No início da Quaresma, a Palavra de Deus nos faz
pensar sobre as nossas opções de vida e a tomar consciência das tentações que
nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida em Deus.
Na primeira leitura, vemos Moisés falando ao povo a importância
de um profundo reconhecimento da sua dura história de escravidão e da bondade de
Deus que esteve ao seu lado durante todo o tempo. O Senhor foi presença
constante na caminhada do povo não deixando nada faltar até a sua libertação. Oferecer
o que há de melhor para Ele é um alerta contra a tentação do orgulho e da
autossuficiência, que nos levam a caminhos de egoísmo e de desumanidade, de
desgraça e de morte.
São Paulo alerta a comunidade de Roma, na segunda
leitura, que um cristão tem ‘a faca e o queijo’ na mão, pois a Palavra está na
sua boca e em seu coração. Ora, se a Palavra se fez carne e habitou entre nós,
e é o próprio Filho de Deus, concluímos que Jesus deve ser confessado pela
nossa boca, e sua ressurreição deve ser acreditada com fé em nossos corações,
uma vez que se deu na história. A salvação está ao alcance de todos. Não é uma
conquista do ser humano, mas um dom gratuito de Deus. É preciso, pois ‘converter-se’
a Jesus, isto é, reconhecê-lo como ‘Senhor’ e acolher no coração a salvação
que, em Jesus, Deus propõe.
E o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma traz as
tentações de Cristo. É uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que
Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito
fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não
passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações
espetaculares, que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena,
apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido
aos que seguem Jesus.
A salvação é um dom de Deus a humanidade. Mas é também
uma livre adesão do homem que aceita a cruz de Cristo renegando as tentações do
mundo. O deserto é um lugar de solidão onde o homem encontra-se com Deus e
consigo mesmo ao provar sua fidelidade à proposta divina. Não é caminho fácil. Exige
renúncia de si mesmo e dar-se plenamente, sem reservas. As tentações do prazer,
do ter e do poder podem significar muito nesse mundo. Porém, nada representam
comparado ao Reino de Deus.
1ª LEITURA: Dt 26,4-10
2ª LEITURA: Rm 10,8-13
EVANGELHO: Lc 4,1-13
SALMO:
“Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!”

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