segunda-feira, 2 de setembro de 2024

SANTO DO DIA: São Gregório Magno

 


O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do evangelho que diz: “Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”.

Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.

Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.

Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.

Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.

Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.

Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.

“Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o ‘ideal do pastor’. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas, mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores’”.

Gregório passou seus últimos anos doente, acamado, mas continuando a redigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade. 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

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