sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Paróquia, comunidade de comunidades!

 


A mensagem cristã, ao longo de séculos através do povo de Deus precisou se renovar não no conteúdo, mas na forma. Precisamos entender qual é a nossa missão como cristãos e qual a missão da igreja dentro da sociedade nos nossos dias.

A paróquia continua sendo uma referência para os batizados. Praticamente todos os meses são batizados novos membros da igreja trazidos pelos seus pais muitas vezes por tradição. Porém há dificuldades para que seus membros se sintam participantes de uma autêntica comunidade cristã...

Surge um novo desafio: renovar a paróquia em vista da MISSÃO.

O Papa Francisco nos diz: “a paróquia não é uma estrutura caduca, precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade.” (EG , 28)

É difícil falarmos em comunidade nos dias atuais por causa do individualismo que impera nos relacionamentos modernos. Enfraqueceram-se os vínculos comunitários. Se antigamente, as sociedades de futebol, por afinidade ou até mesmo por famílias eram fortes, atualmente não se pensa mais assim. Não se pensa mais no outro para ajudar. Impera o utilitarismo e o próximo só se torna ‘importante’ na medida em que me serve.

Isso também se faz presente nas áreas rurais. O acesso às informações também está criando dificuldades relativas ao vínculo comunitário. Os meios de comunicação mudam os hábitos e as atitudes. Criam necessidades e desejos no consumismo e na religião.

Está acontecendo um novo cenário da FÉ e da RELIGIÃO sem a INSTITUIÇÃO. Mais ligada ao interesses pessoais... Não tem mais normas fixas... Mas também o povo se sente desorientado (o que é certo, o que é errado?) ... Gerando uma fragmentação da vida e da cultura...

Surge a religião à la carte. Eu me relaciono com Deus da minha forma. Não preciso de comunidade. A Igreja é uma mera formalidade, instituída para suprir minhas necessidades. Religião é uma síntese de várias doutrinas das quais eu seleciono o que me interessa.

Dentro desse panorama existem paróquias que se limitam a realizar suas atividades no atendimento sacramental e devoções... A evangelização consiste na CATEQUESE DE INSTRUÇÃO da fé, sem Iniciação à Vida Cristã... A administração e responsabilidade concentram-se, exclusivamente, no padre... Não há preocupação missionária, esperando que as pessoas procurem a Igreja...

Mais uma vez, escutemos nosso Papa que diz: “A pastoral em chave missionária exige abandono deste cômodo critério pastoral: ‘ FEZ SE SEMPRE ASSIM’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades” (EG n° 33).

Atenção! Cada vez mais vêm surgindo cristãos que formam grupos fechados, sem comunhão com a Igreja Particular, com interesses particulares e fundamentalistas. São também frutos desse tempo individualista e utilitarista.

Na fé cristã não há lugar para “capelas” fechadas, em forma de sociedade ou clube... Que vivem em função de festas, almoços, bingos e bailes... A função da igreja não é essa. O objetivo de Jesus é totalmente outro. Não que não se possam ter quermesses. Mas as comunidades não devem viver em função disso.

Desperdiçamos muita energia em manter estruturas. É preciso abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé. Muitos me dizem: “padre, no tempo do meu avô, essa comunidade era muito forte. Aconteciam festas gigantescas e muitas pessoas participavam da igreja”. Sempre respondo da mesma forma: “Os tempos mudaram. Precisamos chegar nos corações dos católicos de hoje. Se naquele tempo deu certo para seu avô, hoje é diferente. Muita coisa mudou. E nós também precisamos mudar!”

E você, está disposto a mudar?

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