Nesse terceiro
domingo do tempo comum, a liturgia concentra-se em mostrar a cada batizado a
sua dignidade de filho muito amado de Deus e sua missão dentro do corpo
místico, que é a Igreja, colocando seus dons a serviço da edificação da
comunidade.
Já na primeira
leitura, vemos Esdras reunindo a assembleia para apresentar-lhe a Lei. Cada palavra
era ouvida com atenção e assimilada a tal ponto daquelas pessoas chorarem
diante daquilo que estava sendo lido. Esdras deixa claro que aquele é um dia
consagrado ao Senhor e, portanto, não pode ser um dia de pranto ou tristeza e
sim de alegria. Mas não qualquer alegria. Uma alegria que vem do Senhor e que
traz força para todos caminharem juntos.
A segunda leitura, da
primeira carta aos Coríntios, vemos o apóstolo Paulo mais uma vez chamando a atenção
da comunidade para a unidade na diversidade. Todo batizado pertence ao corpo
Místico do Senhor cuja cabeça é o próprio Cristo. Assim como no corpo humano,
cada membro desempenha uma função específica, na Igreja acontece o mesmo: não
existe membro melhor em detrimento de outro. Deus não faz acepção de pessoas. Todos
são importantes. Se um sofre, todo o corpo sofre. Se um se alegra, todos se
alegram. E assim a comunidade se beneficia daquilo que é específico de cada
indivíduo.
A primeira parte do
Evangelho apresenta o início do Evangelho de Lucas, onde o evangelista mostra
seu registro sobre todos os acontecimentos acerca da vida de Jesus,
ensinamentos e obras. Depois, pula-se para o capítulo quarto, onde Jesus ao
voltar para a cidade onde se tinha criado, Nazaré, vai como de costume à
Sinagoga e lê uma passagem do livro do profeta Isaías que justamente fala sobre
Ele. Primeiramente diz que o Espírito de Deus está sobre Ele e o envia em
missão. Depois, explicita as cinco dimensões de sua missão: Anunciar a Boa-Nova
aos pobres; proclamar a libertação aos cativos; recuperar a vista aos cegos;
libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor.
Ao anunciar a Boa-Nova
aos pobres, Jesus reforça o ensinamento de Paulo mostrando que todos os batizados
são importantes e têm assegurada sua dignidade. Ao proclamar a libertação os
cativos, lembra que o ser humano é livre para segui-lo, pois ele acolhe a todos.
O pecado já não é mais uma condenação, mas um convite para uma mudança
consciente de vida. Ao recuperar a vista aos cegos, Jesus cura da cegueira
humana que o prende ao plano material, revelando que a salvação vai além
daquilo que os olhos podem ver. Ao libertar os oprimidos, o Senhor mostra que
somos filhos de Deus, e assim, somente Ele está acima de nós. Nenhum homem tem
o poder de subjugar seu irmão. E ao proclamar o ano da graça do Senhor, vemos a
confirmação daquilo que Esdras anuncia na primeira leitura: a alegria do Senhor
é a nossa força. Nada nesse mundo pode ser comparado com aquilo que Deus tem
reservado para nós.
Como membros, devemos
colocar nossos dons individuais ao serviço da comunidade. Todos juntos
edificamos esse corpo. Aos olhos de Deus, todos filhos muito amados e, com igual
dignidade, somos propagadores da verdadeira alegria.
1ª Leitura: Ne 8,2-4a.5-6.8-10
2ª Leitura: 1Cor 12,12-30
Evangelho: Lc 1,1-4;4,14-21
Salmo
“Vossas palavras,
Senhor, são espírito e vida!”

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