sexta-feira, 22 de março de 2024

Domingo de Ramos e Semana Santa

 

O domingo de ramos abre a Semana Santa. Nesse domingo realiza-se a bênção e a procissão dos ramos. Essa prática originou-se no século IV, na cidade de Jerusalém, com o objetivo de ser uma procissão pública da fé em Cristo, Messias, Salvador.

Os primeiros cristãos já recordavam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém com uma celebração no início da tarde, no monte das Oliveiras. Por esse motivo, além de palmas, usavam ramos de oliveira. Com eles nas mãos, dirigiam-se à cidade de Jerusalém cantando hinos ao Senhor vitorioso. Hoje nessa celebração, a Igreja recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém testemunhando a fé no Cristo vitorioso. Os ramos verdes simbolizavam a esperança sempre viva na vitória de Jesus.

A Semana Santa começa no domingo de ramos e inclui o tríduo pascal, que vai da celebração da Ceia, no entardecer ou à noite de quinta-feira, culminando na vigília pascal, na qual se celebra a ressurreição de Cristo.

Na quinta-feira santa pela manhã acontece, nas catedrais, uma celebração muito importante. Presidida pelo bispo com a participação dos sacerdotes da diocese, realiza-se a bênção do óleo dos enfermos, da crisma e dos catecúmenos a serem usados nas paróquias. Por motivos pastorais, na Diocese de Montenegro essa celebração acontece na quarta-feira santa, na catedral. Nessa celebração além da bênção dos óleos os padres renovam suas promessas diante do bispo e da comunidade.

Na quinta-feira à noite inicia-se o tríduo pascal com a missa do ‘lava-pés’ nas paróquias, seguida pela vigília. Na sexta-feira santa, não há missa em nenhum lugar do mundo. Às 15 horas ocorre uma celebração da Paixão e a procissão com o ‘Cristo morto’. É o dia de grande silêncio. No sábado celebra-se à noite a vigília pascal de maneira solene e festiva. É o ponto alto do ano litúrgico. A celebração inicia com a bênção do fogo e a celebração da luz. O povo reunido na escuridão olha como nasce um fogo novo. É Cristo que ressuscita! O tríduo pascal constitui uma única e mesma celebração.

Preparemos os nossos corações para essa semana tão importante na vida cristã. Queremos contemplar o mistério pascal de Cristo – Paixão, Morte e Ressurreição – através das celebrações participando de cada passo de nosso Redentor. Sem a crucificação não há a ressurreição.

sábado, 16 de março de 2024

A aplicação do Dìzimo

 


Durante a quaresma de 2024, ao invés de trabalharmos a Campanha da Fraternidade em nossa paróquia, a cada domingo nas homilias foram feitas catequeses sobre o tema dízimo.

Chegamos à seguinte conclusão: a modalidade a ser aplicada é aquela dos envelopes personalizados. Haverá um fim de semana, o segundo de cada mês, dedicado ao dízimo. Nele, os dizimistas trarão seus envelopes e farão sua oferta durante as missas, na hora do ofertório. Os dizimistas preencherão um cadastro que estará dentro do envelope permitindo que seja divulgado o nome do dizimista no boletim paroquial referente ao mês de aniversário. Depois desse final de semana, o dízimo será contado procurando-se jamais saber o que cada pessoa contribuiu. Então, durante o mês, a pastoral levará na casa de cada dizimista o boletim da paróquia e o seu envelope para que possa contribuir posteriormente. Em todos os finais de semana haverá na entrada da igreja uma equipe plantonista para acolher e incentivar novos dizimistas.

Algumas iniciativas irão incentivar ainda mais os dizimistas. Será sorteada uma Bíblia e os nomes dos dizimistas aniversariantes estarão no boletim paroquial.

A quantia arrecadada será aplicada em sua função: manutenção do templo, material para as celebrações, manutenção dos funcionários e daqueles que estão a serviço da evangelização e manutenção da obra eclesiástica.

