O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e
é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com
Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.
Nascido em Roma por volta do ano 540, de família
senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser
prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo,
gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em deus a quem
procurava com amor. Quis ser radical na vivência do evangelho que diz: “Se quiseres
ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu;
depois vem e segue-me”.
Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete
mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de
evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou
sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e
abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.
Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o
de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla.
Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento
com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.
Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano
proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu
seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590)
ficou sendo a data de sua festa.
Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na
Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de
bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade.
Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o
ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano
para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana,
com as novas culturas germânica e eslava.
Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de
sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência.
Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra
Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou
o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e
peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.
Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra
Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar
a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para
edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários
sobre a Bíblia.
“Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se
considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele
foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele
próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o ‘ideal do pastor’. O verdadeiro
pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio
no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira
caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com
humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas, mas levanta-se
com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores’”.
Gregório passou seus últimos anos doente, acamado, mas
continuando a redigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em
604, com 65 anos de idade.
Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

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