A vida deste
santo é uma apologia da vida interior posta a serviço do lavor missionário numa
as formas mais típicas: encarnar-se totalmente no novo meio social. Justino
nasceu perto de Nápoles, Itália, em 1800. Passou sua infância na pobreza e humildade
de família, mas recebendo uma profunda educação cristã. Aos 18 anos, entrou na
Congregação da missão, fundada dois séculos antes por São Vicente de Paulo,
para evangelização das regiões mais abandonadas.
Formado
sacerdote, empreendeu com especial zelo atividades pastorais, revelando-se um
anjo de caridade na cólera que dizimou Nápoles, em 1836.
Ele, porém,
sonhava com um campo de apostolado mais vasto na África. A ocasião se
apresentou, quando a Santa Sé confiou à Congregação da Missão a evangelização
da Etiópia, ficando eleito o próprio Justino como vigário apostólico.
Depois de
longa e perigosa viagem, chegou, finalmente, com dois colegas missionários, ao
novo campo de apostolado. A etiópia é um país dominado por planaltos, altas montanhas,
profundos vales e rios: uma geografia que ajudou a conservação do cristianismo
contra os ataques dos muçulmanos.
Mas a religião
cristã da Etiópia era separada de Roma, dependendo da Igreja copta do Egito
que, no século V, tinha caído na heresia monofisita. Vivia-se um cristianismo
isolado, degenerado, quase esvaziado de conteúdo. Justino, ao chegar à Etiópia,
percebeu a dificuldade de sua missão, o ambiente hostil à Igreja Católica que
há séculos não exercia nenhuma atividade naquela região.
Adotou um
estilo de vida encarnado na realidade local, assimilando com paci~encia a
difícil língua e fazendo-se tudo a todos. Usando a arma de uma grande caridade
e bondade para com todos, conseguiu dobrar a confiança contra os missionários
católicos, chegando a granjear estima e admiração pela sua santidade. A fim de
cativar a simpatia dos chefes, organizou uma embaixada de nobres abissínios
para Roma, onde foram recebidos pelo papa com grande honra, fato que deu
liberdade a Justino no apostolado.
Ganhou à sua
causa um grande mestre etíope. Guebra Miguel, homem influente que se tornou
católico e um valioso apóstolo ao lado de De Jacobis, e que inclusive se
tornara o primeiro mártir da nova Igreja Católica da Etiópia.
Para garantir
a progressiva evangelização autônoma da Etiópia, Justino ideou e conseguiu
fundar com imensos sacrifícios um seminário para vocações indígenas e, antes de
morrer, teve a sorte de ordenar trinta sacerdotes nativos.
Justino
viajava continuamente em todas as direções para evangelizar, iniciando sua obra
junto aos monges abissínios que eram os mais resistentes e, assim, sentir-se
livre em pregar eficazmente ao povo. Em muitas regiões conseguiu numerosas
conversões que lhe permitam organizar estruturas eclesiais.
Infelizmente,
seu zelo e seus sucessos suscitaram a inveja e a oposição do único bispo
etíope, Abuna Salama, que instigou o rei a decretar uma perseguição contra os
convertidos e a expulsar os missionários. Escrevendo ao rei, Abuna dizia: “manda
embora Justino, mas não o mates, pois ele é um santo, porque ninguém observa
melhor do que ele a lei de Deus”.
Desgastado
pelo cansaço, pelas viagens, privações e sacrifícios, Justino de Jacobis sentiu
a morte se aproximar, quando era expulso do país. Deitado no chão, com uma pedra
por almofada, abençoando a todos, rendia sua alma a Deus. Era o dia 31 de julho
de 1860, completando 60 anos.
Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.
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