Depois de supridas as necessidades básicas da comunidade, iremos dar ênfase nas dimensões social e missionária. Precisamos, como família católica, pensar de maneira especial na prática da caridade bem como no atendimento das frentes de evangelização por todos os cantos da comunidade, da diocese, do país e do mundo.

sexta-feira, 8 de março de 2024

As dimensões do Dízimo

A principal finalidade do dízimo é, efetivamente, contribuir com a missão evangelizadora da Igreja, o que é corroborado, inclusive, pelo quinto preceito apresentado no Catecismo da Igreja Católica: “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, com o esclarecimento que cada fiel o faça “conforme suas próprias possibilidades”. Com isso, sugere também, perspectivas para a Pastoral do Dízimo, segundo suas quatro dimensões que são: Religiosa, Missionária, Eclesial e Caritativa.

Por meio destas dimensões fica evidente que o dízimo tem por finalidade colaborar para a realização do culto divino e da evangelização, prover o sustento e formação dos agentes pastorais e do clero, concretizar a ação missionária da Igreja e participar da manutenção das obras de caridade.

O dízimo está profundamente relacionado à vivência da fé e à pertença a uma comunidade eclesial. Com efeito, através da fé bem compreendida, o fiel é levado a tomar parte nos vários aspectos da vida da comunidade e entender o que significa ser membro do Corpo de Cristo: “Vós todos sois o Corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12,27); “Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18).

 

Dimensão Religiosa

Tem a ver com a relação do cristão com Deus. Contribuindo com parte de seus bens, o fiel cultiva e aprofunda sua relação com aquele de quem provém tudo o que ele é em tudo o que ele tem, e expressa, na gratidão, sua fé e sua conversão. Essa dimensão, tratando da relação com Deus, insere o dízimo no âmbito da espiritualidade cristã. A partir da relação com Deus, a relação com os bens materiais e com seu correto uso, à luz da fé ganha novo significado (Lc 12,15-21; 1Tm 6,17-21). A consciência do valor esses bens e, ao mesmo tempo, de sua transitoriedade, leva os fiéis , ao contribuírem com o dízimo, à experiência de usar os bens materiais com liberdade e sem apego, buscando primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33) (CNBB, Doc. 106, 2016).

 

Dimensão Eclesial

Com o dízimo, o fiel vivencia sua consciência de ser membro da Igreja, pela qual é corresponsável, contribuindo para que a comunidade disponha do necessário para realizar o culto divino e para desenvolver sua missão. A consciência de ser Igreja leva os fiéis a assumirem a vida comunitária, participando ativamente de suas atividades e colaborando para que a comunidade viva cada vez mais plenamente a fé e mais fielmente testemunhe. Desse modo, cada fiel toma parte no empenho de todos e se abre as necessidades de toda a Igreja. O dízimo também oferece condições às paróquias e comunidades de contribuírem de modo sistemático com a Igreja particular, mantendo vivo o sentido de pertença a ela (CNBB, Doc. 106, 2016).

Na prática, parcela significativa dos recursos obtidos através da contribuição dizimal dos fiéis, são aplicados em tudo o que se refere às celebrações e à catequese. Serve para a manutenção da Igreja (limpeza, materiais diversos, luz, água, equipamentos de som e imagem), da catequese (recursos humanos e didáticos, formação e subsídios, espaço físico e infraestrutura), da liturgia, ou seja, tudo o que diz respeito ao culto divino (livros, cálices, cibórios, vestes, hóstias, vinho, velas, toalhas, etc.).

 

Dimensão Missionária

O fiel, corresponsável por sua comunidade, toma consciência de que há muitas comunidades que não conseguem prover suas necessidades com os próprios recursos e que precisam da colaboração de outras. O dízimo permite a partilha de recursos entre as paróquias de uma mesma Igreja particular e entre as Igrejsa particulares, manifestando a comunhão que há entre elas. De fato, em cada Igreja particular, na comunhão com as demais, está presente e atua a uma e única Igreja de Cristo. O dízimo contribui para o aprofundamento da partilha e da comunhão de recursos em projetos como o das paróquias-irmãs e o do fundo eclesial de comunhão e partilha, o fundo de solidariedade no âmbito da Igreja particular; e nos projetos “Igrejas-irmãs” e “Comunhão e Partilha”, em âmbito nacional (CNBB, Doc. 106,2016).

