeira Leitura: Pr 8,22-31


Segunda Leitura: Rm 5,1-5


Evangelho: Jo 16,12-15


Salmo

“Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!”

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Pentecostes

 


O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o homem novo.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito Santo é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superarem o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

 

1ª LEITURA: At 2,1-11

2ª LEITURA: 1Cor 12,3b-7.12-13

EVANGELHO: Jo 20,19-23

SALMO

“Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Ascensão do Senhor

 


A Solenidade da Ascenção de Jesus que celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a avida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.

Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos, eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.

A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados: a vida plena de comunhão com Deus. Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.

O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projeto salvador de Deus e resulta do fato de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.

Jesus sobe aos céus, mas não nos deixa órfãos. Temos a alegria do Pentecostes, a vinda do Espírito Santo que habita em nós trazendo ânimo, dinamicidade e principalmente, coragem para continuar a missão de Jesus num mundo tão conturbado.

 

1ª Leitura: At 1,1-11

2ª Leitura: Ef 1,17-23

Evangelho: Lc 24,46-53

Salmo

“Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!”

sábado, 17 de maio de 2025

5º Domingo da Páscoa

 


O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até o dom total da vida.

Na primeira leitura, apresenta-se a vida das comunidades cristãs primitivas chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes, ou seja, das mudanças da vida e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se entreajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama. Também deixam claro que quem faz a obra acontecer é Deus. Eles são apenas instrumentos.

A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor. Nessa Nova Jerusalém, Deus habita entre nós e não há mais distinção entre céu e terra.

E no Evangelho, Jesus despede-se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o ‘novo mandamento’: ‘amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei’. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor de Deus.

Jesus ‘sobe a régua’ quando o assunto é amor. Se antes, deveríamos amar o próximo como a nós mesmos, agora devemos amar como o próprio Cristo nos amou: ao ponto de darmos a vida uns pelos outros. Nesse projeto, a oblação de si mesmo garante a entrada na pátria celeste além de conquistar o olhar amoroso do Pai. Não é tarefa fácil amar até esse ponto. Mas quando temos os olhos fixos na meta da vida eterna, vemos que a vida terrena é passageira e que tudo perde o valor diante da promessa do ‘novo céu e da nova terra’.

 

Primeira Leitura: At 14,21b-27

Segunda Leitura: Ap 21,1-5a

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35

Salmo

“Bendirei o vosso nome, ó meu Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre”.

sábado, 10 de maio de 2025

4º Domingo do Tempo Pascal

 


O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois, todos os anos, a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus é apresentado como o Bom Pastor. Esse é, portanto, o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.

A primeira leitura, por sua vez, apresenta-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos traz. De um lado, estão as ‘ovelhas’ cheias de autossuficiência, satisfeitas e comodamente instaladas em suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, dispostas a arriscar segui-Lo até as pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta. Muitos se convertiam a Cristo pelo testemunho e pela pregação de Paulo e Barnabé, que insistiam para que eles continuassem fiéis à graça recebida. Porém, muitos judeus invejavam os dois missionários que espalhavam a Palavra do Senhor por onde passavam, chegando até a instigar pessoas influentes contra Paulo e Barnabé. Estes, corajosamente, seguem em frente, dizendo que cumpriram a missão em relação aos judeus e que agora iriam evangelizar os pagãos.

A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim. O Apocalipse diz que João viu uma imensa multidão de gente de todas as nações. Aqui podemos ver que essa multidão, advinda da grande tribulação, percorreu os caminhos da história. Por isso, está relacionada a todos os tempos e lugares. Lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro, pois deram a vida pela verdade do Evangelho. É o próprio Deus que as recebe em Sua glória, enxugando suas lágrimas e servindo-lhes à mesa.

E o Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do Seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a Sua proposta e a segui-Lo. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude. O Bom Pastor, por sua vez, reconhece cada ovelha e cuida de cada uma em particular.

É interessante notar que, em toda a liturgia desse domingo, a conquista da vida eterna está condicionada ao seguimento confiante do Bom Pastor. Paulo e Barnabé não se deixaram abater diante da inveja dos judeus, que não se conformavam com a conversão de seus compatriotas a Cristo. Continuavam anunciando aos povos sem medo, pois a Palavra de Deus precisava chegar aos confins de toda a terra. Todos teremos tribulações. O fato de pertencermos ao rebanho de Jesus não tira de nós, enquanto peregrinos na terra, os sofrimentos. Jesus promete felicidade, não facilidade.

