sábado, 31 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Santa Beatriz da Silva

 


Beatriz da Silva, fundadora das Monjas Concepcionistas, é uma das glórias da nobre estirpe celebrada nos Lusíadas, por Luís de Camões.

Nasceu Beatriz em Ceuta, praça forte portuguesa, ao norte da África, onde seu pai era comandante, em 1424, e faleceu em Toledo, na Espanha, aos 66 anos de idade. Ainda pequena, transferiu-se com a família para Campo maior, em Portugal, e, na flor dos seus vinte anos, Beatriz foi enviada à corte da Espanha como dama de honra de Dona Isabel, esposa do rei João II de Castela. Aí principiou seu calvário.

Sendo, como se afirma, de invulgar formosura, começou a ser cobiçada por alguns nobres da corte, suscitando inveja inclusive da própria rainha, o que constituiu um verdadeiro sofrimento para ela. Uma corte, naquele século, era ambiente de luxo e vaidade, de ciúme e frivolidades ao lado de intrigas e paixões.

A rainha, dominada por uma mistura de ciúme e de inveja, chegou a tramar contra a vida de Beatriz. Fechou-a num caixão por três dias, o suficiente para que morresse asfixiada. Mas uma visível proteção da Virgem salvou-a da morte certa. Em agradecimento, ofereceu a sua virgindade.

O que para outros poderia ter sido ocasião de ruína irreparável, foi para ela ocasião de, cada vez mais, se firmar no propósito de abandonar o mundo e de se consagrar completamente a Deus. Deixou, pois, a corte e se retirou para Toledo, indo se recolher no mosteiro de São Domingos, cujas religiosas viviam sob a Regra cisterciense. Passou ali não menos de 30 anos, dando às religiosas extraordinários exemplos de virtude. Foi modelar no desprendimento do século, na obediência, na pobreza, na assistência aos pobres, na oração e no recolhimento.

Mas Deus tinha-a predestinado para obre de maior alcance no seu reino. Sob a inspiração de Maria Imaculada, Beatriz acalentou a ideia de fundar uma Ordem de estrita clausura, na qual as religiosas, inteiramente segregadas do mundo, pudessem servir a Deus em vida contemplativa. Com a ajuda eficaz da rainha Isabel a Católica, que lhe deu o palácio da Galiana e com um pequeno grupo de religiosas, deixou o mosteiro de São Domingos e foi habitar numa nova sede que veio a ser o berço das monjas concepcionistas.

Três amores ardiam na alma de Beatriz: o amor a maria Imaculada, a Paixão de Jesus Cristo e a Santíssima Eucaristia. Estes três amores foram a herança espiritual que caracterizou a nova Ordem.

As monjas concepcionistas tiveram sua aprovação canônica em 1489. No entanto, a fundadora não teve a sorte de assistir à primeira profissão religiosa de suas irmãs de hábito, pois Beatriz teve uma revelação que morreria entre dez dias, como de fato se deu, no dia 17 de agosto de 1490.

No momento de sua santa morte, seu rosto foi visto transfigurado por uma grande claridade e uma estrela resplandecente sobre sua cabeça até ela expirar.

Beatriz da Silva foi irmã de sangue do Bem-aventurado Amadeu da Silva que, após uma experiência de dez anos vividos como ermitão, abraçou, na Itália, a Ordem de São Francisco. Homem de muitas virtudes e letras, foi confessor do Papa Sisto IV.

Morreu em odor de santidade, sendo-lhe reconhecido o título de Bem-aventurado.

A Ordem fundada por Santa Beatriz da Silva espalhou-se por muitas nações na Europa e chegou ao Novo Mundo desde o ano 1540. Conta atualmente com 135 mosteiros e com mais de três mil irmãs. Chegou ao Brasil, em 1678, com a fundação do mosteiro de Nossa Senhora da Ajuda, no Rio de Janeiro, e pouco depois foi aberto o Mosteiro da Lapa em Salvador, Bahia, dentro de cujos muros viveu e foi assassinada a heroína da Independência do Brasil, Madre Joana Angélica de Jesus, em 1822.

