A liturgia do 4º domingo da quaresma convida-nos à uma
redescoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida em comunhão
com ele.
A primeira leitura, a propósito da circuncisão dos israelitas,
convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da
liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos
ama e que nos convoca para a felicidade.
Na segunda leitura, São Paulo escreve aos coríntios
convidando-os a acolher a oferta de amor que Deus faz aos homens através de
Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas,
em que se manifesta o homem novo.
O Evangelho é o da passagem do filho pródigo, que
apresenta-nos o Deus/Pai que ama seus filhos de forma gratuita, com um amor
fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho
rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e
abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia,
e não na linha da justiça dos homens.
A palavra ‘pródigo’ significa aquele que dissipa seus
bens, que gasta mais do que o necessário. É sinónimo de gastador, esbanjador,
perdulário. De tanto ouvirmos a parábola do Filho Pródigo, tendemos a considerar
o termo como sinônimo de arrependido. Aliás, talvez seria um título com muito
mais sentido para a passagem: “O Filho Arrependido”.
Estamos diante de uma representação da misericórdia de
um Pai que aguarda confiante o retorno do filho que prefere os prazeres do
mundo à segurança da casa do Pai. O ser humano que, no auge de sua aparente
autossuficiência quer ir embora e fazer sua vida só. Claro que quer também
aquilo que ‘tem direito’, mas esquece que o maior de todos os bens é o amor da
casa paterna.
O filho mais velho representa muitos irmãos que não se
alegram com a volta dos irmãos ao seio da comunidade e têm ciúmes não do Pai em
si, mas dos bens que talvez sejam novamente repartidos. São aqueles católicos
que vivem uma fé aparente, baseada num tradicionalismo cego focado numa justiça
por eles proposta e sem misericórdia.
Nosso Deus é um Pai misericordioso, que não interfere
na liberdade humana e sempre espera cada filho de portas abertas. É um Pai
pronto a dar do melhor de sua casa para a felicidade da família. Alegra-se com
a volta de cada um fazendo festa e chamando a sua original dignidade.
Agradeçamos a esse Pai maravilhoso todo o amor que ele nos dispensa e que muitas
vezes esbanjamos.
1ª LEITURA: Jos 5,9a.10-12
2ª LEITURA: 2Cor 5,17-21
EVANGELHO: Lc 15,1-3.11-32
SALMO
“Provai e vede quão suave é o Senhor!”

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