A liturgia desse 2º domingo do tempo comum mostra que
Deus jamais abandona seu povo renovando sua esperança e trazendo a verdadeira
alegria. Porém, cada batizado deve colocar seus dons a serviço do bem comum.
Já na primeira leitura vemos Isaias dizendo que não
irá se calar enquanto não ver a justiça reinar em Jerusalém. O profeta relembra
de que Javé nunca abandonou seu povo eleito e que sim, mesmo diante das intempéries
e dificuldades é um Deus presente, que caminha ao nosso lado.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo esclarece que o
povo de Deus deve formar uma unidade na diversidade e não uma uniformidade. O Espírito
distribui os dons conforme lhe apraz, mas são os homens em sua liberdade que
colocam tais presentes a serviço dos irmãos. Tudo em vista do bem comum, para a
edificação da comunidade.
E o evangelho nos presenteia com a belíssima passagem
das bodas de Caná, onde Jesus inicia os sinais publicamente. Maria ao notar que
a família dos noivos não tinha mais vinho para servir, recorre a seu filho
pedindo que Ele viesse em socorro daquilo que poderia se tornar um vexame. Jesus
realiza o milagre transformando a água em vinho, e esse se torna tão bom que
até mesmo o mestre-sala admira-se de sua excelência. No relato, diz-se que havia
seis talhas. Na bíblia, o número seis é considerado imperfeito, em
contraposição ao sete, que é o número da perfeição. Com isso entendemos que a
sétima talha é o próprio Cristo, que se apresenta como a verdadeira e plena
alegria da festa e que sem Ele, nenhuma alegria pode ser perene.
A fé supõe a natureza. Deus ajuda, mas o ser humano
deve colocar seus dons a serviço dos irmãos em vista do bem-comum. Jesus
transforma a água em vinho, mas precisa das talhas imperfeitas e limitadas que
são os homens. Não existe na Igreja ministério melhor do que o outro. Todos são
importantes. Cada talha, do seu tamanho é importante para que todos tenham
alegria.
As vezes vemos dentro da igreja uma competição nociva,
onde cada um quer parecer ser melhor do que os outros. Pobres talhas. Só a
sétima talha é perfeita. Não entendem que é no serviço desinteressado e gratuito
que juntos edificamos o corpo de Jesus, que jamais nos abandona.
Tenhamos a humildade de Maria de recorrer a Jesus em
meio as infelicidades da vida e saibamos reconhecer que sem Ele nunca teremos a
verdadeira alegria. Coloquemos os nossos dons a serviço da comunidade não em
vista de vanglória ou vaidade, mas em vista do bem comum. Todos se beneficiam
quando cada um coloca um pouquinho de si a disposição.
1ª Leitura: Is 62,1-5
2ª Leitura: 1Cor 12,4-11
Evangelho: Jo 2,1-11
Salmo:
“Cantai
ao Senhor Deus um canto novo, manifestai os seus prodígios entre os povos!”

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