Logo após a morte, Beatriz teve larga veneração. Contudo seu culto foi ratificado oficialmente pela Igreja só em 1929, com a beatificação, e em 1976, com a canonização. A família franciscana, que considera Beatriz uma santa ligada ao espírito de São Francisco, celebra sua festa no dia 1º de setembro.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

 

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

22º DTC - Onde está teu coração?

 

O tema da pureza e impureza, na Bíblia, tem a finalidade de continuamente alertar o povo para a diferença em relação aos outros povos. O objetivo é ajudar o povo, e cada um individualmente, a não se envolver com práticas religiosas de outros povos para evitar algum tipo de culto à idolatria. A liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum toca o centro de nossas vidas, denominado “coração” pela Bíblia e, na linguagem de nossos dias, “consciência”. É o local onde são formados os pensamentos, nascem os sentimentos, são tomadas as decisões. Processos que não surgem de um momento para o outro, qual fosse uma fatalidade, mas como resultado de onde bebemos nossa confiança. O senso comum a identifica como “voz interior” falando dentro de nós. Do ponto de vista religioso, esta voz é iluminada pelos “mandamentos” ou “preceitos” divinos. São orientações pela Palavra que, uma vez acolhida, iluminam ações e relacionamentos. Tudo nesse domingo é iluminado pelos mandamentos: Jesus ensina a levar a sério os mandamentos de Deus, o autor do Deuteronômio insiste com o povo, para que observe os mandamentos, pois quem observa os mandamentos habita na casa de Deus. Tiago, por fim, incentiva acolher a Palavra com docilidade, pois ela ensina como viver em Deus, ou seja, oferece a possibilidade de viver autenticamente a religião. Falar de autenticidade religiosa pela prática dos mandamentos tem a ver com puro e impuro.

Na primeira leitura, o Senhor, através de Moisés coloca a prática dos mandamentos como condição para se entrar na terra prometida. Segui-los e executá-los é sinônimo de sabedoria perante as outras nações.

A carta de São Tiago nos mostra que a Palavra, a Lei foi implantada em nossos corações. É um dom precioso e dádiva perfeita. Ser praticante, e não mero ouvinte, é ser coerente com ela.

E no Evangelho vemos Jesus mostrando que a Lei deve ser seguida não por tradição, mas por convicção. Quando a Lei de Deus se torna costume banal, corre-se o risco de tornar-se escravo. Do que adianta louvar a Deus com os lábios, fazer tudo o que é prescrito porque ‘sempre foi assim’? Do que adianta frequentar uma igreja se pratica-se os seus mandamentos apenas por formalidade? Jesus dá ainda um ‘tapa de luva’ nos fariseus ao dizer que o que torna o homem impuro não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Logo, convive dentro de nós força e fraqueza, pureza e impureza, virtude e indecência. O que se sobrepõe? Aquilo que livremente alimentamos.

 

1ª Leitura: Dt 4,1-2.6-8

2ª Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27

Evangelho: Mc 7,1-8.14-15.21-23

Salmo

“Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo, habitará?”

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: São Cesário de Arles

 


Cesário de Arles nasceu em Charlon-sur-Saône, na França, pelo ano de 470.

Com vinte anos de idade deixou sua casa e, tocado por um ideal de perfeição, distribuiu seus bens aos pobres e ingressou no mosteiro de Lérins, colocando-se sob a direção do abade São Porcário. Distinguiu-se logo, por seus dotes de inteligência, pelo comportamento grave, unido à doçura e bom humor.

Eleito administrador do convento, foi em breve substituído por causa da grande frugalidade que exigia dos monges, dando por primeiro o exemplo de austeridade. Ele própria iria mudar mais tarde estes excessos de penitência que lhe estragavam a saúde. De fato, teve que se deslocar para tratamento à vizinha cidade de Arles, onde aperfeiçoou seus estudos clássicos e dedicou-se à literatura dos grandes Padres das Igreja.

