quinta-feira, 3 de outubro de 2024

27º DTC - ... e serão uma só carne!

 


As leituras propostas para o 27º Domingo do Tempo Comum apresentam, como tema principal, o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: formar uma comunidade de moar, estável e indissolúvel, que os ajude mutuamente a realizarem-se e a serem felizes. Esse amor, feito doação e entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus.

A primeira leitura diz-nos que Deus criou o homem e a mulher para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão ‘uma só carne’. Ser ‘uma só carne’ implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. Adão exclama: “... é osso dos meus ossos e carne da minha carne!” Em sua companheira há algo dele e nele, há algo dela.

Na Carta aos Hebreus, proposta na segunda leitura, encontramos a ‘qualidade’ do amor de Deus pelos homens. Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o seu Filho único ‘em proveito de todos’. Jesus, o Filho, solidarizou-Se com os homens, partilhou a debilidade dos homens e, cumprindo o projeto do Pai, aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a vida verdadeira está no amor que se dá até às últimas consequências.

E no Evangelho, Jesus, confrontando com a Lei judaica do divórcio, reafirma o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projeto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projeto primordial de Deus para o homem e para a mulher.

Ligando o texto da Carta aos hebreus com o tema principal da liturgia deste domingo, podemos dizer que o casal cristão deve testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.

 

1ª Leitura: Gn 2,18-24

2ª Leitura: Hb 2,9-11

Evangelho: Mc 10,2-16

Salmo

“O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Quem somos?

 


Conforme vimos no último vídeo, a missão da Igreja Católica começa em Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade e culmina na igreja particular, ou seja, nas dioceses espalhadas pelo mundo. A diocese de Montenegro é formada por 30 paróquias. Dentre elas, a nossa.

Dom João Becker, Arcebispo de Porto Alegre, criou a Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Arroio Grande (primeiro nome do município) no dia 14 de abril de 1921 nomeando como vigário o Padre Alberto Schwade. Nesta data, já havia no município (3º distrito de Taquari) as capelas São José de Santa Manoela, Sagrado Coração de Jesus de Linha Brasil (ou Nova Áustria) e São Pedro de Boa Esperança Alta. A antiga igreja matriz localizava-se onde hoje é a garagem do lar porto seguro.

No dia 18 de abril de 1927, embora já tenha iniciado as tratativas para construção da nova Matriz (provavelmente trabalhos de limpeza e terraplenagem do terreno somente), é lançada a pedra angular da igreja. No dia 02 de setembro de 1946, por volta das 10 horas, foi colocada a cruz no topo da igreja.

A paróquia atualmente conta com 11 capelas além de 4 oratórios e dois pontos de celebrações sendo eles Morro dos Feyh e Lar Porto Seguro.

A pastoral para atendimento dessas comunidades está dividida em três áreas

 

Pela área 1

  • ·         Matriz Nossa Senhora do Rosário
  • ·         Nossa Senhora Aparecida, no Morro Bonito
  • ·         São José, no Morro dos Bello
  • ·         E Imaculado Coração de Maria, na Cidade Baixa

 

Pela área 2

  • ·         São Pedro, na Boa Esperança Alta
  • ·         Nossa Senhora da Assunção, na Boa Esperança Baixa
  • ·         São Paulo, na Pedra Grande
  • ·         Nossa Senhora da Conceição, no Cachimbos
  • ·         São Miguel, no Morro dos Cavalos
  • ·         Santa Teresinha, no Morro Azul
  • ·         Nossa Senhora Aparecida, nos Três Irmãos
  • ·         E Santo Antônio, na Cabriúva

 

E Pela área 3

  • ·         Sagrado Coração de Jesus, na Linha Brasil
  • ·         São José, na Santa Manoela
  • ·         E Santo Alberto Magno, na Bela Vista

 

 "ORAI SEM CESSAR" (Ts 5,17).

