segunda-feira, 26 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Santa Mônica

 


Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, foi ao longo dos séculos o tipo da mãe cristã; a mãe forte, que por sua resistência, suas lágrimas e orações conseguiu a conversão de um dos maiores pensadores e santos da Igreja e da humanidade. O próprio Santo Agostinho diz de sua mãe: “que pela carne, concebeu seu filho para a vida temporal mas, pela fé e o coração, o fez nascer para a vida eterna”.

Santa Mônica nasceu em Tagaste, norte da África, por volta de 332, de família cristã.

Tendo chegado à idade própria para o casamento, foi dada pelos pais por esposa a um cidadão de Tagaste de nome Patrício, jovem pagão, rude. O caráter indômito do marido foi para Mônica fonte de sofrimentos e provações mais duras. Mônica sofreu tudo com a maior paciência e mansidão, encontrando consolação nas orações que, fervorosas, elevava ao céu pela conversão do esposo. Deus recompensou esta dedicação e estas orações, podendo ela ver a conversão sincera do marido, que recebeu o batismo.

Do seu matrimônio, Mônica teve dois filhos, Agostinho e Navígio, e uma filha, Perpétua, que se tornou religiosa. O filho mais velho, Agostinho, foi sua grande preocupação, fonte de amarguras, motivo de lágrimas amargas.

Embora não lhe deixasse faltar bons conselhos e o educasse nos princípios da religião cristã, a vivacidade, a inconstância, o espírito de insubordinação de Agostinho induziram a mãe Mônica a protelar-lhe o batismo, com receio que ficasse uma graça profanada. De fato, Agostinho, morto o pai, aos dezessete anos, afastou-se de casa por motivos de estudos, tomando o caminho dos vícios. O coração de Mônica sofreu terrivelmente com as notícias dos desmandos do filho: redobrou suas orações, e certo dia, pedindo conselho e consolação junto a um bispo, este a animou dizendo: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Agostinho tornou-se um brilhante professor de retórica em Cartago. Mas, espírito irrequieto, se afiliou à seita herética dos maniqueus. Procurando fugir das instâncias da mãe aflita, às escondidas, toma o navio rumando para Roma, e de Roma para Milão, onde consegue o honroso cargo de professor oficial de retórica.

Mônica em seu afeto de mãe, e mãe cristã, que deseja a todo custo recuperar o filho, viaja da África para a Itália à procura do filho, encontrando-o em Milão, onde, aos poucos, termina seu sofrimento. De fato, em Milão, Agostinho, inicialmente por curiosidade retórica, depois por interesse espiritual, tinha-se tornado frequentador dos magníficos sermões de santo Ambrósio. Aí se deu sua conversão: recebeu o batismo com seu filho Adeodato e o amigo inseparável, Alípio. Mônica colhia os frutos de suas orações e de suas lágrimas.

Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, a África, mas chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e veio a falecer. Agostinho imortalizou estes últimos momentos, escrevendo: “Próximo já do dia em que ela ia sair desta vida, sucedeu que nos encontrássemos sozinhos ela e eu, apoiados a uma janela, cuja vista dava para o jardim interior da casa. Era em Óstia, onde apartados da multidão, após o cansaço de uma longa viagem, retemperávamos as forças para embarcarmos. Falávamos a sós, muito docemente excedendo o passado e ocupando-nos do futuro, qual seria a vida eterna dos santos, que nunca os olhos viram, nunca o ouvido ouvi, nem o coração do homem imaginou. Nossos corações abriam-se ansiosos para a corrente celeste da fonte da vida divina”. Naquele momento, Mônica entregou sua bela alma a Deus. Corri o ano 387. Ela contava 56 anos de idade.

Seu corpo atualmente se conserva na Igreja de Santo Agostinho em Roma, cuja festa ocorre amanhã.

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

21º DTC - Vós também vos quereis ir embora?

 


A liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta buscando valores efêmeros e passageiros, ou a apostando nos valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha.

Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre ‘servir o Senhor’ e servir outros deuses. O povo escolhe claramente ‘servir o Senhor’, pois viu, na história recente da libertação do Egito e da caminhada pelo deserto, como só Jahweh pode proporcionar ao seu povo a vida, a liberdade, o bem-estar e a paz.

São Paulo, na segunda leitura, diz aos irmãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também no nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Assim como a mulher deve ser submissa, por amor, ao seu marido, a Igreja tem de ser submissa a Cristo. Ora, se marido e mulher são uma só carne desde o matrimônio, a Igreja e Jesus também formam essa unidade, onde a cabeça cuida dos membros com zelo e carinho, pois visa a edificação do corpo.

