quinta-feira, 12 de junho de 2025

Santíssima Trindade

        O mistério da Santíssima Trindade

A festa que celebramos nesse final de semana não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas", mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

        A primeira leitura sugere-nos a contemplação de um Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e o grande revelador do amor do Pai).

        A segunda leitura, convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus-Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.

        O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.

 

Primeira Leitura: Pr 8,22-31


Segunda Leitura: Rm 5,1-5


Evangelho: Jo 16,12-15


Salmo

“Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!”

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Pentecostes

 


O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o homem novo.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito Santo é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superarem o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

 

1ª LEITURA: At 2,1-11

2ª LEITURA: 1Cor 12,3b-7.12-13

EVANGELHO: Jo 20,19-23

SALMO

“Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Ascensão do Senhor

 


A Solenidade da Ascenção de Jesus que celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a avida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.

Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos, eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.

A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados: a vida plena de comunhão com Deus. Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.

O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projeto salvador de Deus e resulta do fato de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.

Jesus sobe aos céus, mas não nos deixa órfãos. Temos a alegria do Pentecostes, a vinda do Espírito Santo que habita em nós trazendo ânimo, dinamicidade e principalmente, coragem para continuar a missão de Jesus num mundo tão conturbado.

 

1ª Leitura: At 1,1-11

2ª Leitura: Ef 1,17-23

Evangelho: Lc 24,46-53

Salmo

“Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta!”

sábado, 17 de maio de 2025

5º Domingo da Páscoa

 


O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até o dom total da vida.

Na primeira leitura, apresenta-se a vida das comunidades cristãs primitivas chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes, ou seja, das mudanças da vida e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se entreajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama. Também deixam claro que quem faz a obra acontecer é Deus. Eles são apenas instrumentos.

A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor. Nessa Nova Jerusalém, Deus habita entre nós e não há mais distinção entre céu e terra.

E no Evangelho, Jesus despede-se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o ‘novo mandamento’: ‘amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei’. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor de Deus.

Jesus ‘sobe a régua’ quando o assunto é amor. Se antes, deveríamos amar o próximo como a nós mesmos, agora devemos amar como o próprio Cristo nos amou: ao ponto de darmos a vida uns pelos outros. Nesse projeto, a oblação de si mesmo garante a entrada na pátria celeste além de conquistar o olhar amoroso do Pai. Não é tarefa fácil amar até esse ponto. Mas quando temos os olhos fixos na meta da vida eterna, vemos que a vida terrena é passageira e que tudo perde o valor diante da promessa do ‘novo céu e da nova terra’.

 

Primeira Leitura: At 14,21b-27

Segunda Leitura: Ap 21,1-5a

Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35

Salmo

“Bendirei o vosso nome, ó meu Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre”.

sábado, 10 de maio de 2025

4º Domingo do Tempo Pascal

 


O 4º Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois, todos os anos, a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus é apresentado como o Bom Pastor. Esse é, portanto, o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.

A primeira leitura, por sua vez, apresenta-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos traz. De um lado, estão as ‘ovelhas’ cheias de autossuficiência, satisfeitas e comodamente instaladas em suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, dispostas a arriscar segui-Lo até as pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta. Muitos se convertiam a Cristo pelo testemunho e pela pregação de Paulo e Barnabé, que insistiam para que eles continuassem fiéis à graça recebida. Porém, muitos judeus invejavam os dois missionários que espalhavam a Palavra do Senhor por onde passavam, chegando até a instigar pessoas influentes contra Paulo e Barnabé. Estes, corajosamente, seguem em frente, dizendo que cumpriram a missão em relação aos judeus e que agora iriam evangelizar os pagãos.

A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim. O Apocalipse diz que João viu uma imensa multidão de gente de todas as nações. Aqui podemos ver que essa multidão, advinda da grande tribulação, percorreu os caminhos da história. Por isso, está relacionada a todos os tempos e lugares. Lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro, pois deram a vida pela verdade do Evangelho. É o próprio Deus que as recebe em Sua glória, enxugando suas lágrimas e servindo-lhes à mesa.

E o Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do Seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a Sua proposta e a segui-Lo. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude. O Bom Pastor, por sua vez, reconhece cada ovelha e cuida de cada uma em particular.

