sábado, 17 de maio de 2025

5º Domingo da Páscoa

 


O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até o dom total da vida.

Na primeira leitura, apresenta-se a vida das comunidades cristãs primitivas chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes, ou seja, das mudanças da vida e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se entreajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama. Também deixam claro que quem faz a obra acontecer é Deus. Eles são apenas instrumentos.

A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor. Nessa Nova Jerusalém, Deus habita entre nós e não há mais distinção entre céu e terra.

E no Evangelho, Jesus despede-se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o ‘novo mandamento’: ‘amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei’. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor de Deus.

Jesus ‘sobe a régua’ quando o assunto é amor. Se antes, deveríamos amar o próximo como a nós mesmos, agora devemos amar como o próprio Cristo nos amou: ao ponto de darmos a vida uns pelos outros. Nesse projeto, a oblação de si mesmo garante a entrada na pátria celeste além de conquistar o olhar amoroso do Pai. Não é tarefa fácil amar até esse ponto. Mas quando temos os olhos fixos na meta da vida eterna, vemos que a vida terrena é passageira e que tudo perde o valor diante da promessa do ‘novo céu e da nova terra’.

 

Primeira Leitura: At 14,21b-27

Segunda Leitura: Ap 21,1-5a

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35

Salmo

“Bendirei o vosso nome, ó meu Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre”.

sábado, 10 de maio de 2025

4º Domingo do Tempo Pascal

 


O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois, todos os anos, a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus é apresentado como o Bom Pastor. Esse é, portanto, o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.

A primeira leitura, por sua vez, apresenta-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos traz. De um lado, estão as ‘ovelhas’ cheias de autossuficiência, satisfeitas e comodamente instaladas em suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, dispostas a arriscar segui-Lo até as pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta. Muitos se convertiam a Cristo pelo testemunho e pela pregação de Paulo e Barnabé, que insistiam para que eles continuassem fiéis à graça recebida. Porém, muitos judeus invejavam os dois missionários que espalhavam a Palavra do Senhor por onde passavam, chegando até a instigar pessoas influentes contra Paulo e Barnabé. Estes, corajosamente, seguem em frente, dizendo que cumpriram a missão em relação aos judeus e que agora iriam evangelizar os pagãos.

A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim. O Apocalipse diz que João viu uma imensa multidão de gente de todas as nações. Aqui podemos ver que essa multidão, advinda da grande tribulação, percorreu os caminhos da história. Por isso, está relacionada a todos os tempos e lugares. Lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro, pois deram a vida pela verdade do Evangelho. É o próprio Deus que as recebe em Sua glória, enxugando suas lágrimas e servindo-lhes à mesa.

E o Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do Seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a Sua proposta e a segui-Lo. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude. O Bom Pastor, por sua vez, reconhece cada ovelha e cuida de cada uma em particular.

É interessante notar que, em toda a liturgia desse domingo, a conquista da vida eterna está condicionada ao seguimento confiante do Bom Pastor. Paulo e Barnabé não se deixaram abater diante da inveja dos judeus, que não se conformavam com a conversão de seus compatriotas a Cristo. Continuavam anunciando aos povos sem medo, pois a Palavra de Deus precisava chegar aos confins de toda a terra. Todos teremos tribulações. O fato de pertencermos ao rebanho de Jesus não tira de nós, enquanto peregrinos na terra, os sofrimentos. Jesus promete felicidade, não facilidade.

Não tenhamos medo. Confiemos no Bom Pastor. Ele sabe onde estão as melhores pastagens. Ouçamos a voz de Jesus pregada pelos apóstolos e seus sucessores. Deixemo-nos conduzir por Aquele que é capaz de nos dar a vida eterna.

 

1ª Leitura: At 13,14.43-52

2ª Leitura: Ap 7,9.14b-17

Evangelho: Jo 10,27-30

Salmo:

“Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho.


sexta-feira, 2 de maio de 2025

3º Domingo Pascal

 


A liturgia do 3º domingo do Tempo Pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em sua missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens. A questão principal gira em torno do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro: “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo. A oposição humana põe em relevo a realidade sobre humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao ‘caminho’ de Jesus, do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.”

A segunda leitura, apresenta Jesus, o “Cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira manifestar diante do “Cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor. O símbolo do “Cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “Servo de Yahweh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro; a do “Cordeiro Pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão; e a do “Cordeiro Apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real. O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.

E o Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa quer a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixaram guiar pela sua Palavra. O texto está claramente dividido em duas partes. Pedro toma a iniciativa de ir pescar. Os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva. A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus. O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso (‘sem mim, nada podeis fazer’ – Jo 15,5).