Temos em nossa paróquia, diversos movimentos e grupos que fomentam a oração em nossa paróquia. São Eles: 

  • ·         O Apostolado da Oração
  • ·         ECC
  • ·         Cenáculo de Maria
  • ·         Renovação Carismática Católica, com o grupo Colo de Maria.
  • ·         As Capelinhas de Nossa Senhora
  • ·         O Terço dos homens
  • ·         As mães que rezam pelos filhos
  • ·         O Cursilho jovem
  • ·         E estamos trabalhando para trazer novamente o CLJ, Curso de Liderança Juvenil.


"ASSIM TAMBÉM A FÉ: SE NÃO TIVER OBRAS, É MORTA EM SI MESMA".   (Tg 2,17)

Também temos várias iniciativas pastorais que visam fazer a nossa igreja acontecer também fisicamente. 

Pela Iniciação à vida cristã, temos A Pastoral do Batismo e a catequese, dividida ao longo de quatro anos.

Temos também a pastoral litúrgica, para a preparação das celebrações.

A pastoral da comunicação concentra-se na divulgação através das mídias sociais dos eventos paroquiais bem como na transmissão das santas missas.

Os ministros extraordinários, além da distribuição da santa eucaristia nas missas, fazem celebrações quando solicitados e visitam os enfermos de nossa paróquia.

A pastoral do Dízimo, que fomenta a partilha para manutenção da paróquia.

A pastoral Vocacional, que além de trabalhar com os coroinhas leva meninos e meninas ao conhecimento das vocações específicas.

Quem prepara os jovens casais de namorados que pretendem formar uma família através do sacramento do matrimônio é a pastoral dos noivos.

Alguns ministros extraordinários ajudam realizando exéquias (enterros) quando o padre não pode. Estamos formando um grupo que irá auxiliar na elaboração de um estatuto para os cemitérios de nossa paróquia.

A partir do mês de novembro a paróquia também terá a pastoral da pessoa idosa, uma pastoral social que irá dar atenção a tantos irmãos mais vividos que fazem parte de nossa igreja.

A paróquia Nossa Senhora do Rosário é o conjunto de todas as comunidades, pastorais e movimentos. Não é possível concebê-la isoladamente. É muito maior do que a soma das partes. Por isso não existe comunidade católica isolada do contexto paroquial.


Juntos somos a paróquia nossa Senhora do Rosário de Paverama!


Paróquia, comunidade de comunidades!

 


A mensagem cristã, ao longo de séculos através do povo de Deus precisou se renovar não no conteúdo, mas na forma. Precisamos entender qual é a nossa missão como cristãos e qual a missão da igreja dentro da sociedade nos nossos dias.

A paróquia continua sendo uma referência para os batizados. Praticamente todos os meses são batizados novos membros da igreja trazidos pelos seus pais muitas vezes por tradição. Porém há dificuldades para que seus membros se sintam participantes de uma autêntica comunidade cristã...

Surge um novo desafio: renovar a paróquia em vista da MISSÃO.

O Papa Francisco nos diz: “a paróquia não é uma estrutura caduca, precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade.” (EG , 28)

É difícil falarmos em comunidade nos dias atuais por causa do individualismo que impera nos relacionamentos modernos. Enfraqueceram-se os vínculos comunitários. Se antigamente, as sociedades de futebol, por afinidade ou até mesmo por famílias eram fortes, atualmente não se pensa mais assim. Não se pensa mais no outro para ajudar. Impera o utilitarismo e o próximo só se torna ‘importante’ na medida em que me serve.

Isso também se faz presente nas áreas rurais. O acesso às informações também está criando dificuldades relativas ao vínculo comunitário. Os meios de comunicação mudam os hábitos e as atitudes. Criam necessidades e desejos no consumismo e na religião.

Está acontecendo um novo cenário da FÉ e da RELIGIÃO sem a INSTITUIÇÃO. Mais ligada ao interesses pessoais... Não tem mais normas fixas... Mas também o povo se sente desorientado (o que é certo, o que é errado?) ... Gerando uma fragmentação da vida e da cultura...

Surge a religião à la carte. Eu me relaciono com Deus da minha forma. Não preciso de comunidade. A Igreja é uma mera formalidade, instituída para suprir minhas necessidades. Religião é uma síntese de várias doutrinas das quais eu seleciono o que me interessa.