O bispo de Arles, Eônio, conhecendo-lhe as grandes qualidades de zelo e de ciência, ordenou-o sacerdote e con0fiou-lhe importantes ofícios da diocese e, enfim, apontou-o como seu sucessor na sede primacial de Arles, no sul da França. Cesário contava então trinta e três anos e seu episcopado foi longo e benéfico. Foi um bispo exemplaríssimo. Sua vida e sua atividade tiveram um papel primordial na história eclesiástica da França no seu século.

Seus biógrafos o saúdam como o orador mais popular do Ocidente Latino e preceptor da Igreja francesa. Seus sermões e homilias eram vazados num estilo límpido e convincente, propondo uma doutrina sólida com aplicações morais adequadas à realidade. Muitos de seus sermões e homilias eram recolhidos por estenógrafos e enviados a bispos e monges, como modelos de pregação pastoral.

Através destas pregações pode ser reconstruído o quadro da vida cristã durante o século VI, com estas características: o batismo era administrado de preferência às crianças sob a responsabilidade de padrinhos que, junto com os pais, deviam responsabilizar-se pela educação cristã das mesmas. A disciplina penitencial, um tanto rígida naquele tempo, foi por ele suavizada, a fim de encorajar os pecadores à conversão, obtendo o perdão dos pecados após o batismo. Incrementou a comunhão frequente, mas com o devido cuidado, a fim de que fosse recebida dignamente. Temos dessa época o mais antigo testemunho sobre o sacramento dos enfermos, a ser administrado aos doentes graves.

Cesário expõe uma doutrina clara sobre a existência do purgatório; relembra o caráter obrigatório de contribuir com o dízimo por parte dos fiéis em favor do culto e da piedade cristã. Ele frisa três aspectos fundamentais na moral cristã: o cultivo da justiça, a prática da misericórdia e o cuidado pela castidade.

Cesário, além de pastor zeloso, é considerado também uma glória do monaquismo, pois, mesmo elevado à Cátedra Episcopal de Arles, foi um protetor dos monges a respeito dos quais escreveu vários sermões, inclusive duas Regras monásticas, uma para os homens e outra para as virgens, entre as quais vivia sua santa irmã Cesária. O tempo dos monges e das virgens devia ser bem distribuído entre oração, meditação da Palavra de Deus e o trabalho manual, recomendando, inclusive, a transcrição da Bíblia e dos códigos da literatura cristã. Atividade esta que fazia dos monges preciosos instrumentos e veículos de cultura.

Além das duas preciosas Regras de vida monástica, conservam-se 150 sermões e homilias, dos que ele pronunciou, assim como escritos sobre a graça e a liberdade humana, inspirando-se na doutrina de Santo Agostinho. Como bispo, Cesário foi uma das personalidades mais destacados do episcopado do seu tempo, com filial relacionamento com o bispo de Roma, em nome do qual promoveu cinco sínodos de bispos do sul da França, a fim de decidir a estruturação da vida cristã e consolidar a doutrina ortodoxa. Contudo, sua vida transcorria em harmonia perfeita com suas atividades pastorais, tornando-se forma e modelo de sua grei.

Cesário faleceu aos 27 de agosto de 543, pranteado e venerado como santo pelo seu povo. Tinha setenta e três anos.

   

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Martírio de São João Batista

 


Deste grande profeta posto entre o Antigo e o Novo Testamento é conhecida a festa no dia 24 de junho: aquele é o dia do nascimento, celebrado com grande solenidade, pois é a aurora da vinda de Cristo; hoje é o dia de sua morte por degolação.

João Batista é o protótipo do profeta, o homem possuído totalmente pela missão de pregar a Palavra, de anunciar aos homens a vontade divina. Nada pode demovê-lo desta missão, nada intimidá-lo. O próprio Cristo apresentou sua figura como o símbolo vivo da face ascética da religião.

Certo dia, haviam chegado mensageiros de João Batista propondo a Jesus uma dúvida sobre o Messias. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Mas que foste ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, é mais do que um profeta… Na verdade vos digo, dentre os nascidos de mulher nenhum foi maior que João Batista” (Mt 11,7-11).

