sábado, 14 de dezembro de 2024

3º Domingo do Advento

 


O 3º domingo do tempo do advento, também chamado ‘Domingo da Alegria’, pode girar à volta da pergunta: “E nós, o que devemos fazer?” Preparar o “caminho” por onde o Senhor vem significa questionar os nossos limites, o nosso egoísmo e comodismo e operar uma verdadeira transformação da nossa vida no sentido de Deus.

Na primeira leitura, da profecia de Sofonias, encontramos o grande tema da alegria. É um encorajamento à Sião a alegrar-se, a cantar de alegria e de todo o coração. É um estímulo aos fiéis a levantar a cabeça e recobrar a dignidade, pois o Senhor está em nosso meio. Que a vida não é fácil, todos sabemos. Que nem sempre estamos motivados, também. O Natal, muito mais do que celebrar uma data quer nos mostrar que Deus jamais nos abandona, e quando nos damos conta disso, erguemos a cabeça felizes por sabermo-nos seus filhos.

Na segunda leitura o tema persiste através da Carta de São Paulo aos Filipenses. O apóstolo motiva-nos a alegrarmo-nos no Senhor. Quem se reconhece filho de Deus sabe que Ele é um Pai de Misericórdia ao qual podemos apresentar nossas necessidades em forma de orações e súplicas. Mas São Paulo admoesta que devemos pedir sem nunca esquecer de render ação de graças. Ou seja, tudo o que vem de Deus é graça!

E a pergunta central do Evangelho – E nós, o que devemos fazer? – poderia ser resumida em: ‘fazer o bem a todos sempre’. João sabe qual é o seu papel dentro da história da salvação. Sabe que o seu dever é preparar os caminhos do Senhor. Para tanto, é preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar; é preciso quebrar os esquemas de exploração e de imoralidade e proceder com justiça; e é preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar absolutamente a dignidade dos nossos irmãos. O Evangelho avisa-nos, ainda, que o cristão é ‘batizado no Espírito’, recebe de Deus vida nova e tem de viver de acordo com essa dinâmica.

Em nossa caminhada do advento, nesse domingo acenderemos a vela rosa, cora da alegria.

 

1ª Leitura: Sf 3,14-18a

2ª Leitura: Fp 4,4-7

Evangelho: Lc 3,10-18

Salmo

“Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Tempo de Advento

 


Celebrar o Natal significa, antes de tudo, celebrar o nascimento de Jesus, filho de Maria e filho de Deus. O nome original da festa é “Natal do Senhor”. No calendário litúrgico, esta festa é preparada pelo Advento e seguida por uma série de festas como a da Sagrada Família, da Mãe de Deus, da Epifania ou manifestação do Senhor aos povos, também chamada de ‘festa dos reis’, e a festa do batismo de Jesus. No ciclo natalino, no qual celebramos o mistério da encarnação, a vinda do Senhor que se insere na história dos homens: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1,14). Ou seja, celebramos o mistério da encarnação do Senhor.

Adento era um termo conhecido entre os pagãos para designar a vinda da divindade ao templo, a visita à cidade a ela consagrada. Da mesma forma, com esta palavra também se denominava a vinda de autoridades com domínio sobre determinadas regiões. Os cristãos usaram esta mesma palavra para significar a maior vinda, a vinda do Messias, que não veio somente para uma cidade ou região, mas para todas as nações.

O Advento hoje compreende as quatro semanas que antecedem o Natal. São quatro semanas nas quais os cristãos se preparam em clima de esperança e confiança para acolher jesus. A liturgia do Advento comemora as duas vindas do Senhor Jesus. Na primeira parte, do início até o dia 15 de dezembro, acentua a segunda vinda de jesus, no fim dos tempos: “Este Jesus que acaba de ser elevado aos céus voltará do mesmo modo que o vistes subir para os céus” (At 1,11). Na segunda parte, a partir do dia 16 de dezembro, a liturgia acentua o nascimento histórico de Jesus, em Belém, da Virgem maria. É, pois, um tempo de alegre espera. O mistério da encarnação e redenção é expresso em linguagem simbólica.

É costume entre nós iniciarmos o advento com uma coroa de ramos verdes e quatro velas. O verde representa toda a natureza que está a espera do Salvador. As velas, representam os quatro domingos do advento e são acesas sucessivamente em cada final de semana significando a espera vigilante na fé.