Dentro desse panorama existem paróquias que se limitam a realizar suas atividades no atendimento sacramental e devoções... A evangelização consiste na CATEQUESE DE INSTRUÇÃO da fé, sem Iniciação à Vida Cristã... A administração e responsabilidade concentram-se, exclusivamente, no padre... Não há preocupação missionária, esperando que as pessoas procurem a Igreja...

Mais uma vez, escutemos nosso Papa que diz: “A pastoral em chave missionária exige abandono deste cômodo critério pastoral: ‘ FEZ SE SEMPRE ASSIM’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades” (EG n° 33).

Atenção! Cada vez mais vêm surgindo cristãos que formam grupos fechados, sem comunhão com a Igreja Particular, com interesses particulares e fundamentalistas. São também frutos desse tempo individualista e utilitarista.

Na fé cristã não há lugar para “capelas” fechadas, em forma de sociedade ou clube... Que vivem em função de festas, almoços, bingos e bailes... A função da igreja não é essa. O objetivo de Jesus é totalmente outro. Não que não se possam ter quermesses. Mas as comunidades não devem viver em função disso.

Desperdiçamos muita energia em manter estruturas. É preciso abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé. Muitos me dizem: “padre, no tempo do meu avô, essa comunidade era muito forte. Aconteciam festas gigantescas e muitas pessoas participavam da igreja”. Sempre respondo da mesma forma: “Os tempos mudaram. Precisamos chegar nos corações dos católicos de hoje. Se naquele tempo deu certo para seu avô, hoje é diferente. Muita coisa mudou. E nós também precisamos mudar!”

E você, está disposto a mudar?

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

SANTO DO DIA: São Gregório Magno

 


O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do evangelho que diz: “Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”.

Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.

Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.

Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.

Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.

Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.

Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.

“Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o ‘ideal do pastor’. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas, mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores’”.

Gregório passou seus últimos anos doente, acamado, mas continuando a redigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade. 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

domingo, 1 de setembro de 2024

SANTO DO DIA: São Justino de Jacobis

 


A vida deste santo é uma apologia da vida interior posta a serviço do lavor missionário numa as formas mais típicas: encarnar-se totalmente no novo meio social. Justino nasceu perto de Nápoles, Itália, em 1800. Passou sua infância na pobreza e humildade de família, mas recebendo uma profunda educação cristã. Aos 18 anos, entrou na Congregação da missão, fundada dois séculos antes por São Vicente de Paulo, para evangelização das regiões mais abandonadas.

Formado sacerdote, empreendeu com especial zelo atividades pastorais, revelando-se um anjo de caridade na cólera que dizimou Nápoles, em 1836.

Ele, porém, sonhava com um campo de apostolado mais vasto na África. A ocasião se apresentou, quando a Santa Sé confiou à Congregação da Missão a evangelização da Etiópia, ficando eleito o próprio Justino como vigário apostólico.

Depois de longa e perigosa viagem, chegou, finalmente, com dois colegas missionários, ao novo campo de apostolado. A etiópia é um país dominado por planaltos, altas montanhas, profundos vales e rios: uma geografia que ajudou a conservação do cristianismo contra os ataques dos muçulmanos.

Mas a religião cristã da Etiópia era separada de Roma, dependendo da Igreja copta do Egito que, no século V, tinha caído na heresia monofisita. Vivia-se um cristianismo isolado, degenerado, quase esvaziado de conteúdo. Justino, ao chegar à Etiópia, percebeu a dificuldade de sua missão, o ambiente hostil à Igreja Católica que há séculos não exercia nenhuma atividade naquela região.

Adotou um estilo de vida encarnado na realidade local, assimilando com paci~encia a difícil língua e fazendo-se tudo a todos. Usando a arma de uma grande caridade e bondade para com todos, conseguiu dobrar a confiança contra os missionários católicos, chegando a granjear estima e admiração pela sua santidade. A fim de cativar a simpatia dos chefes, organizou uma embaixada de nobres abissínios para Roma, onde foram recebidos pelo papa com grande honra, fato que deu liberdade a Justino no apostolado.