A missão de João Batista foi a de precursor do Messias; ele deu testemunho de Cristo pelas altas virtudes, pelas rigorosas penitências, pela palavra vigorosa em denunciar os vícios, as injustiças, animando a sociedade judaica a converter-se a Deus na sinceridade do coração.

À testa do governo da Galileia estava Herodes, filho daquele Herodes, chamado o Grande, criminoso e déspota, que viveu ao tempo do nascimento de Cristo. Herodes vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Filipe. Essa união ilícita era motivo de grave escândalo no meio judaico. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca. João Batista não podia, como profeta, ficar omisso e declarou publicamente e com toda franqueza: “Não te é lícito viver com a mulher de teu irmão”. Herodíades, a mulher escandalosa, não aturou esta censura e prometeu vingança. Conseguiu que Herodes mandasse encarcerar João Batista, apesar de o monarca dedicar, talvez por superstição, grande veneração ao profeta João Batista.

A morte de João esteve à altura de sua alta missão. O evangelista São Marcos nos descreve este martírio: “Chegou o dia propício. Herodes, por ocasião de seu aniversário, ofereceu um banquete a seus magnatas e às grandes personalidades da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e aos convivas. Então, o rei disse à moça: ‘Pede-me o que bem quiseres e te darei, mesmo que seja a metade do meu reino’. Ela saiu e perguntou à mãe: ‘O que é que eu peço?’ Ela respondeu: ‘A cabeça de João Batista’. Voltando logo à presença do rei fez o pedido: ‘Quero que agora mesmo me dê num prato a cabeça de João Batista’. O rei ficou profundamente triste. Mas, por causa do juramento que fizera e dos convivas, não quis deixar de atender-lhe. E, imediatamente, o rei mandou um executor, com ordens de trazer a cabeça de João. Ele foi e decapitou João na prisão e trouxe a sua cabeça num prato e deu-a à menina e esta a entregou à sua mãe. Os discípulos de João souberam disso, foram lá, pegaram o corpo e o colocaram num túmulo” (Mc 6,21-26).

Jesus chamou João Batista lâmpada ardente e luminosa: assim foi ele na vida e muito mais no testemunho glorioso de seu sangue.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Santo Agostinho

 


Ontem a mãe Mônica, hoje o filho Agostinho: sois santos! Não existiria o segundo, se sua mãe não tivesse sido santa, gerando o filho à fé pelas orações e pelas lágrimas!

Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, hoje região da Argélia, norte da África, em 334, filho de Mônica e Patrícia: ela, santa esposa e mãe, ele pagão rude e violento. Agostinho teve uma mocidade irrequieta, agitada pelas paixões e desvios doutrinais. Inteligência eleita, aguda, penetrante, depois dos desmandos da juventude, procurou a verdade e a redenção do seu espírito irrequieto, através das filosofias, mas debalde. Formou-se brilhantemente em retórica e, ainda jovem, escrevia ensaios de poesia e filosofia…

Procurando maior glória, deixou Cartago, cidade de seus estudos, e foi para a capital do Império Romano, abrindo uma escola de retórica, mas ficou por pouco tempo, porque teve a nomeação oficial de professor de retórica e gramática em Milão. Aí, atraído pela fama do grande bispo Ambrósio, poeta e orador, começou a assistir aos sermões do santo bispo. Do apreço à forma literária da pregação, Agostinho passa ao apreço pelo conteúdo. Converte-se, recebe a instrução e é batizado por Santo Ambrósio, na Páscoa de 387. Tinha trinta e três anos e chegara ao término de um longo e laborioso processo de conversão, para o qual, além de sua sede de verdade, tiveram um papel importante as preces e as lágrimas de sua santa mãe.

