A principal
finalidade do dízimo é, efetivamente, contribuir com a missão evangelizadora da
Igreja, o que é corroborado, inclusive, pelo quinto preceito apresentado no
Catecismo da Igreja Católica: “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, com o
esclarecimento que cada fiel o faça “conforme suas próprias possibilidades”.
Com isso, sugere também, perspectivas para a Pastoral do Dízimo, segundo suas
quatro dimensões que são: Religiosa, Missionária, Eclesial e Caritativa.
Por meio
destas dimensões fica evidente que o dízimo tem por finalidade colaborar para a
realização do culto divino e da evangelização, prover o sustento e formação dos
agentes pastorais e do clero, concretizar a ação missionária da Igreja e
participar da manutenção das obras de caridade.
O dízimo está
profundamente relacionado à vivência da fé e à pertença a uma comunidade
eclesial. Com efeito, através da fé bem compreendida, o fiel é levado a tomar
parte nos vários aspectos da vida da comunidade e entender o que significa ser
membro do Corpo de Cristo: “Vós todos sois o Corpo de Cristo e,
individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12,27); “Ele é a cabeça do
corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18).
Dimensão Religiosa
Tem a ver com
a relação do cristão com Deus. Contribuindo com parte de seus bens, o fiel
cultiva e aprofunda sua relação com aquele de quem provém tudo o que ele é em
tudo o que ele tem, e expressa, na gratidão, sua fé e sua conversão. Essa
dimensão, tratando da relação com Deus, insere o dízimo no âmbito da
espiritualidade cristã. A partir da relação com Deus, a relação com os bens
materiais e com seu correto uso, à luz da fé ganha novo significado (Lc
12,15-21; 1Tm 6,17-21). A consciência do valor esses bens e, ao mesmo tempo, de
sua transitoriedade, leva os fiéis , ao contribuírem com o dízimo, à
experiência de usar os bens materiais com liberdade e sem apego, buscando
primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33) (CNBB, Doc. 106, 2016).
Dimensão Eclesial
Com o dízimo,
o fiel vivencia sua consciência de ser membro da Igreja, pela qual é
corresponsável, contribuindo para que a comunidade disponha do necessário para
realizar o culto divino e para desenvolver sua missão. A consciência de ser
Igreja leva os fiéis a assumirem a vida comunitária, participando ativamente de
suas atividades e colaborando para que a comunidade viva cada vez mais
plenamente a fé e mais fielmente testemunhe. Desse modo, cada fiel toma parte
no empenho de todos e se abre as necessidades de toda a Igreja. O dízimo também
oferece condições às paróquias e comunidades de contribuírem de modo
sistemático com a Igreja particular, mantendo vivo o sentido de pertença a ela
(CNBB, Doc. 106, 2016).
Na prática,
parcela significativa dos recursos obtidos através da contribuição dizimal dos
fiéis, são aplicados em tudo o que se refere às celebrações e à catequese.
Serve para a manutenção da Igreja (limpeza, materiais diversos, luz, água,
equipamentos de som e imagem), da catequese (recursos humanos e didáticos,
formação e subsídios, espaço físico e infraestrutura), da liturgia, ou seja,
tudo o que diz respeito ao culto divino (livros, cálices, cibórios, vestes,
hóstias, vinho, velas, toalhas, etc.).
Dimensão Missionária
O fiel,
corresponsável por sua comunidade, toma consciência de que há muitas
comunidades que não conseguem prover suas necessidades com os próprios recursos
e que precisam da colaboração de outras. O dízimo permite a partilha de
recursos entre as paróquias de uma mesma Igreja particular e entre as Igrejsa
particulares, manifestando a comunhão que há entre elas. De fato, em cada
Igreja particular, na comunhão com as demais, está presente e atua a uma e
única Igreja de Cristo. O dízimo contribui para o aprofundamento da partilha e
da comunhão de recursos em projetos como o das paróquias-irmãs e o do fundo
eclesial de comunhão e partilha, o fundo de solidariedade no âmbito da Igreja
particular; e nos projetos “Igrejas-irmãs” e “Comunhão e Partilha”, em âmbito
nacional (CNBB, Doc. 106,2016).
Por meio do
dízimo, ajudamos os seminários, colaborando na formação de sacerdotes. O dízimo
também deve servir para o envio de missionários, ensino e formação de agentes e
lideranças, inclusive leigas, para atuar nas missões a que forem enviados pelas
paróquias ou dioceses.
A Igreja é
chamada a ser sinal e promotora do Reino de Deus. “Para isto existe a Igreja:
para o Reino de Deus, que o Cristo glorificado, na força do Espírito, continua
a realizar na hsitória humana”. Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se
organiza em suas estruturas, funções e serviços. A gratuidade do serviço à
humanidade, de modo particular aos mais necessitados, é o sinal mais visível de
que o reino de Deus já se faz presente no mundo (Lc 4,16-30) (CNBB, Doc. 105,
242, p. 120).
Dimensão Caritativa
Que se manifesta
no cuidado com os pobres, por parte da comunidade. Uma das características das
primeiras comunidades cristãs era de que “entre eles ninguém passava
necessidade”, pois tudo era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At
4,34-35). A atenção com os pobres e suas necessidades é uma característica da
Igreja Apostólica. Ao reconhecerem a autenticidade do ministério de São Paulo,
os apóstolos pediram que não se esquece dos pobres (cf. Gl 2,10). “A opção
preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” e a caridade para
com os pobres “é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão
irrenunciável da sua própria essência” (EG, n. 48) (CNBB, Doc. 106, 2016).
Deve ser
preocupação constante da Igreja, acolher Jesus na figura do órfão, da viúva, do
migrante, do pobre, do desempregado, do marginalizado (Mt 25,35-40). Assim, com
base na dimensão caritativa do dízimo, ela deve dispor dos recursos que
possibilitem proporcionar uma real promoção humana às pessoas empobrecidas e
marginalizadas, isto é, não só socorrer nos momentos difíceis, mas capacitá-las
através de um trabalho integral de promoção humana, para que possam viver com
dignidade. As necessidades urgentes dos empobrecidos são: alimentos, roupas,
remédios, passagens, etc. São carências que não podem ficar para amanhã, mas
devem ser atendidas no exato instante em que a necessidade se manifesta.
Portanto, a Igreja é chamada à prática da diakonia (serviço) da caridade
também em nível comunitário, utilizando-se de uma organização articulada entre
suas diversas equipes de pastoral.

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