A coroa do advento também quer simbolizar o tempo, desde a criação do mundo até o fim dos tempos. O aumento progressivo das velas acesas quer significar que o tempo da história está sob a luz de Cristo. O Advento quer lembrar-nos de que Jesus continua sendo esperado por todos aqueles aos quais ainda não foi anunciado. Lembra-nos de que Jesus chega diariamente ao mundo dos homens, no coração daquele que crê e daquele que abre a porta de seu coração para o Cristo. Advento é tempo de espera do Senhor. Mas não é tempo de acomodação. É tempo de renovar a fé e a vida.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Bem-Vindo, Jesus Cristo!

 


É Natal mais uma vez! Canta um tradicional hino. Sim! É Natal novamente. Cristo nasce em nossos corações, em nossos lares, em nossa comunidade para a humanidade. Nasce na simplicidade de um presépio e é colocado numa rústica manjedoura, querendo nos mostrar que Ele se contenta com aquilo que é de mais simples e sincero. Todos podemos partilhar de nossa vida com Jesus e com os irmãos. Após quatro semanas de preparação através do tempo do advento, dizemos alegremente como os anjos: Jesus Cristo nasceu! Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade!

Tudo converge para aquela manjedoura que nos ensina a acolher a todos. Tudo se dirige para aquela cena. Nosso coração deve ser como aquele cocho. É importante enfeitarmos nossas casas, nossos pátios. Geralmente nessa época do ano fazemos uma grande faxina em casa, como que dizendo que queremos iniciar o ano com tudo no seu devido lugar. Ora, também devemos fazer uma faxina em nossos corações. Por mais humilde que fosse aquela manjedoura, certamente José e Maria a limparam bem para colocar o Menino Jesus. Era uma cama simples, talvez nem tão confortável, mas limpinha e quentinha.

Sempre que revejo a cena do Natal através dos tantos presépios montados nas casas e igrejas, me emociono. Maria e José tiveram quer ir para aquela estrebaria, pois não achavam lugar nas estalagens. Estavam cheias de visitantes que vinham para o recenseamento. E da mesma forma que repetimos o gesto de montar o presépio todos os anos, revemos os corações lotados de visitantes não sobrando lugar para a Sagrada Família. É uma pena que para muitos, o papai noel (faço questão de escrever com letra minúscula), os presentes, as ceias fartas, porém comumente rodeadas de corações vazios, ocupem o lugar central. É lamentável vermos tanta inquietação, tanta algazarra. Jesus é simples. É manso e humilde de coração. Isso deveria nos encantar!

Irmão, como está o teu coração-manjedoura? Como você preparou a estalagem para acolher esse Menino? Amigo, me pergunto todos os anos onde ficou a simplicidade do Natal?

Celebre o Natal com seus familiares, amigos, vizinhos. Reúna-se em torno da mesa. Troque presentes. Tudo isso é importante. Mas não se esqueça do motivo da festa.

Bem-Vindo, Jesus Cristo! E a vocês queridos paroquianos, um feliz e abençoado Natal repleto de simplicidade, amor e paz que brotam da manjedoura!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

27º DTC - ... e serão uma só carne!

 


As leituras propostas para o 27º Domingo do Tempo Comum apresentam, como tema principal, o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: formar uma comunidade de moar, estável e indissolúvel, que os ajude mutuamente a realizarem-se e a serem felizes. Esse amor, feito doação e entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus.

A primeira leitura diz-nos que Deus criou o homem e a mulher para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão ‘uma só carne’. Ser ‘uma só carne’ implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. Adão exclama: “... é osso dos meus ossos e carne da minha carne!” Em sua companheira há algo dele e nele, há algo dela.

Na Carta aos Hebreus, proposta na segunda leitura, encontramos a ‘qualidade’ do amor de Deus pelos homens. Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o seu Filho único ‘em proveito de todos’. Jesus, o Filho, solidarizou-Se com os homens, partilhou a debilidade dos homens e, cumprindo o projeto do Pai, aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a vida verdadeira está no amor que se dá até às últimas consequências.

E no Evangelho, Jesus, confrontando com a Lei judaica do divórcio, reafirma o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projeto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projeto primordial de Deus para o homem e para a mulher.

Ligando o texto da Carta aos hebreus com o tema principal da liturgia deste domingo, podemos dizer que o casal cristão deve testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.

 

1ª Leitura: Gn 2,18-24

2ª Leitura: Hb 2,9-11

Evangelho: Mc 10,2-16

Salmo

“O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Quem somos?