E o Evangelho coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à ação de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos cristãos de todos os tempos.

Por que muitos discípulos voltaram (e voltam) atrás em sua opção por Jesus? Por que muitos que abraçaram a fé, foram batizados, comungaram da Eucaristia, em algum momento afastam-se do caminho? A resposta é simples: vaidade. O Evangelho de Cristo provoca e compromete. É um apelo a uma mudança radical de vida onde livremente optamos, como Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. A pergunta que Jesus faz aos apóstolos também é repetida a cada um de nós hoje: “E vós, também vos quereis ir embora?”. É fácil de ser discípulos diante das belas parábolas ou dos milagres. É difícil manter-se fiel mediante a uma mudança permeada pela cruz. Quando escolhemos o verdadeiro Evangelho, deixamos o Espírito de Deus nos purificar com o ‘banho da água unida à palavra’. Somos submissos ao verdadeiro marido da Igreja e como membros desse corpo, somos alimentados pelo pão da Eucaristia.

1ª Leitura: Js 24,1-2a.15-17,18b

2ª Leitura: Ef 5,21-32

Evangelho: Jo 6,60-69

Salmo

"Provai e vede quão suave é o Senhor!"

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

 


Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que solenemente declarou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

A primeira leitura, retirada do livro do Apocalipse traz visões expressas em linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão do sinal grandioso pode ser aplicada a Maria. A mulher também pode representar a Igreja, novo Israel, sugerido pelo número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.

A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. É o que despreendemos da segunda leitura, da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. O apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro, que tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

E o Evangelho de são Lucas nos traz o episódio de Maria visitando sua prima Isabel e cantando o Magnificat. Aprendemos assim a rezar por Maria, com Maria e como Maria. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!”. A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus. Rezar como Maria é fazer eco ao canto Magnificat. A nossa oração torna-se ação de graças pelas obras de Deus em nossas vidas. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

 

1ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab

2ª Leitura: 1Cor 15,20-27ª

Evangelho: Lc 1,39-56

Salmo:

“À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir”.


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

19º Domingo do Tempo Comum

 


Nesse 19º Domingo do Tempo Comum temos uma continuação da reflexão nos domingos anteriores onde constatamos que existe um pão que poderá alimentar nossos corações de angústia e outro pão que poderá nos alimentar com a paz. Um é o pão da reclamação, da murmuração que nos torna angustiados, outro o Pão da Vida, o pão que dá vida ao mundo.

Na primeira leitura encontramos o profeta Elias murmurando contra Deus e simplesmente ‘jogando a toalha’ diante da missão a ele confiada por Deus. Deita-se debaixo de um junípero esperando a morte. Um anjo traz pão assado e um jarro de água encorajando-o a levantar-se e comer. Elias, após a refeição volta a dormir. Novamente o anjo aparece, oferece-lhe o alimento e diz que o profeta ainda tem um longo caminho a percorrer. Elias toma o alimento que dá energia e força para continuar a caminhada.

A segunda leitura apresenta conselhos dados por são Paulo à comunidade de Éfeso. Tais indicações visam uma aproximação do cristão ao coração do Pai que é amor. Não é um amor interesseiro, que se beneficia de forma utilitarista dos irmãos, mas um amor capaz de esvaziar-se, de dar-se plenamente pela vida do outro. Por isso, nada que divida a comunidade pode ter a última palavra.

As leituras apresentam um quadro psicológico bem próximo da realidade social de nossos dias. Convivemos com pessoas desanimadas, incapazes de prosseguir o caminho, entregando os pontos e perdendo de vista o objetivo da própria vida, por não alimentarem seus corações com o pão vivo. As leituras acenam ainda para os infelizes, aqueles que vivem profundamente mergulhados na angústia e aqueles que vivem amargurados, irritados, enraivecidos, e tratam os outros com gritarias e injúrias. Reflexo evidente de uma vida marcada pelo sofrimento interior. Um quadro que, infelizmente, invade nossas famílias, escolas, locais de trabalho, alimentando corações com um ‘pão de infelicidade’.

Com tais características, facilmente avaliamos que convivemos com pessoas que perderam a paz interior e, por isso, são incapazes de conviver consigo mesmas e com os outros. São pessoas cansadas que, a exemplo de Elias, jogam-se por terra e desejam a morte, porque viver tornou-se um sofrimento. Este quadro é, perigosamente, alimentado com um pão que podemos denominar de ‘pão da reclamação’. Quanto mais nossos corações se alimentam de reclamações, mais a insatisfação toma conta da gente, menos paz interior e menos alegria para viver.