Não tenhamos medo. Confiemos no Bom Pastor. Ele sabe onde estão as melhores pastagens. Ouçamos a voz de Jesus pregada pelos apóstolos e seus sucessores. Deixemo-nos conduzir por Aquele que é capaz de nos dar a vida eterna.

 

1ª Leitura: At 13,14.43-52

2ª Leitura: Ap 7,9.14b-17

Evangelho: Jo 10,27-30

Salmo:

“Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho.


sexta-feira, 2 de maio de 2025

3º Domingo Pascal

 


A liturgia do 3º domingo do Tempo Pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em sua missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens. A questão principal gira em torno do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro: “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo. A oposição humana põe em relevo a realidade sobre humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao ‘caminho’ de Jesus, do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.”

A segunda leitura, apresenta Jesus, o “Cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira manifestar diante do “Cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor. O símbolo do “Cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “Servo de Yahweh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro; a do “Cordeiro Pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão; e a do “Cordeiro Apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real. O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.

E o Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa quer a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixaram guiar pela sua Palavra. O texto está claramente dividido em duas partes. Pedro toma a iniciativa de ir pescar. Os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva. A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus. O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso (‘sem mim, nada podeis fazer’ – Jo 15,5).

A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Os discípulos estão desorientados e decepcionados pelo fracasso da pesca. Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes.

Na segunda parte do texto, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes). A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá seguir Jesus.

Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, a comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

 

PRIMEIRA LEITURA: At 5,27b-32.40b-41

SEGUNDA LEITURA: Ap 5,11-14

EVANGELHO: Jo 21,1-19

SALMO

“Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes”.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Jubileu da Misericórdia

 


A Páscoa é a maior festa dos cristãos. Nela vemos que Deus nos ama a tal ponto, que deu seu único Filho para salvar a humanidade. Sem a ressurreição, vã seria nossa fé. Através da paixão, morte e ressurreição de Jesus, nos damos conta de que temos um Deus próximo, que se rebaixa a nossa condição para que o ser humano possa participar das realidades divinas. E após o período da quaresma, onde preparamos os nossos corações para comemorar a Páscoa, celebramos a Semana Santa, onde vivemos intensamente o mistério pascal. Na quarta-feira Santa, acontece a missa do Crisma na Catedral São João Batista, em Montenegro. Na quinta-feira Santa, em nossa comunidade celebramos a Instituição da Eucaristia e o ‘lava-pés’. Na Sexta-Feira Santa, acontece a Celebração da Paixão. O sábado Santo é o dia da expectativa. Através de uma bela celebração, rica em símbolos, proclama-se a Páscoa. E no domingo, é o dia da Festa da Páscoa.

A festa da Páscoa é tão grande, tão especial e cheia de significado que não cabe num dia só. Por isso, a Igreja a celebra durante 50 dias, no Tempo Pascal, que forma um só grande dia de festa. Assim, no segundo domingo da Páscoa teremos a Festa da Divina Misericórdia, onde ao confiarmos em Deus, somos confortados com as graças dispensadas por nosso Salvador. Esse ano, a festa irá se dilatar por conta do Jubileu 2025 e ambos os Apostolados – da Divina Misericórdia e da Oração –, bem como cristãos da nossa diocese e também de dioceses vizinhas irão se encontrar em Bom Retiro do Sul para juntos celebrar esse belíssimo momento. No diário de Santa Faustina ouvimos do próprio Senhor: “Na minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à Fonte da minha Misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (Diário 206).

Que possamos, ao contemplar o Mistério Pascal – Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo –, intensificar nosso relacionamento com Deus e proclamar o amor de nosso Deus misericordioso!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Tríduo Pascal

A palavra tríduo, dentro do catolicismo, sugere a ideia de preparação. Logo, o tríduo pascal nada mais é do que uma preparação para a Páscoa, maior celebração da cristandade. A ressurreição de Jesus deu sentido a todo o cristianismo. Se Cristo tivesse ficado no sepulcro, tudo teria acabado ali e certamente, nem sequer saberíamos quem fora o homem Jesus de Nazaré. O tríduo pascal considera três dias de profunda preparação para a festa da Páscoa. Compreende a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado. Porém, não são três dias separados. É uma só coisa com a Páscoa. Abrange a totalidade do mistério pascal.

Começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor na quinta-feira santa. Nessa celebração acontece o “lava-pés”, onde o celebrante relembra Jesus lavando os pés de seus apóstolos. No final, ocorre o translado. A Eucaristia deixa o Sacrário e é colocada em algum outro lugar dentro do templo devidamente preparado, para ser adorado. Após o translado do Santíssimo Sacramento, o altar é desnudado. Como o tríduo compõe uma unidade, no final dessa missa não se dá a bênção final.

A Sexta-Feira Santa é especial. Em lugar nenhum do mundo se celebra missa. Acontece às 15h uma celebração da Paixão do Senhor. Estamos ‘velando’ o Rei do Universo. Revivemos os sofrimentos e a morte de Cristo por amor a cada um de nós. Adoraremos o Cristo Crucificado e adentraremos nos seus sofrimentos com a penitência e o jejum.

O Sábado santo é o dia em que a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando sua ressurreição que culminará na Vigília Pascal. Nessa celebração, comemoramos a Ressurreição, o ponto máximo! Jesus ressuscita e reacende em nós a esperança.

A Páscoa de Nosso Senhor representa o grande amor de um Deus que se rebaixa a nossa humanidade para nos elevar a sua divindade. Um amor infinito pelas criaturas. Todos somos convocados a participarmos de capa passo de Jesus. Desde a sua caminhada ao calvário até o sepulcro vazio. Preparemos os nossos corações pela oração, pelo jejum e pela caridade.

 O RESSUSCITADO VIVE ENTRE NÓS! AMÉM! ALELUIA!


sexta-feira, 4 de abril de 2025

5º Domingo da Quaresma

 


Neste 5º domingo da Quaresma somos convidados mais uma vez a ver que temos um Deus que nos ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.

A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu povo para a liberdade. Esse ‘caminho’ é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova. A leitura nos instiga a observarmos os fatos do passado onde Deus caminhou ao lado de seu povo com respeito e reverência. Porém, não devemos ficar presos a eles, pois Deus sempre nos surpreende. Ao dizer que fará brotar água no deserto, nos mostra que a ressurreição é para uma nova vida, plena e nova.

São Paulo, ao dirigir-se aos Filipenses, na segunda leitura, demonstra estar em consonância com a busca pela ressurreição em Cristo. Após ter sido ‘alcançado’ por Jesus, agora dedica sua vida e ministério para alcançar a meta que é a vida eterna. Corre rumo ao prêmio, sabendo que para conquistá-lo é preciso ser semelhante a Cristo em sua morte.

A passagem apresentada no Evangelho nos é conhecida. Os Mestres da Lei e os fariseus trazem a Jesus uma mulher pega em flagrante adultério para pô-lo a prova, dizendo que pela justiça, ou seja, pela Lei de Moisés, ela deve ser apedrejada. Jesus, que passara um longo tempo no Monte das Oliveiras em oração, diante da insistência da multidão por um veredito, começa a escrever com o dedo no chão. O dedo no chão representa a misericórdia que traz à mulher já condenada pela justiça dos homens uma nova vida. Ora, se nem Jesus que é Deus, o único capaz de fazer justiça, condenou a mulher, quem somos nós para pedirmos justiça para nossos irmãos e misericórdia para nós? Interessante notar que foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Ou seja, aqueles que tiveram mais tempo para concluir que Deus é antes de tudo misericórdia e que devemos imitá-lo também nesse ponto.

No domingo passado, o Evangelho do Filho Pródigo mostrou-nos um filho mais velho pedindo justiça, enquanto o pai acolhe o filho mais novo com misericórdia. Nesse domingo, Vemos uma multidão baseada nas escrituras pedindo justiça, e Jesus reescrevendo com seu dedo na areia que Ele é misericórdia.

 

1ª LEITURA: Is 43,16-21

2ª LEITURA: Fl 3,8-14

EVANGELHO: Jo 8,1-11

SALMO

“Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!”

sexta-feira, 28 de março de 2025

4º Domingo da Quaresma

 


A liturgia do 4º domingo da quaresma convida-nos à uma redescoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida em comunhão com ele.

A primeira leitura, a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.