Por meio do dízimo, ajudamos os seminários, colaborando na formação de sacerdotes. O dízimo também deve servir para o envio de missionários, ensino e formação de agentes e lideranças, inclusive leigas, para atuar nas missões a que forem enviados pelas paróquias ou dioceses.

A Igreja é chamada a ser sinal e promotora do Reino de Deus. “Para isto existe a Igreja: para o Reino de Deus, que o Cristo glorificado, na força do Espírito, continua a realizar na hsitória humana”. Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se organiza em suas estruturas, funções e serviços. A gratuidade do serviço à humanidade, de modo particular aos mais necessitados, é o sinal mais visível de que o reino de Deus já se faz presente no mundo (Lc 4,16-30) (CNBB, Doc. 105, 242, p. 120).

 

Dimensão Caritativa

Que se manifesta no cuidado com os pobres, por parte da comunidade. Uma das características das primeiras comunidades cristãs era de que “entre eles ninguém passava necessidade”, pois tudo era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4,34-35). A atenção com os pobres e suas necessidades é uma característica da Igreja Apostólica. Ao reconhecerem a autenticidade do ministério de São Paulo, os apóstolos pediram que não se esquece dos pobres (cf. Gl 2,10). “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” e a caridade para com os pobres “é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência” (EG, n. 48) (CNBB, Doc. 106, 2016).

Deve ser preocupação constante da Igreja, acolher Jesus na figura do órfão, da viúva, do migrante, do pobre, do desempregado, do marginalizado (Mt 25,35-40). Assim, com base na dimensão caritativa do dízimo, ela deve dispor dos recursos que possibilitem proporcionar uma real promoção humana às pessoas empobrecidas e marginalizadas, isto é, não só socorrer nos momentos difíceis, mas capacitá-las através de um trabalho integral de promoção humana, para que possam viver com dignidade. As necessidades urgentes dos empobrecidos são: alimentos, roupas, remédios, passagens, etc. São carências que não podem ficar para amanhã, mas devem ser atendidas no exato instante em que a necessidade se manifesta. Portanto, a Igreja é chamada à prática da diakonia (serviço) da caridade também em nível comunitário, utilizando-se de uma organização articulada entre suas diversas equipes de pastoral.

 

sexta-feira, 1 de março de 2024

A espiritualidade do Dízimo

 


A principal função do dízimo é formar e aprofundar os laços dentro da comunidade. Pessoas, como sabemos, são seres distintos. Cada um é um, individuais e livres. O ser humano é um animal social, criado para viver em comunidade. Nela, alcançam a plenitude por meio da comunhão. A vida espiritual consiste num processo de união crescente com os irmãos. O dízimo é uma maneira de crescer em comunhão entre as pessoas, com Deus e pessoalmente.

O dízimo não se reduz a uma prática, um método eficiente. Ele contém uma espiritualidade. Refere-se a uma teologia de comunhão. O que isso quer dizer? Se você quer saber se realmente deseja uma vida cristã comunitária, veja se estás disposto a partilhar um pouco os seus bens. Se não, pode esquecer-se de qualquer coisa mais sublime. Comunidade começa na partilha dos bens.

Ao narrar a formação das primeiras comunidades cristãs após Pentecostes, São Lucas, nos Atos dos Apóstolos assim diz: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração frequentavam todos os dias o templo, partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação”. (At 2, 44-47). É importante lembrar que as primeiras comunidades achavam que Jesus voltaria logo. Por isso, a radicalidade na partilha dos bens. Mas o que mais chama a atenção é que a partilha está num contexto de comunhão e participação ativa na Sinagoga. A prática do amor se dava na comunidade, não havendo necessitados.