 


Conforme vimos no último vídeo, a missão da Igreja Católica começa em Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade e culmina na igreja particular, ou seja, nas dioceses espalhadas pelo mundo. A diocese de Montenegro é formada por 30 paróquias. Dentre elas, a nossa.

Dom João Becker, Arcebispo de Porto Alegre, criou a Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Arroio Grande (primeiro nome do município) no dia 14 de abril de 1921 nomeando como vigário o Padre Alberto Schwade. Nesta data, já havia no município (3º distrito de Taquari) as capelas São José de Santa Manoela, Sagrado Coração de Jesus de Linha Brasil (ou Nova Áustria) e São Pedro de Boa Esperança Alta. A antiga igreja matriz localizava-se onde hoje é a garagem do lar porto seguro.

No dia 18 de abril de 1927, embora já tenha iniciado as tratativas para construção da nova Matriz (provavelmente trabalhos de limpeza e terraplenagem do terreno somente), é lançada a pedra angular da igreja. No dia 02 de setembro de 1946, por volta das 10 horas, foi colocada a cruz no topo da igreja.

A paróquia atualmente conta com 11 capelas além de 4 oratórios e dois pontos de celebrações sendo eles Morro dos Feyh e Lar Porto Seguro.

A pastoral para atendimento dessas comunidades está dividida em três áreas

 

Pela área 1

  • ·         Matriz Nossa Senhora do Rosário
  • ·         Nossa Senhora Aparecida, no Morro Bonito
  • ·         São José, no Morro dos Bello
  • ·         E Imaculado Coração de Maria, na Cidade Baixa

 

Pela área 2

  • ·         São Pedro, na Boa Esperança Alta
  • ·         Nossa Senhora da Assunção, na Boa Esperança Baixa
  • ·         São Paulo, na Pedra Grande
  • ·         Nossa Senhora da Conceição, no Cachimbos
  • ·         São Miguel, no Morro dos Cavalos
  • ·         Santa Teresinha, no Morro Azul
  • ·         Nossa Senhora Aparecida, nos Três Irmãos
  • ·         E Santo Antônio, na Cabriúva

 

E Pela área 3

  • ·         Sagrado Coração de Jesus, na Linha Brasil
  • ·         São José, na Santa Manoela
  • ·         E Santo Alberto Magno, na Bela Vista

 

 "ORAI SEM CESSAR" (Ts 5,17).

Temos em nossa paróquia, diversos movimentos e grupos que fomentam a oração em nossa paróquia. São Eles: 

  • ·         O Apostolado da Oração
  • ·         ECC
  • ·         Cenáculo de Maria
  • ·         Renovação Carismática Católica, com o grupo Colo de Maria.
  • ·         As Capelinhas de Nossa Senhora
  • ·         O Terço dos homens
  • ·         As mães que rezam pelos filhos
  • ·         O Cursilho jovem
  • ·         E estamos trabalhando para trazer novamente o CLJ, Curso de Liderança Juvenil.


"ASSIM TAMBÉM A FÉ: SE NÃO TIVER OBRAS, É MORTA EM SI MESMA".   (Tg 2,17)

Também temos várias iniciativas pastorais que visam fazer a nossa igreja acontecer também fisicamente. 

Pela Iniciação à vida cristã, temos A Pastoral do Batismo e a catequese, dividida ao longo de quatro anos.

Temos também a pastoral litúrgica, para a preparação das celebrações.

A pastoral da comunicação concentra-se na divulgação através das mídias sociais dos eventos paroquiais bem como na transmissão das santas missas.

Os ministros extraordinários, além da distribuição da santa eucaristia nas missas, fazem celebrações quando solicitados e visitam os enfermos de nossa paróquia.

A pastoral do Dízimo, que fomenta a partilha para manutenção da paróquia.

A pastoral Vocacional, que além de trabalhar com os coroinhas leva meninos e meninas ao conhecimento das vocações específicas.

Quem prepara os jovens casais de namorados que pretendem formar uma família através do sacramento do matrimônio é a pastoral dos noivos.

Alguns ministros extraordinários ajudam realizando exéquias (enterros) quando o padre não pode. Estamos formando um grupo que irá auxiliar na elaboração de um estatuto para os cemitérios de nossa paróquia.

A partir do mês de novembro a paróquia também terá a pastoral da pessoa idosa, uma pastoral social que irá dar atenção a tantos irmãos mais vividos que fazem parte de nossa igreja.