Na segunda leitura, São Paulo escreve aos coríntios convidando-os a acolher a oferta de amor que Deus faz aos homens através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em que se manifesta o homem novo.

O Evangelho é o da passagem do filho pródigo, que apresenta-nos o Deus/Pai que ama seus filhos de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia, e não na linha da justiça dos homens.

A palavra ‘pródigo’ significa aquele que dissipa seus bens, que gasta mais do que o necessário. É sinónimo de gastador, esbanjador, perdulário. De tanto ouvirmos a parábola do Filho Pródigo, tendemos a considerar o termo como sinônimo de arrependido. Aliás, talvez seria um título com muito mais sentido para a passagem: “O Filho Arrependido”.

Estamos diante de uma representação da misericórdia de um Pai que aguarda confiante o retorno do filho que prefere os prazeres do mundo à segurança da casa do Pai. O ser humano que, no auge de sua aparente autossuficiência quer ir embora e fazer sua vida só. Claro que quer também aquilo que ‘tem direito’, mas esquece que o maior de todos os bens é o amor da casa paterna.

O filho mais velho representa muitos irmãos que não se alegram com a volta dos irmãos ao seio da comunidade e têm ciúmes não do Pai em si, mas dos bens que talvez sejam novamente repartidos. São aqueles católicos que vivem uma fé aparente, baseada num tradicionalismo cego focado numa justiça por eles proposta e sem misericórdia.

Nosso Deus é um Pai misericordioso, que não interfere na liberdade humana e sempre espera cada filho de portas abertas. É um Pai pronto a dar do melhor de sua casa para a felicidade da família. Alegra-se com a volta de cada um fazendo festa e chamando a sua original dignidade. Agradeçamos a esse Pai maravilhoso todo o amor que ele nos dispensa e que muitas vezes esbanjamos.

 

1ª LEITURA: Jos 5,9a.10-12

2ª LEITURA: 2Cor 5,17-21

EVANGELHO: Lc 15,1-3.11-32

SALMO

“Provai e vede quão suave é o Senhor!”

quarta-feira, 26 de março de 2025

Retiro Quaresmal Paroquial

 


O Retiro Quaresmal Paroquial é uma oportunidade que teremos para juntos, como comunidade, aprofundarmos a liturgia do Sábado Santo, cujo ritual traz uma rica simbologia rememorando toda a caminhada do Deus Javé ao lado do seu povo escolhido até a culminância dos tempos, quando envia seu Filho Único, Jesus Cristo. Este aceita livremente a morte de cruz, mas ressuscita derrotando a morte e trazendo a humanidade nova vida, deixando sua Igreja como continuadora da missão: “Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho” (Mc 16,15).

As pregações serão baseadas, como dito, na liturgia do Sábado Santo e serão as seguintes:

 

1ª PREGAÇÃO

TEMA: Deus criador e provedor de todas as coisas

PREGADOR: Pe. Marcos Leandro de Oliveira

TEXTOS:

·     1ª LEITURA: Gn 1,1-2,2

·     SALMO: Sl 103

·     2ª LEITURA: Gn 22,1-18

·     SALMO: Sl 15

HORÁRIO: 9:00 às 10:15

 

2ª PREGAÇÃO

TEMA: Deus caminha com seu povo

PREGADOR: Ezequiel Althaus

TEXTOS:

·     3ª LEITURA: Êx 14,15-15,1

·     SALMO: Êx 15,1-6.17-18

·     4ª LEITURA: Is 54,5-14

·     SALMO: Sl 29

HORÁRIO: 10:30 às 11:45

 

3ª PREGAÇÃO

TEMA: Deus e o projeto de Salvação

PREGADOR: Felipe Link

TEXTOS:

·     5ª LEITURA: Is 55,1-11

·     SALMO: Is 12,2-6

·     6ª LEITURA: Br 3,9-15.32-4,4

·     SALMO: Sl 18

HORÁRO: 13:30 às 14:45

 

4ª PREGAÇÃO

TEMA: A ressurreição de Jesus deu-nos um novo coração

PREGADOR: Pe. Carlos Vicente

TEXTOS:

·     7ª LEITURA: Ez 36,16-17a.18-28

·     SALMO: Sl 41

·     8ª LEITURA: Rm 6,3-11

HORÁRIO: 15:00 às 16:45

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...