O próprio Agostinho descreve o toque final da graça de Deus que o levou à conversão: “Enquanto, chorando debaixo de uma figueira, debatia-me entre sentimentos e forças opostas… de súbito, ouço uma voz que cantava e repetia muitas vezes: “Toma e lê, toma e lê…” Agarrei o livro (carta aos Romanos) e li para mim aquele capítulo que primeiro se apresentou aos meus olhos e eram estas as palavras: “Caminhemos como de dia; nada de desonestidades, nem dissoluções; nada de contendas nem de ciúmes; ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não procureis satisfazer os desejos da carne’ (Rm 13,13s). Não quis ler mais nem era necessário; pois penetrou-me no coração uma espécie de luz serena e todas as trevas de minhas dúvidas fugiram” (Confissões, Cap. X).

Com ele foi batizado também o filho Adeodato; jovem inteligentíssimo, que faleceu aos 15 anos de idade, com grande dor de Agostinho. Decidiu então voltar para sua pátria, a África, com sua mãe Mônica, que faleceu na viagem perto de Roma. Na África, com alguns amigos, iniciou uma vida comunitária, entregue à meditação, ao estudo da Bíblia, à oração e obras de caridade.

Mas, no dizer do Evangelho, a luz não pode ficar oculta. Agostinho foi procurado pelo bispo de Hipona, a fim de que o ajudasse na pregação, pois o bispo era velho e doente. Foi ordenado sacerdote e, pouco depois, com a morte do bispo, Agostinho foi aclamado pelo povo como sucessor.

Agostinho, como pastor da diocese por 34 anos, revelou-se um bispo zeloso, vigilante, iluminado, pai dos pobres, mestre insuperável de espiritualidade, escritor fecundíssimo em todos os assuntos teológicos, defensor infatigável da ortodoxia.

Sua ação e influência pastoral não se limitou à pequena cidade portuária de que era bispo, mas rompeu as fronteiras, tornando-se uma espécie de oráculo de sabedoria teológica que a civilização antiga presenteou ao cristianismo. Ele foi definido o mais profundo pensador entre os escritores do mundo antigo, e, talvez, o gênio metafísico mais portentoso que viram os tempos. Sua linguagem apaixonada e cálida, expressiva e pessoal, seduz, convence, comove. Seu pensamento iluminou quase todos os pensadores dos séculos posteriores. Entre suas obras imortais, emerge sua autobiografia Confissões e A Cidade de Deus, que é uma filosofia da história vista à luz da mensagem cristã.

Santo agostinho morreu aos 28 de agosto de 430 com 76 anos de idade, amargurado ao ver os bárbaros sitiarem sua cidade episcopal.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Santa Mônica

 


Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, foi ao longo dos séculos o tipo da mãe cristã; a mãe forte, que por sua resistência, suas lágrimas e orações conseguiu a conversão de um dos maiores pensadores e santos da Igreja e da humanidade. O próprio Santo Agostinho diz de sua mãe: “que pela carne, concebeu seu filho para a vida temporal mas, pela fé e o coração, o fez nascer para a vida eterna”.

Santa Mônica nasceu em Tagaste, norte da África, por volta de 332, de família cristã.

Tendo chegado à idade própria para o casamento, foi dada pelos pais por esposa a um cidadão de Tagaste de nome Patrício, jovem pagão, rude. O caráter indômito do marido foi para Mônica fonte de sofrimentos e provações mais duras. Mônica sofreu tudo com a maior paciência e mansidão, encontrando consolação nas orações que, fervorosas, elevava ao céu pela conversão do esposo. Deus recompensou esta dedicação e estas orações, podendo ela ver a conversão sincera do marido, que recebeu o batismo.

Do seu matrimônio, Mônica teve dois filhos, Agostinho e Navígio, e uma filha, Perpétua, que se tornou religiosa. O filho mais velho, Agostinho, foi sua grande preocupação, fonte de amarguras, motivo de lágrimas amargas.