Ganhou à sua causa um grande mestre etíope. Guebra Miguel, homem influente que se tornou católico e um valioso apóstolo ao lado de De Jacobis, e que inclusive se tornara o primeiro mártir da nova Igreja Católica da Etiópia.

Para garantir a progressiva evangelização autônoma da Etiópia, Justino ideou e conseguiu fundar com imensos sacrifícios um seminário para vocações indígenas e, antes de morrer, teve a sorte de ordenar trinta sacerdotes nativos.

Justino viajava continuamente em todas as direções para evangelizar, iniciando sua obra junto aos monges abissínios que eram os mais resistentes e, assim, sentir-se livre em pregar eficazmente ao povo. Em muitas regiões conseguiu numerosas conversões que lhe permitam organizar estruturas eclesiais.

Infelizmente, seu zelo e seus sucessos suscitaram a inveja e a oposição do único bispo etíope, Abuna Salama, que instigou o rei a decretar uma perseguição contra os convertidos e a expulsar os missionários. Escrevendo ao rei, Abuna dizia: “manda embora Justino, mas não o mates, pois ele é um santo, porque ninguém observa melhor do que ele a lei de Deus”.

Desgastado pelo cansaço, pelas viagens, privações e sacrifícios, Justino de Jacobis sentiu a morte se aproximar, quando era expulso do país. Deitado no chão, com uma pedra por almofada, abençoando a todos, rendia sua alma a Deus. Era o dia 31 de julho de 1860, completando 60 anos.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

A Bíblia Sagrada

 


O mês de setembro é dedicado à Bíblia, as Sagradas Escrituras. De acordo com o Concílio Vaticano II, “A Bíblia é o conjunto de livros que, tendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, têm Deus como autor, e como tais foram entregues à Igreja”.

A palavra “Bíblia” em si deriva da palavra latina que significa ‘livros’.  No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho. CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas, nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses “tijolos". PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às margens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro. Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do caule do papiro chamava-se BIBLOS.

A Bíblia foi escrita por orientais que têm uma mentalidade bem diferente da greco-romana, da qual nós descendemos. Diversos foram os seus escritores, que viveram entre os anos 1200 a.C a 100 d.C. Isso, sem contar que foi escrita em línguas hoje inexistentes ou totalmente modificadas, como o hebraico, o grego, o aramaico, fato este que dificulta enormemente uma tradução, pois muitas vezes não se encontram palavras adequadas.

Sendo a Bíblia um livro inspirado é muito importante entender esta inspiração, para haurir com proveito sua mensagem. Isso não significa dizer que o escritor sagrado (ou hagiógrafo) foi um mero instrumento nas mãos de Deus, recebendo mensagens ao modo ‘psicográfico’. Entre os católicos, o interesse por conhecer a Bíblia praticamente começou após o Concílio Vaticano II, ou seja, a partir dos anos 60.

A Bíblia se divide em duas partes principais: o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo refere-se ao período anterior a Jesus Cristo e o Novo se refere ao período cristão. A palavra ‘testamento’ refere-se a um pacto ou acordo entre duas partes. A divisão da Bíblia em Antigo e Novo Testamento chama a atenção para todas as formas pelas quais Deus pode demonstrar Seu compromisso eterno com Seu povo. O Antigo Testamento é mais físico, com Deus ajudando e protegendo os israelitas por meio da lei de Moisés. Por outro lado, o Novo Testamento é mais espiritual. Com esse acordo, podemos antecipar o Céu por causa do sacrifício de Jesus por nós.

Cada uma destas partes se compõe de diversos livros, escritos em épocas históricas diferentes. É composta de 73 livros de diversos profetas, Apóstolos e pessoas que registraram a história da época, sendo 46 no Antigo e 27 no Novo Testamento.

sábado, 31 de agosto de 2024

SANTO DO DIA: Santa Beatriz da Silva

 


Beatriz da Silva, fundadora das Monjas Concepcionistas, é uma das glórias da nobre estirpe celebrada nos Lusíadas, por Luís de Camões.