No Evangelho, quem aparece murmurando são os judeus que não conseguem ver em Jesus o verdadeiro Messias prometido. Jesus é o filho de José, nós o conhecemos. Como pode ter descido do céu? Jesus revela-se como o pão da vida, capaz de alimentar nossos corações com uma paz que conduz a uma vida plena e eterna. Não é um pão passageiro, sujeito ao tempo e as condições físicas. Sua carne é alimento que dá vida ao mundo.

Bem diferente é o resultado de quem se alimenta com o Pão da Vida, oferecido por Jesus, através de sua Palavra e, mais concretamente, pela doação de sua própria carne, de sua própria Vida; Vida capaz de alimentar um novo modo de viver no mundo. Diferentemente daquele pão que provoca angústia, o Pão da Vida promove a bondade, a compaixão, o perdão e, nos torna imitadores de Deus, incapazes de contristar o Espírito Santo que habita em nós. Acontece aquilo que Jesus evoca no Evangelho, quando lembra aos judeus que todos serão ‘discípulos de Deus’, todos viverão e se alimentarão com o Espírito Santo de Deus. Assim é o ‘Pão Vivo’, o ‘Pão da Vida’, o ‘Pão para a vida’. Um alimento que pacifica os corações e atrai homens e mulheres para que se alimentem deste pão que é dado por Deus e vivam deixando-se inspirar pelo Espírito Santo.

Existe, contudo, uma condição para se alimentar deste pão: crer; ter fé. No Evangelho, Jesus sublinha a iniciativa do Pai no processo da fé, quando diz: ‘ninguém pode vir a mim, se o Pai que o enviou não o atrai’. O mesmo verbo ‘atrair’ encontra-se em outra passagem do Evangelho de João, quando Jesus promete que, na Cruz, atrairá todos a Ele (Jo 12,32). A cruz é o local onde Jesus doa concretamente sua vida, num gesto extremo de amor e misericórdia. A pedagogia da fé, portanto, tem a iniciativa do Pai e alcança seu ápice na adesão a Cristo, alimentando-se da ‘carne de Cristo’, pois quem nele crer e se alimentar deste pão terá a vida eterna.


 Primeira Leitura: 1Rs 19,4-8

Segunda Leitura: Ef 4,30-5,2

Evangelho: Jo 6,41-51

 Salmo:

“Provai e vede quão suave é o Senhor!”

sábado, 3 de agosto de 2024

18º Domingo do Tempo Comum

 


Querida família, estamos vivendo o 18º domingo do tempo comum. Temos na liturgia uma bela continuação da reflexão sobre a eucaristia.

Na primeira leitura, do livro do Êxodo, vemos a comunidade dos filhos de Israel murmurando contra Moisés e Aarão, no deserto. O passado como escravo do Egito parecia melhor. A liberdade, através da luta, não parecia mais interessar. Manter-se fiel ao projeto original agora tornara-se um desafio. Às vezes, manter a fidelidade ao amor de Deus, para muitos também torna-se um dilema, pois exige esforço e comprometimento. Deus nos quer inteiros, e não apenas uma parte. Nem sempre nos dá aquilo que pedimos e começamos a murmurar. Interessante a atitude de Deus diante da murmuração: o pão caiu do céu, mas foi preciso buscá-lo. O mesmo acontece na eucaristia. Deus vem até nós num pedaço de pão. É preciso, porém, ir ao encontro d’Ele. Ou seja,  quer o nosso comprometimento.

E para mantermo-nos fiéis, a segunda leitura, retirada da carta de São Paulo aos Efésios nos dá um conselho: ‘Revesti o homem novo’. Deus quer criaturas novas e por isso é necessário renovar o espírito e a mentalidade. Quem tem de fato um encontro pessoal com Cristo na eucaristia não pode mais continuar a viver murmurando como o povo de Israel. Revestir-se significa posicionar-se diante da vida como alguém que não está só, como alguém que sabe-se amado pelo Pai. É um homem novo!

E no evangelho de São João, Jesus deixa claro que nossa busca interior deve ser sincero sinal de amor por Ele e não pelos milagres que ele faz. O povo estava impressionado com a multiplicação dos pães. Jesus através do milagre sacia a fome do corpo. Mas o que importa é a sede do espírito por eternidade. Esse é o alimento que permanece até a vida eterna. O extraordinário aponta para obra de Deus. Devemos acreditar não nos sinais, mas naquele que o Pai enviou. Diante do pedido do povo: ‘dá-nos sempre desse pão’, Jesus revela-se como o Pão da vida: ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede’.