O dízimo é uma maneira de compartilhar os bens que corresponde excelentemente ao seu estado de vida como membros de uma paróquia, onde a vida comunitária é real. A construção de uma comunidade paroquial passa pelo zelo no que se refere ao bem-estar do próximo, inclusive neste aspecto mais concreto como as necessidades físicas, financeiras e outras. Mas não é o espiritual que deve descer para o nível financeiro. Pelo contrário, é o nível econômico que deve subir para fazer parte do espiritual.

Uma paróquia é um megacorpo. Ela cuida de si mesma através de uma partilha de bens, que a capacita a cuidar de todas as suas necessidades. Mas não deve reduzir-se a automanutenção. Uma comunidade que pratica o dízimo deve igualmente criar um ‘olho’ para o pobre, também para o doente, para os jovens, para os anciãos, para a formação, para toda uma gama de necessidades. Se a paróquia não é família, o dízimo é só uma forma de assistência social, talvez melhor feita pelo governo.

A comunidade tem uma cabeça, e, se conhecemos algo de São Paulo, sabemos que a Cabeça do Corpo é o próprio Cristo. Esse corpo não é pluralista no sentido de que cada um e cada uma pensa o que quiser sobre os mais diversos temas. A paróquia deixa de ser católica se cada um tem sua teologia particular. Isto é a essência do protestantismo e radicalmente outra do que a ideia católica, onde há uma doutrina que marca o povo. Esta doutrina pode ser refletida, discutida, avaliada, brigada, mas o compromisso principal é chegar à unidade de visão.

A espiritualidade do dízimo, é a espiritualidade de comunhão, de comunidade. Onde todos são chamados a partilha e a unidade na diversidade. Não somos iguais. Temos histórias e experiências diferentes. Mas a meta é o céu. A partilha ajuda-nos a pensar não apenas nas necessidades físicas da comunidade, mas também naqueles menos favorecidos. Da mesma forma, nos ensina a sermos gratos por tudo o que recebemos das mãos do próprio Deus.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

O que é Dízimo?

 

O que incomoda na reflexão sobre o dízimo é, sem dúvida, a questão do dinheiro. As pessoas sempre fazem uma ligação entre dízimo e dinheiro. Na realidade, não deveria ser assim. A primeira ideia é que o dízimo não é uma questão de economia, mas sim de experiência de Deus na vida cristã. Não estamos lidando com uma campanha financeira!

Para as pessoas que têm pouca vivência cristã, ouvir falar sobre dízimo é sempre entender que o padre está a pedir dinheiro para a comunidade. Isso incomoda, intimida e desestimula a reflexão. Por isso, na maioria das vezes, o padre acaba delegando aos leigos a tarefa do dízimo.

São tantas as vezes que ouvimos a expressão: “Deus não necessita de dinheiro!”. E é certo que ele não o necessita. Mas a igreja, a pastoral e a caminhada da igreja se faz também com o dinheiro. A igreja o necessita para se manter, para a sua administração etc.

Dentro das igrejas, há muitos que, por diversos motivos, não aceitam a ideia de reservar uma parte de seus ganhos para o Senhor. O dízimo, embora sendo tão antigo quanto o Antigo Testamento, é, para a maioria dos católicos, algo assustador e desconhecido.

O católico – em geral – não sabe lidar com a ideia de dinheiro (aplicado à Igreja). Quando delegamos alguém para falar de tal assunto, observamos que essa pessoa se sente insegura e acaba passando a sua insegurança à assembleia. Como nos falta segurança e convicção, em consequência, o dízimo é sempre aquilo que conhecemos na comunidade. Por sinal sempre deficiente.

A necessidade do dinheiro nunca foi ensinada na Igreja. Falamos sempre em catequese, evangelização, promoção humana, assistência social aos menos favorecidos etc., mas nunca nos damos conta de que tudo isso é feito com dinheiro. Ele move, de certa forma, as nossas atividades religiosas.

