A liturgia do
15º Domingo do Tempo Comum recorda-nos que Deus atua no mundo através de homens
e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projeto de salvação. Esses
‘enviados’ devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projeto de Deus e
não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.
Na primeira leitura,
vemos Amós tentando ser manipulado por Amasias, sacerdote de Betel. Esse
aconselha o profeta a não insistir em profetizar em Betel, pois lá fica o
santuário do rei e a corte do reino. Ou seja, não deve incomodar os poderosos.
Amós, escolhido, chamado e enviado por Deus, vive para propor aos homens – com verdade
e coerência – os projetos e sonhos de Deus para o mundo. Atuando com total
liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos
seus próprios interesses pessoais. A humildade e fidelidade de Amós o credencia
fidedignamente para a missão: “Sou pastor de gado e cultivo sicômoros”. Não se
considera profeta ou herdeiro da profecia. Mas como recebeu o chamado diretamente
de Deus, não irá abandonar a missão.
A segunda
leitura garante-nos que Deus tem um projeto de vida plena, verdadeira e total
para cada homem e para cada mulher – um projeto que desde sempre esteve na
mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos homens através de Jesus
Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem
subterfúgios. Antes de mais nada, São Paulo deixa claro que fomos chamados para
a santidade. Para um cristão, a santidade é buscada ao longo da vida e
alcançada na vida eterna, por meio da salvação. No batismo, somos agraciados
como filhos adotivos a assim, predestinados a colocarmos nossa esperança em
Cristo. E quem o faz, torna-se canal da graça para os irmãos que ainda não O encontraram
e não buscam sua salvação.
No Evangelho,
Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da
própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objetivamente
contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da
partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de
realizar a missão. Dois a dois, para um dar crédito às palavras um do outro e
para não desanimarem no caminho. O cajado é sinal de autoridade, como o pastor
chama suas ovelhas e as conduz. Não levar duas túnicas, devido a urgência da
missão. Fazer o possível para anunciar a boa nova. Convida-os especialmente à
pobreza, à simplicidade e ao despojamento. Mas diante das contrariedades, não
se apegar aos lugares. Seguir adiante sacudindo a poeira dos pés contra o povo
rebelde.
Somos chamados a sermos profetas anunciando o Reino de Deus e denunciando tudo o que não está em sintonia com ele. Somo filhos adotivos de Deus, e temos direito a herança: a vida eterna. Porém, precisamos sim buscar a salvação com todas as nossas forças, tornando o Reino de Deus visível e palpável aqui na terra. Todo o batizado tem a missão de ser testemunha do amor salvador de Deus. Não pode ficar com essa boa notícia só para si.
1ª Leitura:
Am 7,12-15
2ª Leitura:
Ef 1,3-14
Evangelho: Mc 6,7-13
SALMO
Mostra-nos, ó
Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!

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