Diante das dificuldades da vida, ao invés de murmurarmos, busquemos o pão da vida que mata não apenas a fome do corpo mas a sede da alma. Como criaturas novas, amemos Deus não por causa dos sinais, mas porque Ele é o nosso Pai e não deixa nada nos faltar.

 

Primeira Leitura: Ex 16,2-4.12-15

Segunda Leitura: Ef 4,17.20-24

Evangelho: Jo 6,24-35

 

Salmo

“O Senhor deu a comer o pão do céu.”

sábado, 20 de julho de 2024

16º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta do amor e da solicitude de Deus pelas “ovelhas sem pastor”. Esse amor e essa solicitude traduzem-se. Naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens.

Na primeira leitura, pela voz do profeta Jeremias, Jahweh condena os pastores indignos que usam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios projetos pessoais; e, paralelamente, Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu rebanho, assegurando-lhe a fecundidade e a vida em abundância, a paz, a tranquilidade e a salvação. Uma profecia tão antiga e tão atual! Em Jesus Cristo, ela é cumprida. Hoje vemos um grandioso mercado religioso onde muitos arrogam-se o título de pastor fazendo com que o único rebanho de Cristo se disperse. As ‘ovelhas’ sofrem medo e angústia, pois não sabem mais em quem acreditar. Pela malícia das ações de muitos, o rebanho fica à mercê de homens hipócritas.

Na segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso da solicitude de Deus pelo seu Povo. Essa solicitude manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens, sem exceção, a possibilidade e integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado. E onde nos encontramos? No sangue de Cristo, ou seja, na Eucaristia. Abolindo a Lei com seus mandamentos e decretos, Jesus reúne todos os que querem fazer parte dessa família, na Palavra e na Eucaristia. Esse é o sangue da nova e eterna aliança.

E o Evangelho recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são – como Jesus o foi – as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência… Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projetos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus.

Jesus é o Bom Pastor. Não estamos sós e abandonados. Em seu sangue nos encontramos como única família do único Deus.

 

1ª Leitura: Jr 23,1-6

2ª Leitura: Ef 2,13-18

Evangelho: Mc 6,30-34

Salmo

“O Senhor é o pastor que me conduz: felicidade e todo bem hão de seguir-me!

sábado, 13 de julho de 2024

15º Domingo do Tempo Comum

 


A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum recorda-nos que Deus atua no mundo através de homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projeto de salvação. Esses ‘enviados’ devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projeto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.

Na primeira leitura, vemos Amós tentando ser manipulado por Amasias, sacerdote de Betel. Esse aconselha o profeta a não insistir em profetizar em Betel, pois lá fica o santuário do rei e a corte do reino. Ou seja, não deve incomodar os poderosos. Amós, escolhido, chamado e enviado por Deus, vive para propor aos homens – com verdade e coerência – os projetos e sonhos de Deus para o mundo. Atuando com total liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses pessoais. A humildade e fidelidade de Amós o credencia fidedignamente para a missão: “Sou pastor de gado e cultivo sicômoros”. Não se considera profeta ou herdeiro da profecia. Mas como recebeu o chamado diretamente de Deus, não irá abandonar a missão.

A segunda leitura garante-nos que Deus tem um projeto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher – um projeto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios. Antes de mais nada, São Paulo deixa claro que fomos chamados para a santidade. Para um cristão, a santidade é buscada ao longo da vida e alcançada na vida eterna, por meio da salvação. No batismo, somos agraciados como filhos adotivos a assim, predestinados a colocarmos nossa esperança em Cristo. E quem o faz, torna-se canal da graça para os irmãos que ainda não O encontraram e não buscam sua salvação.

No Evangelho, Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão. Dois a dois, para um dar crédito às palavras um do outro e para não desanimarem no caminho. O cajado é sinal de autoridade, como o pastor chama suas ovelhas e as conduz. Não levar duas túnicas, devido a urgência da missão. Fazer o possível para anunciar a boa nova. Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade e ao despojamento. Mas diante das contrariedades, não se apegar aos lugares. Seguir adiante sacudindo a poeira dos pés contra o povo rebelde.

Somos chamados a sermos profetas anunciando o Reino de Deus e denunciando tudo o que não está em sintonia com ele. Somo filhos adotivos de Deus, e temos direito a herança: a vida eterna. Porém, precisamos sim buscar a salvação com todas as nossas forças, tornando o Reino de Deus visível e palpável aqui na terra. Todo o batizado tem a missão de ser testemunha do amor salvador de Deus. Não pode ficar com essa boa notícia só para si.


1ª Leitura: Am 7,12-15

2ª Leitura: Ef 1,3-14

Evangelho: Mc 6,7-13 

SALMO

Mostra-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!


Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...