A ideia de que dinheiro é sujo faz com que, na Igreja, ele nunca assuma seu devido lugar e importância. É certo também que podemos encontrar, nas Escrituras, vários cenários contrários em que o dinheiro assume o seu lado negativo. Vejamos alguns exemplos:

·         O resgate dos primogênitos dos filhos de Israel: Nm 3 (todo o capítulo);

·         A troca do dízimo por dinheiro: Dt 14,24-27;

·         O costume de vender a mulher por dinheiro: Dt 21,10-14;

·         A falsificação do peso e da medida: 1Rs 12,11;

·         O amor pelo dinheiro: Eclo 5,10; 7,12; 10,19;

·         A morte de Jesus por dinheiro: Mt 28,12;

·         Não comercializar o dom de Deus: At 8,9-24;

·         O amor ao dinheiro: 1Tm 6,10.

Jesus não condena de maneira absoluta a riqueza (Mc 10,17-30), não elogia a miséria ou a fome, mas ensina como usar os bens: com honestidade, justiça e caridade.

Certamente que, quando ouvimos falar sobre dinheiro, nos vem à mente a ideia de riqueza. Em geral, muito malvista pelos cristãos! De fato, a ideia da prosperidade abençoada por Deus nos faz pensar sobre muitos equívocos provocados por muitas igrejas. “Duas orientações da Igreja em como agir na evangelização atualmente. A indicação de que método é necessário evitar para não cair na tentação de valorizar a quantidade e os dividendos que isso pode gerar. A Igreja não é empresa; é continuadora da missão evangelizadora de Cristo” (Francisco Régis).

Mas então o que é o Dízimo?

O dízimo é uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio do qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e da Igreja. É uma forma concreta que o cristão tem de manifestar sua fé em Deus e seu amor ao próximo, pois deve ser, preferencialmente, por meio do dízimo que a Igreja se mantenha em atividade, sustente seus trabalhos de evangelização e realize as obras de caridade aos mais pobres e necessitados.

Dízimo é a demonstração de gratidão e reconhecimento a Deus por tudo o que recebemos e que somos. Dízimo é partilha que gera fraternidade. É o compromisso de cada cristão para, em comunidade, colaborar com o Projeto Divino neste mundo.

Apesar de significar 10%, é importante entender que o que vale é a fidelidade a Deus e a consciência de pertença e corresponsabilidade na manutenção da comunidade.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O que a Bíblia diz sobre o Dízimo?

 


Dentro da história bíblica, mais precisamente surge uma nova modalidade de oferta tendo em vista a manutenção da comunidade: o dízimo. Essa palavra vem do latim decimu e representa a doação da décima parte dos produtos adquiridos.

Em uma sociedade que se baseava no cultivo, o dízimo visava justamente socorrer os pobres e necessitados além de subsidiar o culto. Um exemplo prático: vamos supor que uma família da comunidade não colhesse o suficiente para alimentar sua família. O dízimo vinha de encontro a essa necessidade.

O dízimo dos patriarcas foi espontâneo. Somente em Números encontramos o dízimo como uma instituição divina, pois segundo o texto, é Deus quem determina que ele seja a herança da tribo de Levi, que se dedicava exclusivamente ao culto. Qual a finalidade? Reconhecer a absoluta primazia de Deus e sobretudo, manter o culto e os homens do culto.

O homem de fé, conhecedor do amor de Deus, sabedor das necessidades do Templo e voltado para os mais necessitados, esforçava-se para cumprir os preceitos de Deus contidos na Lei.

Conforme o espírito da lei de Moisés, o dízimo atende todas as dimensões da vida do povo de Deus: supre as necessidades do culto e do templo através do dízimo aos levitas e aos sacerdotes; realiza uma dimensão comunitária, quando o dízimo deve ser partilhado em uma refeição com os levitas e os da família; por último, acode também aqueles que nada ou pouco têm e foram sempre preciosos ao Senhor.

Não haverá verdadeira renovação da comunidade se não houver o compromisso de dar à comunidade os meios necessários para exercer a sua missão.

No Novo Testamento vemos que o Senhor veio aperfeiçoar a lei dada ao Povo Eleito por Deus através dos séculos e, neste intuito, não reprova o pagamento do dízimo por parte dos fariseus que eram seguidores minuciosos da Lei de Moisés.