A paróquia Nossa Senhora do Rosário é o conjunto de todas as comunidades, pastorais e movimentos. Não é possível concebê-la isoladamente. É muito maior do que a soma das partes. Por isso não existe comunidade católica isolada do contexto paroquial.


Juntos somos a paróquia nossa Senhora do Rosário de Paverama!


Paróquia, comunidade de comunidades!

 


A mensagem cristã, ao longo de séculos através do povo de Deus precisou se renovar não no conteúdo, mas na forma. Precisamos entender qual é a nossa missão como cristãos e qual a missão da igreja dentro da sociedade nos nossos dias.

A paróquia continua sendo uma referência para os batizados. Praticamente todos os meses são batizados novos membros da igreja trazidos pelos seus pais muitas vezes por tradição. Porém há dificuldades para que seus membros se sintam participantes de uma autêntica comunidade cristã...

Surge um novo desafio: renovar a paróquia em vista da MISSÃO.

O Papa Francisco nos diz: “a paróquia não é uma estrutura caduca, precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade.” (EG , 28)

É difícil falarmos em comunidade nos dias atuais por causa do individualismo que impera nos relacionamentos modernos. Enfraqueceram-se os vínculos comunitários. Se antigamente, as sociedades de futebol, por afinidade ou até mesmo por famílias eram fortes, atualmente não se pensa mais assim. Não se pensa mais no outro para ajudar. Impera o utilitarismo e o próximo só se torna ‘importante’ na medida em que me serve.

Isso também se faz presente nas áreas rurais. O acesso às informações também está criando dificuldades relativas ao vínculo comunitário. Os meios de comunicação mudam os hábitos e as atitudes. Criam necessidades e desejos no consumismo e na religião.

Está acontecendo um novo cenário da FÉ e da RELIGIÃO sem a INSTITUIÇÃO. Mais ligada ao interesses pessoais... Não tem mais normas fixas... Mas também o povo se sente desorientado (o que é certo, o que é errado?) ... Gerando uma fragmentação da vida e da cultura...

Surge a religião à la carte. Eu me relaciono com Deus da minha forma. Não preciso de comunidade. A Igreja é uma mera formalidade, instituída para suprir minhas necessidades. Religião é uma síntese de várias doutrinas das quais eu seleciono o que me interessa.

Dentro desse panorama existem paróquias que se limitam a realizar suas atividades no atendimento sacramental e devoções... A evangelização consiste na CATEQUESE DE INSTRUÇÃO da fé, sem Iniciação à Vida Cristã... A administração e responsabilidade concentram-se, exclusivamente, no padre... Não há preocupação missionária, esperando que as pessoas procurem a Igreja...

Mais uma vez, escutemos nosso Papa que diz: “A pastoral em chave missionária exige abandono deste cômodo critério pastoral: ‘ FEZ SE SEMPRE ASSIM’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades” (EG n° 33).

Atenção! Cada vez mais vêm surgindo cristãos que formam grupos fechados, sem comunhão com a Igreja Particular, com interesses particulares e fundamentalistas. São também frutos desse tempo individualista e utilitarista.

Na fé cristã não há lugar para “capelas” fechadas, em forma de sociedade ou clube... Que vivem em função de festas, almoços, bingos e bailes... A função da igreja não é essa. O objetivo de Jesus é totalmente outro. Não que não se possam ter quermesses. Mas as comunidades não devem viver em função disso.

Desperdiçamos muita energia em manter estruturas. É preciso abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé. Muitos me dizem: “padre, no tempo do meu avô, essa comunidade era muito forte. Aconteciam festas gigantescas e muitas pessoas participavam da igreja”. Sempre respondo da mesma forma: “Os tempos mudaram. Precisamos chegar nos corações dos católicos de hoje. Se naquele tempo deu certo para seu avô, hoje é diferente. Muita coisa mudou. E nós também precisamos mudar!”

E você, está disposto a mudar?

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

SANTO DO DIA: São Gregório Magno

 


O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do evangelho que diz: “Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me”.

Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.

Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.

Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.

Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.

Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.

Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.

“Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o ‘ideal do pastor’. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas, mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores’”.

Gregório passou seus últimos anos doente, acamado, mas continuando a redigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade. 

Do livro: “O Santo do Dia”, de Dom Servilio Conti, I.M.C.

Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

  Nesse final de semana celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Tal celebração, para nós católicos, é dogma de fé. Foi definido pelo papa Pi...