A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Os discípulos estão desorientados e decepcionados pelo fracasso da pesca. Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes.

Na segunda parte do texto, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes). A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá seguir Jesus.

Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, a comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

 

PRIMEIRA LEITURA: At 5,27b-32.40b-41

SEGUNDA LEITURA: Ap 5,11-14

EVANGELHO: Jo 21,1-19

SALMO

“Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes”.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Jubileu da Misericórdia

 


A Páscoa é a maior festa dos cristãos. Nela vemos que Deus nos ama a tal ponto, que deu seu único Filho para salvar a humanidade. Sem a ressurreição, vã seria nossa fé. Através da paixão, morte e ressurreição de Jesus, nos damos conta de que temos um Deus próximo, que se rebaixa a nossa condição para que o ser humano possa participar das realidades divinas. E após o período da quaresma, onde preparamos os nossos corações para comemorar a Páscoa, celebramos a Semana Santa, onde vivemos intensamente o mistério pascal. Na quarta-feira Santa, acontece a missa do Crisma na Catedral São João Batista, em Montenegro. Na quinta-feira Santa, em nossa comunidade celebramos a Instituição da Eucaristia e o ‘lava-pés’. Na Sexta-Feira Santa, acontece a Celebração da Paixão. O sábado Santo é o dia da expectativa. Através de uma bela celebração, rica em símbolos, proclama-se a Páscoa. E no domingo, é o dia da Festa da Páscoa.

A festa da Páscoa é tão grande, tão especial e cheia de significado que não cabe num dia só. Por isso, a Igreja a celebra durante 50 dias, no Tempo Pascal, que forma um só grande dia de festa. Assim, no segundo domingo da Páscoa teremos a Festa da Divina Misericórdia, onde ao confiarmos em Deus, somos confortados com as graças dispensadas por nosso Salvador. Esse ano, a festa irá se dilatar por conta do Jubileu 2025 e ambos os Apostolados – da Divina Misericórdia e da Oração –, bem como cristãos da nossa diocese e também de dioceses vizinhas irão se encontrar em Bom Retiro do Sul para juntos celebrar esse belíssimo momento. No diário de Santa Faustina ouvimos do próprio Senhor: “Na minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à Fonte da minha Misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (Diário 206).

Que possamos, ao contemplar o Mistério Pascal – Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo –, intensificar nosso relacionamento com Deus e proclamar o amor de nosso Deus misericordioso!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Tríduo Pascal

A palavra tríduo, dentro do catolicismo, sugere a ideia de preparação. Logo, o tríduo pascal nada mais é do que uma preparação para a Páscoa, maior celebração da cristandade. A ressurreição de Jesus deu sentido a todo o cristianismo. Se Cristo tivesse ficado no sepulcro, tudo teria acabado ali e certamente, nem sequer saberíamos quem fora o homem Jesus de Nazaré. O tríduo pascal considera três dias de profunda preparação para a festa da Páscoa. Compreende a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado. Porém, não são três dias separados. É uma só coisa com a Páscoa. Abrange a totalidade do mistério pascal.

Começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor na quinta-feira santa. Nessa celebração acontece o “lava-pés”, onde o celebrante relembra Jesus lavando os pés de seus apóstolos. No final, ocorre o translado. A Eucaristia deixa o Sacrário e é colocada em algum outro lugar dentro do templo devidamente preparado, para ser adorado. Após o translado do Santíssimo Sacramento, o altar é desnudado. Como o tríduo compõe uma unidade, no final dessa missa não se dá a bênção final.

A Sexta-Feira Santa é especial. Em lugar nenhum do mundo se celebra missa. Acontece às 15h uma celebração da Paixão do Senhor. Estamos ‘velando’ o Rei do Universo. Revivemos os sofrimentos e a morte de Cristo por amor a cada um de nós. Adoraremos o Cristo Crucificado e adentraremos nos seus sofrimentos com a penitência e o jejum.

O Sábado santo é o dia em que a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando sua ressurreição que culminará na Vigília Pascal. Nessa celebração, comemoramos a Ressurreição, o ponto máximo! Jesus ressuscita e reacende em nós a esperança.

A Páscoa de Nosso Senhor representa o grande amor de um Deus que se rebaixa a nossa humanidade para nos elevar a sua divindade. Um amor infinito pelas criaturas. Todos somos convocados a participarmos de capa passo de Jesus. Desde a sua caminhada ao calvário até o sepulcro vazio. Preparemos os nossos corações pela oração, pelo jejum e pela caridade.

