A mensagem
cristã, ao longo de séculos através do povo de Deus precisou se renovar não no
conteúdo, mas na forma. Precisamos entender qual é a nossa missão como cristãos
e qual a missão da igreja dentro da sociedade nos nossos dias.
A paróquia continua
sendo uma referência para os batizados. Praticamente todos os meses são
batizados novos membros da igreja trazidos pelos seus pais muitas vezes por
tradição. Porém há dificuldades para que seus membros se sintam participantes
de uma autêntica comunidade cristã...
Surge um novo desafio: renovar a
paróquia em vista da MISSÃO.
O Papa
Francisco nos diz: “a paróquia não é uma estrutura caduca, precisamente porque
possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que
requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade.”
(EG , 28)
É difícil
falarmos em comunidade nos dias atuais por causa do individualismo que impera
nos relacionamentos modernos. Enfraqueceram-se os vínculos comunitários. Se
antigamente, as sociedades de futebol, por afinidade ou até mesmo por famílias
eram fortes, atualmente não se pensa mais assim. Não se pensa mais no outro
para ajudar. Impera o utilitarismo e o próximo só se torna ‘importante’ na
medida em que me serve.
Isso também se
faz presente nas áreas rurais. O acesso às informações também está criando
dificuldades relativas ao vínculo comunitário. Os meios de comunicação mudam os
hábitos e as atitudes. Criam necessidades e desejos no consumismo e na
religião.
Está
acontecendo um novo cenário da FÉ e da RELIGIÃO sem a INSTITUIÇÃO. Mais ligada
ao interesses pessoais... Não tem mais normas fixas... Mas também o povo se
sente desorientado (o que é certo, o que é errado?) ... Gerando uma
fragmentação da vida e da cultura...
Surge a
religião à la carte. Eu me relaciono com Deus da minha forma. Não
preciso de comunidade. A Igreja é uma mera formalidade, instituída para suprir
minhas necessidades. Religião é uma síntese de várias doutrinas das quais eu
seleciono o que me interessa.
Dentro desse
panorama existem paróquias que se limitam a realizar suas atividades no
atendimento sacramental e devoções... A evangelização consiste na CATEQUESE DE
INSTRUÇÃO da fé, sem Iniciação à Vida Cristã... A administração e
responsabilidade concentram-se, exclusivamente, no padre... Não há preocupação
missionária, esperando que as pessoas procurem a Igreja...
Mais uma vez,
escutemos nosso Papa que diz: “A pastoral em chave missionária exige abandono
deste cômodo critério pastoral: ‘ FEZ SE SEMPRE ASSIM’. Convido todos a serem
ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o
estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades” (EG n° 33).
Atenção! Cada
vez mais vêm surgindo cristãos que formam grupos fechados, sem comunhão com a
Igreja Particular, com interesses particulares e fundamentalistas. São também
frutos desse tempo individualista e utilitarista.
Na fé cristã
não há lugar para “capelas” fechadas, em forma de sociedade ou clube... Que
vivem em função de festas, almoços, bingos e bailes... A função da igreja não é
essa. O objetivo de Jesus é totalmente outro. Não que não se possam ter
quermesses. Mas as comunidades não devem viver em função disso.
Desperdiçamos
muita energia em manter estruturas. É preciso abandonar as ultrapassadas
estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé. Muitos me dizem: “padre,
no tempo do meu avô, essa comunidade era muito forte. Aconteciam festas
gigantescas e muitas pessoas participavam da igreja”. Sempre respondo da mesma
forma: “Os tempos mudaram. Precisamos chegar nos corações dos católicos de
hoje. Se naquele tempo deu certo para seu avô, hoje é diferente. Muita coisa
mudou. E nós também precisamos mudar!”
E você, está
disposto a mudar?
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