O 4º Domingo
da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois, todos os anos, a
liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual
Jesus é apresentado como o Bom Pastor. Esse é, portanto, o tema central que a
Palavra de Deus hoje nos propõe.
A primeira leitura, por sua vez, apresenta-nos duas atitudes
diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos traz. De um lado, estão
as ‘ovelhas’ cheias de autossuficiência, satisfeitas e comodamente instaladas
em suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz
do Pastor, dispostas a arriscar segui-Lo até as pastagens da vida abundante. É
esta última atitude que nos é proposta. Muitos se convertiam a Cristo pelo
testemunho e pela pregação de Paulo e Barnabé, que insistiam para que eles
continuassem fiéis à graça recebida. Porém, muitos judeus invejavam os dois
missionários que espalhavam a Palavra do Senhor por onde passavam, chegando até
a instigar pessoas influentes contra Paulo e Barnabé. Estes, corajosamente,
seguem em frente, dizendo que cumpriram a missão em relação aos judeus e que
agora iriam evangelizar os pagãos.
A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu
Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim. O Apocalipse diz que
João viu uma imensa multidão de gente de todas as nações. Aqui podemos ver que
essa multidão, advinda da grande tribulação, percorreu os caminhos da história.
Por isso, está relacionada a todos os tempos e lugares. Lavaram e alvejaram
suas roupas no sangue do Cordeiro, pois deram a vida pela verdade do Evangelho.
É o próprio Deus que as recebe em Sua glória, enxugando suas lágrimas e
servindo-lhes à mesa.
E o Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é
trazer a vida plena às ovelhas do Seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são
convidadas a escutar o Pastor, a acolher a Sua proposta e a segui-Lo. É dessa
forma que encontrarão a vida em plenitude. O Bom Pastor, por sua vez, reconhece
cada ovelha e cuida de cada uma em particular.
É interessante notar que, em toda a liturgia desse domingo, a
conquista da vida eterna está condicionada ao seguimento confiante do Bom
Pastor. Paulo e Barnabé não se deixaram abater diante da inveja dos judeus, que
não se conformavam com a conversão de seus compatriotas a Cristo. Continuavam
anunciando aos povos sem medo, pois a Palavra de Deus precisava chegar aos
confins de toda a terra. Todos teremos tribulações. O fato de pertencermos ao
rebanho de Jesus não tira de nós, enquanto peregrinos na terra, os sofrimentos.
Jesus promete felicidade, não facilidade.
Não tenhamos medo. Confiemos no Bom Pastor. Ele sabe onde estão as
melhores pastagens. Ouçamos a voz de Jesus pregada pelos apóstolos e seus
sucessores. Deixemo-nos conduzir por Aquele que é capaz de nos dar a vida
eterna.
1ª Leitura: At
13,14.43-52
2ª Leitura: Ap
7,9.14b-17
Evangelho: Jo 10,27-30
Salmo:
“Sabei que o Senhor, só ele, é
Deus, nós somos seu povo e seu rebanho.

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