É interessante notar que, em toda a liturgia desse domingo, a conquista da vida eterna está condicionada ao seguimento confiante do Bom Pastor. Paulo e Barnabé não se deixaram abater diante da inveja dos judeus, que não se conformavam com a conversão de seus compatriotas a Cristo. Continuavam anunciando aos povos sem medo, pois a Palavra de Deus precisava chegar aos confins de toda a terra. Todos teremos tribulações. O fato de pertencermos ao rebanho de Jesus não tira de nós, enquanto peregrinos na terra, os sofrimentos. Jesus promete felicidade, não facilidade.

Não tenhamos medo. Confiemos no Bom Pastor. Ele sabe onde estão as melhores pastagens. Ouçamos a voz de Jesus pregada pelos apóstolos e seus sucessores. Deixemo-nos conduzir por Aquele que é capaz de nos dar a vida eterna.

 

1ª Leitura: At 13,14.43-52

2ª Leitura: Ap 7,9.14b-17

Evangelho: Jo 10,27-30

Salmo:

“Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho.


sexta-feira, 2 de maio de 2025

3º Domingo Pascal

 


A liturgia do 3º domingo do Tempo Pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em sua missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.

A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens. A questão principal gira em torno do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro: “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (vers. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo. A oposição humana põe em relevo a realidade sobre humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao ‘caminho’ de Jesus, do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.”

A segunda leitura, apresenta Jesus, o “Cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira manifestar diante do “Cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor. O símbolo do “Cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “Servo de Yahweh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro; a do “Cordeiro Pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão; e a do “Cordeiro Apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real. O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.

E o Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa quer a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixaram guiar pela sua Palavra. O texto está claramente dividido em duas partes. Pedro toma a iniciativa de ir pescar. Os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva. A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus. O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso (‘sem mim, nada podeis fazer’ – Jo 15,5).

A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos. Os discípulos estão desorientados e decepcionados pelo fracasso da pesca. Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes.

Na segunda parte do texto, Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes). A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá seguir Jesus.

Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, a comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.

 

PRIMEIRA LEITURA: At 5,27b-32.40b-41

SEGUNDA LEITURA: Ap 5,11-14

EVANGELHO: Jo 21,1-19

SALMO

“Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes”.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Jubileu da Misericórdia

 


A Páscoa é a maior festa dos cristãos. Nela vemos que Deus nos ama a tal ponto, que deu seu único Filho para salvar a humanidade. Sem a ressurreição, vã seria nossa fé. Através da paixão, morte e ressurreição de Jesus, nos damos conta de que temos um Deus próximo, que se rebaixa a nossa condição para que o ser humano possa participar das realidades divinas. E após o período da quaresma, onde preparamos os nossos corações para comemorar a Páscoa, celebramos a Semana Santa, onde vivemos intensamente o mistério pascal. Na quarta-feira Santa, acontece a missa do Crisma na Catedral São João Batista, em Montenegro. Na quinta-feira Santa, em nossa comunidade celebramos a Instituição da Eucaristia e o ‘lava-pés’. Na Sexta-Feira Santa, acontece a Celebração da Paixão. O sábado Santo é o dia da expectativa. Através de uma bela celebração, rica em símbolos, proclama-se a Páscoa. E no domingo, é o dia da Festa da Páscoa.

A festa da Páscoa é tão grande, tão especial e cheia de significado que não cabe num dia só. Por isso, a Igreja a celebra durante 50 dias, no Tempo Pascal, que forma um só grande dia de festa. Assim, no segundo domingo da Páscoa teremos a Festa da Divina Misericórdia, onde ao confiarmos em Deus, somos confortados com as graças dispensadas por nosso Salvador. Esse ano, a festa irá se dilatar por conta do Jubileu 2025 e ambos os Apostolados – da Divina Misericórdia e da Oração –, bem como cristãos da nossa diocese e também de dioceses vizinhas irão se encontrar em Bom Retiro do Sul para juntos celebrar esse belíssimo momento. No diário de Santa Faustina ouvimos do próprio Senhor: “Na minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à Fonte da minha Misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (Diário 206).

Que possamos, ao contemplar o Mistério Pascal – Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo –, intensificar nosso relacionamento com Deus e proclamar o amor de nosso Deus misericordioso!

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...