sexta-feira, 2 de maio de 2025

3º Domingo Pascal

 


A liturgia do 3º domingo do Tempo Pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em sua missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens. A questão principal gira em torno do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro: “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo. A oposição humana põe em relevo a realidade sobre humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao ‘caminho’ de Jesus, do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.”

A segunda leitura, apresenta Jesus, o “Cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira manifestar diante do “Cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor. O símbolo do “Cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “Servo de Yahweh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro; a do “Cordeiro Pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão; e a do “Cordeiro Apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real. O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.

E o Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa quer a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixaram guiar pela sua Palavra. O texto está claramente dividido em duas partes. Pedro toma a iniciativa de ir pescar. Os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva. A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus. O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso (‘sem mim, nada podeis fazer’ – Jo 15,5).

A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Os discípulos estão desorientados e decepcionados pelo fracasso da pesca. Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes.

Na segunda parte do texto, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes). A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá seguir Jesus.

Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, a comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

 

PRIMEIRA LEITURA: At 5,27b-32.40b-41

SEGUNDA LEITURA: Ap 5,11-14

EVANGELHO: Jo 21,1-19

SALMO

“Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes”.

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