Nasceu Beatriz em Ceuta, praça forte portuguesa, ao norte da África, onde seu pai era comandante, em 1424, e faleceu em Toledo, na Espanha, aos 66 anos de idade. Ainda pequena, transferiu-se com a família para Campo maior, em Portugal, e, na flor dos seus vinte anos, Beatriz foi enviada à corte da Espanha como dama de honra de Dona Isabel, esposa do rei João II de Castela. Aí principiou seu calvário.

Sendo, como se afirma, de invulgar formosura, começou a ser cobiçada por alguns nobres da corte, suscitando inveja inclusive da própria rainha, o que constituiu um verdadeiro sofrimento para ela. Uma corte, naquele século, era ambiente de luxo e vaidade, de ciúme e frivolidades ao lado de intrigas e paixões.

A rainha, dominada por uma mistura de ciúme e de inveja, chegou a tramar contra a vida de Beatriz. Fechou-a num caixão por três dias, o suficiente para que morresse asfixiada. Mas uma visível proteção da Virgem salvou-a da morte certa. Em agradecimento, ofereceu a sua virgindade.

O que para outros poderia ter sido ocasião de ruína irreparável, foi para ela ocasião de, cada vez mais, se firmar no propósito de abandonar o mundo e de se consagrar completamente a Deus. Deixou, pois, a corte e se retirou para Toledo, indo se recolher no mosteiro de São Domingos, cujas religiosas viviam sob a Regra cisterciense. Passou ali não menos de 30 anos, dando às religiosas extraordinários exemplos de virtude. Foi modelar no desprendimento do século, na obediência, na pobreza, na assistência aos pobres, na oração e no recolhimento.

Mas Deus tinha-a predestinado para obre de maior alcance no seu reino. Sob a inspiração de Maria Imaculada, Beatriz acalentou a ideia de fundar uma Ordem de estrita clausura, na qual as religiosas, inteiramente segregadas do mundo, pudessem servir a Deus em vida contemplativa. Com a ajuda eficaz da rainha Isabel a Católica, que lhe deu o palácio da Galiana e com um pequeno grupo de religiosas, deixou o mosteiro de São Domingos e foi habitar numa nova sede que veio a ser o berço das monjas concepcionistas.

Três amores ardiam na alma de Beatriz: o amor a maria Imaculada, a Paixão de Jesus Cristo e a Santíssima Eucaristia. Estes três amores foram a herança espiritual que caracterizou a nova Ordem.

As monjas concepcionistas tiveram sua aprovação canônica em 1489. No entanto, a fundadora não teve a sorte de assistir à primeira profissão religiosa de suas irmãs de hábito, pois Beatriz teve uma revelação que morreria entre dez dias, como de fato se deu, no dia 17 de agosto de 1490.

No momento de sua santa morte, seu rosto foi visto transfigurado por uma grande claridade e uma estrela resplandecente sobre sua cabeça até ela expirar.

Beatriz da Silva foi irmã de sangue do Bem-aventurado Amadeu da Silva que, após uma experiência de dez anos vividos como ermitão, abraçou, na Itália, a Ordem de São Francisco. Homem de muitas virtudes e letras, foi confessor do Papa Sisto IV.

Morreu em odor de santidade, sendo-lhe reconhecido o título de Bem-aventurado.

A Ordem fundada por Santa Beatriz da Silva espalhou-se por muitas nações na Europa e chegou ao Novo Mundo desde o ano 1540. Conta atualmente com 135 mosteiros e com mais de três mil irmãs. Chegou ao Brasil, em 1678, com a fundação do mosteiro de Nossa Senhora da Ajuda, no Rio de Janeiro, e pouco depois foi aberto o Mosteiro da Lapa em Salvador, Bahia, dentro de cujos muros viveu e foi assassinada a heroína da Independência do Brasil, Madre Joana Angélica de Jesus, em 1822.

Logo após a morte, Beatriz teve larga veneração. Contudo seu culto foi ratificado oficialmente pela Igreja só em 1929, com a beatificação, e em 1976, com a canonização. A família franciscana, que considera Beatriz uma santa ligada ao espírito de São Francisco, celebra sua festa no dia 1º de setembro.

 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

 

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...