Embora não lhe deixasse faltar bons conselhos e o educasse nos princípios da religião cristã, a vivacidade, a inconstância, o espírito de insubordinação de Agostinho induziram a mãe Mônica a protelar-lhe o batismo, com receio que ficasse uma graça profanada. De fato, Agostinho, morto o pai, aos dezessete anos, afastou-se de casa por motivos de estudos, tomando o caminho dos vícios. O coração de Mônica sofreu terrivelmente com as notícias dos desmandos do filho: redobrou suas orações, e certo dia, pedindo conselho e consolação junto a um bispo, este a animou dizendo: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Agostinho tornou-se um brilhante professor de retórica em Cartago. Mas, espírito irrequieto, se afiliou à seita herética dos maniqueus. Procurando fugir das instâncias da mãe aflita, às escondidas, toma o navio rumando para Roma, e de Roma para Milão, onde consegue o honroso cargo de professor oficial de retórica.

Mônica em seu afeto de mãe, e mãe cristã, que deseja a todo custo recuperar o filho, viaja da África para a Itália à procura do filho, encontrando-o em Milão, onde, aos poucos, termina seu sofrimento. De fato, em Milão, Agostinho, inicialmente por curiosidade retórica, depois por interesse espiritual, tinha-se tornado frequentador dos magníficos sermões de santo Ambrósio. Aí se deu sua conversão: recebeu o batismo com seu filho Adeodato e o amigo inseparável, Alípio. Mônica colhia os frutos de suas orações e de suas lágrimas.

Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, a África, mas chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e veio a falecer. Agostinho imortalizou estes últimos momentos, escrevendo: “Próximo já do dia em que ela ia sair desta vida, sucedeu que nos encontrássemos sozinhos ela e eu, apoiados a uma janela, cuja vista dava para o jardim interior da casa. Era em Óstia, onde apartados da multidão, após o cansaço de uma longa viagem, retemperávamos as forças para embarcarmos. Falávamos a sós, muito docemente excedendo o passado e ocupando-nos do futuro, qual seria a vida eterna dos santos, que nunca os olhos viram, nunca o ouvido ouvi, nem o coração do homem imaginou. Nossos corações abriam-se ansiosos para a corrente celeste da fonte da vida divina”. Naquele momento, Mônica entregou sua bela alma a Deus. Corri o ano 387. Ela contava 56 anos de idade.

Seu corpo atualmente se conserva na Igreja de Santo Agostinho em Roma, cuja festa ocorre amanhã.

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

21º DTC - Vós também vos quereis ir embora?

 


A liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta buscando valores efêmeros e passageiros, ou a apostando nos valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha.

Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre ‘servir o Senhor’ e servir outros deuses. O povo escolhe claramente ‘servir o Senhor’, pois viu, na história recente da libertação do Egito e da caminhada pelo deserto, como só Jahweh pode proporcionar ao seu povo a vida, a liberdade, o bem-estar e a paz.

São Paulo, na segunda leitura, diz aos irmãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também no nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Assim como a mulher deve ser submissa, por amor, ao seu marido, a Igreja tem de ser submissa a Cristo. Ora, se marido e mulher são uma só carne desde o matrimônio, a Igreja e Jesus também formam essa unidade, onde a cabeça cuida dos membros com zelo e carinho, pois visa a edificação do corpo.

E o Evangelho coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à ação de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos cristãos de todos os tempos.

Por que muitos discípulos voltaram (e voltam) atrás em sua opção por Jesus? Por que muitos que abraçaram a fé, foram batizados, comungaram da Eucaristia, em algum momento afastam-se do caminho? A resposta é simples: vaidade. O Evangelho de Cristo provoca e compromete. É um apelo a uma mudança radical de vida onde livremente optamos, como Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. A pergunta que Jesus faz aos apóstolos também é repetida a cada um de nós hoje: “E vós, também vos quereis ir embora?”. É fácil de ser discípulos diante das belas parábolas ou dos milagres. É difícil manter-se fiel mediante a uma mudança permeada pela cruz. Quando escolhemos o verdadeiro Evangelho, deixamos o Espírito de Deus nos purificar com o ‘banho da água unida à palavra’. Somos submissos ao verdadeiro marido da Igreja e como membros desse corpo, somos alimentados pelo pão da Eucaristia.

1ª Leitura: Js 24,1-2a.15-17,18b

2ª Leitura: Ef 5,21-32

Evangelho: Jo 6,60-69

Salmo

"Provai e vede quão suave é o Senhor!"

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...