A palavra páscoa significa passagem. Nós cristãos herdamos a tradição da festa pascal anual do judaísmo, porém, com um novo sentido. Os judeus celebram anualmente a Páscoa recordando a libertação da escravidão no Egito. Deus libertou-os fazendo com eles uma aliança (Ex 3,12-20). Celebramos a morte redentora e a ressurreição gloriosa de Cristo, que é fonte de vida nova para todos os homens.
No calendário litúrgico, o ciclo da Páscoa compreende a quaresma, o tríduo pascal, a Páscoa do Senhor e o tempo que vai até Pentecostes. A quaresma são os quarenta dias a contar da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa, nos quais a liturgia da Igreja convida a todos os fiéis a se prepararem para a Páscoa do Senhor através da conversão.
O número 40 está ligado a vivências importantes do povo de Deus no Antigo Testamento. O povo andou errante 40 anos no deserto até a Terra Prometida. O profeta Elias desanimado e prostrado, come o pão que o anjo lhe apresenta e, fortalecido, caminha 40 dias até o Horeb. Enfim, o número 40 lembra a experiência intensa do povo com Deus.
Já no Novo Testamento, a vida pública de Jesus é iniciada com um retiro de 40 dias no deserto em Jejum e oração. Logo após o batismo, o Espírito impeliu Jesus para o deserto, permanecendo aí durante 40 dias, tendo sofrido a tentação do demônio (Mc 1,12-13).
Durante a quaresma, toda a liturgia gira tem torno de dois temas centrais: o batismo e a penitência. Pelo batismo fomos inseridos na família eclesial, ou seja, fomos acolhidos na Igreja.
Quanto à penitência, o Concílio Vaticano II ensina que “a penitência quaresmal não deve ser somente interna e individual, mas também externa e social” (SC 110). Neste sentido, o profeta Isaías diz que “o jejum verdadeiro consiste em libertar os cativos, acabar com a opressão, dividir o pão com o pobre, hospedar os que não têm casa, vestir o nu” (Is 58,3-12). Por esta razão, a Igreja pede abstinência aos que têm mais de 14 anos de idade e o jejum aos que tiverem completado 18 anos e menos de 60 anos de idade, na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa.
A quaresma é um apelo ao cristão a intensificar sua intimidade com Deus. Somos convidados a celebrarmos bem esse momento de reencontro com Deus, com os irmãos e conosco. Através das celebrações e da Campanha da Fraternidade nos aproximemos desse Deus rico em misericórdia e preparemos os nossos corações para a Páscoa do Senhor. “Eis o tempo de conversão”.

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