 O RESSUSCITADO VIVE ENTRE NÓS! AMÉM! ALELUIA!


sexta-feira, 4 de abril de 2025

5º Domingo da Quaresma

 


Neste 5º domingo da Quaresma somos convidados mais uma vez a ver que temos um Deus que nos ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.

A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu povo para a liberdade. Esse ‘caminho’ é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova. A leitura nos instiga a observarmos os fatos do passado onde Deus caminhou ao lado de seu povo com respeito e reverência. Porém, não devemos ficar presos a eles, pois Deus sempre nos surpreende. Ao dizer que fará brotar água no deserto, nos mostra que a ressurreição é para uma nova vida, plena e nova.

São Paulo, ao dirigir-se aos Filipenses, na segunda leitura, demonstra estar em consonância com a busca pela ressurreição em Cristo. Após ter sido ‘alcançado’ por Jesus, agora dedica sua vida e ministério para alcançar a meta que é a vida eterna. Corre rumo ao prêmio, sabendo que para conquistá-lo é preciso ser semelhante a Cristo em sua morte.

A passagem apresentada no Evangelho nos é conhecida. Os Mestres da Lei e os fariseus trazem a Jesus uma mulher pega em flagrante adultério para pô-lo a prova, dizendo que pela justiça, ou seja, pela Lei de Moisés, ela deve ser apedrejada. Jesus, que passara um longo tempo no Monte das Oliveiras em oração, diante da insistência da multidão por um veredito, começa a escrever com o dedo no chão. O dedo no chão representa a misericórdia que traz à mulher já condenada pela justiça dos homens uma nova vida. Ora, se nem Jesus que é Deus, o único capaz de fazer justiça, condenou a mulher, quem somos nós para pedirmos justiça para nossos irmãos e misericórdia para nós? Interessante notar que foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Ou seja, aqueles que tiveram mais tempo para concluir que Deus é antes de tudo misericórdia e que devemos imitá-lo também nesse ponto.

No domingo passado, o Evangelho do Filho Pródigo mostrou-nos um filho mais velho pedindo justiça, enquanto o pai acolhe o filho mais novo com misericórdia. Nesse domingo, Vemos uma multidão baseada nas escrituras pedindo justiça, e Jesus reescrevendo com seu dedo na areia que Ele é misericórdia.

 

1ª LEITURA: Is 43,16-21

2ª LEITURA: Fl 3,8-14

EVANGELHO: Jo 8,1-11

SALMO

“Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!”

sexta-feira, 28 de março de 2025

4º Domingo da Quaresma

 


A liturgia do 4º domingo da quaresma convida-nos à uma redescoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida em comunhão com ele.

A primeira leitura, a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.

Na segunda leitura, São Paulo escreve aos coríntios convidando-os a acolher a oferta de amor que Deus faz aos homens através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em que se manifesta o homem novo.

O Evangelho é o da passagem do filho pródigo, que apresenta-nos o Deus/Pai que ama seus filhos de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia, e não na linha da justiça dos homens.

A palavra ‘pródigo’ significa aquele que dissipa seus bens, que gasta mais do que o necessário. É sinónimo de gastador, esbanjador, perdulário. De tanto ouvirmos a parábola do Filho Pródigo, tendemos a considerar o termo como sinônimo de arrependido. Aliás, talvez seria um título com muito mais sentido para a passagem: “O Filho Arrependido”.

Estamos diante de uma representação da misericórdia de um Pai que aguarda confiante o retorno do filho que prefere os prazeres do mundo à segurança da casa do Pai. O ser humano que, no auge de sua aparente autossuficiência quer ir embora e fazer sua vida só. Claro que quer também aquilo que ‘tem direito’, mas esquece que o maior de todos os bens é o amor da casa paterna.

O filho mais velho representa muitos irmãos que não se alegram com a volta dos irmãos ao seio da comunidade e têm ciúmes não do Pai em si, mas dos bens que talvez sejam novamente repartidos. São aqueles católicos que vivem uma fé aparente, baseada num tradicionalismo cego focado numa justiça por eles proposta e sem misericórdia.

Nosso Deus é um Pai misericordioso, que não interfere na liberdade humana e sempre espera cada filho de portas abertas. É um Pai pronto a dar do melhor de sua casa para a felicidade da família. Alegra-se com a volta de cada um fazendo festa e chamando a sua original dignidade. Agradeçamos a esse Pai maravilhoso todo o amor que ele nos dispensa e que muitas vezes esbanjamos.

 

1ª LEITURA: Jos 5,9a.10-12

2ª LEITURA: 2Cor 5,17-21

EVANGELHO: Lc 15,1-3.11-32

SALMO

“Provai e vede quão suave é o Senhor!”

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...