São Paulo, na Carta aos Hebreus diz que o que se apresenta é a grandeza do sacerdócio de Cristo e a superação do sacerdócio levítico, que nas palavras do Apóstolo teve sua legislação abolida.

Na verdade, não se encontra no Novo Testamento nenhuma referência sobre o dízimo formalmente caracterizado como experiência de fé a partir dos preceitos contidos na Lei de Moisés. Mas isto não quer dizer que o novo Povo de Deus, no encontro com o Salvador, deixou de contribuir com a manutenção da comunidade e com os pobres. E como é belo ver nas páginas dos Atos dos Apóstolos e das cartas como os fiéis, que acolhiam o Reino de Deus no maior e mais belo encontro de suas vidas, colocavam seus bens a serviço dos discípulos e dos pobres. O próprio Jesus diz ao enviar os doze em missão que “o trabalhador tem direito a seu sustento” (Mt 10,9).

Em 1Cor 9,13-14 lemos: “Acaso ignorais que os que servem ao culto são alimentados pelo culto? E que os que servem ao altar participam do que é oferecido sobre o altar? Assim como o Senhor estabeleceu para os que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho”.

A disponibilidade interior era tão real a ponto de considerarem os bens como patrimônio comum e alguns chegavam até a vender campos e casas para resolver as necessidades de muitos. Porém, sempre houve hipocrisia: algumas pessoas gostavam de fazer de conta. Tinham uma fé aparente.

Resumindo

O Dízimo é um Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no antigo e no Novo Testamento. O dízimo do Antigo Testamento está ligado com a contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas.

Já o Dízimo do Novo Testamento deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e generosa.

Ou Seja, para nós católicos, não está definido que precisa ser 10% do salário nem que Deus irá amaldiçoar alguém por não contribuir com o dízimo.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Fundamentos do Dízimo


 

O dízimo é um Mandamento, uma expressão da vontade de Deus a todo o seu povo presente no Antigo e no Novo Testamento. O dízimo bíblico está ligado com a contribuição legal da décima parte dos bens das tribos de Israel para o sustento dos sacerdotes, órfãos e viúvas. “O levita que não recebeu parte nem herança com vocês, o migrante, o órfão e a viúva que vivem dentro das portas de sua cidade poderão vir para comer até ficarem satisfeitos” (Dt 14,29a).

No Novo Testamento, a contribuição deixou de corresponder precisamente aos 10%, e tornou-se o cumprimento do Mandamento do Amor, colocado em prática pela partilha alegre e generosa.

 

Fundamento Teológico

Tem como base o Plano de Deus e sua origem vem do Antigo Testamento, onde o povo reconhece que tudo vem de Deus. Quem tem fé, acredita na Palavra de Deus que nos diz que devemos ser sinal do amor de Deus no mundo e devemos oferecer nossa colaboração para que todos os irmãos vivam dignamente. “Tudo o que fizeste ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

 

Fundamento Comunitário

A comunidade é a família do povo de Deus que se ama, se une e se ajuda. Como membros de uma família, todos nós temos responsabilidade sobre al. É onde se testemunha o Cristo pela vivência da fraternidade como expressão de fé. “Todos os fiéis viviam e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2,44-45).

 

Fundamento Pastoral

Pastoral poderia ser definida como o modo pelo qual a Igreja constrói a si mesma, no seguimento da pessoa de Cristo. Assim sendo, todo cristão, como parte do povo de Deus, que é a Igreja, assume também tal missão e corresponsabilidade. O dízimo é uma forma de colaboração do anúncio do Reino, e, portanto, na missão evangelizadora da Igreja. No que se refere à missão evangelizadora da Igreja, o atual magistério o apresenta em paradigma missionário: “Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento não nos serve uma simples administração. Constituamo-nos em estado permanente de missão” (EG 25). “A razão da Igreja existir é anunciar o Evangelho” (AG. 2). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15) (DAp 551).


Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...