sexta-feira, 8 de março de 2024

As dimensões do Dízimo

A principal finalidade do dízimo é, efetivamente, contribuir com a missão evangelizadora da Igreja, o que é corroborado, inclusive, pelo quinto preceito apresentado no Catecismo da Igreja Católica: “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, com o esclarecimento que cada fiel o faça “conforme suas próprias possibilidades”. Com isso, sugere também, perspectivas para a Pastoral do Dízimo, segundo suas quatro dimensões que são: Religiosa, Missionária, Eclesial e Caritativa.

Por meio destas dimensões fica evidente que o dízimo tem por finalidade colaborar para a realização do culto divino e da evangelização, prover o sustento e formação dos agentes pastorais e do clero, concretizar a ação missionária da Igreja e participar da manutenção das obras de caridade.

O dízimo está profundamente relacionado à vivência da fé e à pertença a uma comunidade eclesial. Com efeito, através da fé bem compreendida, o fiel é levado a tomar parte nos vários aspectos da vida da comunidade e entender o que significa ser membro do Corpo de Cristo: “Vós todos sois o Corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12,27); “Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18).

 

Dimensão Religiosa

Tem a ver com a relação do cristão com Deus. Contribuindo com parte de seus bens, o fiel cultiva e aprofunda sua relação com aquele de quem provém tudo o que ele é em tudo o que ele tem, e expressa, na gratidão, sua fé e sua conversão. Essa dimensão, tratando da relação com Deus, insere o dízimo no âmbito da espiritualidade cristã. A partir da relação com Deus, a relação com os bens materiais e com seu correto uso, à luz da fé ganha novo significado (Lc 12,15-21; 1Tm 6,17-21). A consciência do valor esses bens e, ao mesmo tempo, de sua transitoriedade, leva os fiéis , ao contribuírem com o dízimo, à experiência de usar os bens materiais com liberdade e sem apego, buscando primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33) (CNBB, Doc. 106, 2016).

 

Dimensão Eclesial

Com o dízimo, o fiel vivencia sua consciência de ser membro da Igreja, pela qual é corresponsável, contribuindo para que a comunidade disponha do necessário para realizar o culto divino e para desenvolver sua missão. A consciência de ser Igreja leva os fiéis a assumirem a vida comunitária, participando ativamente de suas atividades e colaborando para que a comunidade viva cada vez mais plenamente a fé e mais fielmente testemunhe. Desse modo, cada fiel toma parte no empenho de todos e se abre as necessidades de toda a Igreja. O dízimo também oferece condições às paróquias e comunidades de contribuírem de modo sistemático com a Igreja particular, mantendo vivo o sentido de pertença a ela (CNBB, Doc. 106, 2016).

Na prática, parcela significativa dos recursos obtidos através da contribuição dizimal dos fiéis, são aplicados em tudo o que se refere às celebrações e à catequese. Serve para a manutenção da Igreja (limpeza, materiais diversos, luz, água, equipamentos de som e imagem), da catequese (recursos humanos e didáticos, formação e subsídios, espaço físico e infraestrutura), da liturgia, ou seja, tudo o que diz respeito ao culto divino (livros, cálices, cibórios, vestes, hóstias, vinho, velas, toalhas, etc.).

 

Dimensão Missionária

O fiel, corresponsável por sua comunidade, toma consciência de que há muitas comunidades que não conseguem prover suas necessidades com os próprios recursos e que precisam da colaboração de outras. O dízimo permite a partilha de recursos entre as paróquias de uma mesma Igreja particular e entre as Igrejsa particulares, manifestando a comunhão que há entre elas. De fato, em cada Igreja particular, na comunhão com as demais, está presente e atua a uma e única Igreja de Cristo. O dízimo contribui para o aprofundamento da partilha e da comunhão de recursos em projetos como o das paróquias-irmãs e o do fundo eclesial de comunhão e partilha, o fundo de solidariedade no âmbito da Igreja particular; e nos projetos “Igrejas-irmãs” e “Comunhão e Partilha”, em âmbito nacional (CNBB, Doc. 106,2016).

Por meio do dízimo, ajudamos os seminários, colaborando na formação de sacerdotes. O dízimo também deve servir para o envio de missionários, ensino e formação de agentes e lideranças, inclusive leigas, para atuar nas missões a que forem enviados pelas paróquias ou dioceses.

A Igreja é chamada a ser sinal e promotora do Reino de Deus. “Para isto existe a Igreja: para o Reino de Deus, que o Cristo glorificado, na força do Espírito, continua a realizar na hsitória humana”. Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se organiza em suas estruturas, funções e serviços. A gratuidade do serviço à humanidade, de modo particular aos mais necessitados, é o sinal mais visível de que o reino de Deus já se faz presente no mundo (Lc 4,16-30) (CNBB, Doc. 105, 242, p. 120).

 

Dimensão Caritativa

Que se manifesta no cuidado com os pobres, por parte da comunidade. Uma das características das primeiras comunidades cristãs era de que “entre eles ninguém passava necessidade”, pois tudo era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4,34-35). A atenção com os pobres e suas necessidades é uma característica da Igreja Apostólica. Ao reconhecerem a autenticidade do ministério de São Paulo, os apóstolos pediram que não se esquece dos pobres (cf. Gl 2,10). “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” e a caridade para com os pobres “é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência” (EG, n. 48) (CNBB, Doc. 106, 2016).

Deve ser preocupação constante da Igreja, acolher Jesus na figura do órfão, da viúva, do migrante, do pobre, do desempregado, do marginalizado (Mt 25,35-40). Assim, com base na dimensão caritativa do dízimo, ela deve dispor dos recursos que possibilitem proporcionar uma real promoção humana às pessoas empobrecidas e marginalizadas, isto é, não só socorrer nos momentos difíceis, mas capacitá-las através de um trabalho integral de promoção humana, para que possam viver com dignidade. As necessidades urgentes dos empobrecidos são: alimentos, roupas, remédios, passagens, etc. São carências que não podem ficar para amanhã, mas devem ser atendidas no exato instante em que a necessidade se manifesta. Portanto, a Igreja é chamada à prática da diakonia (serviço) da caridade também em nível comunitário, utilizando-se de uma organização articulada entre suas diversas equipes de pastoral.

 

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