terça-feira, 17 de dezembro de 2024

São Nicolau - o verdadeiro Papai Noel!

 


São Nicolau foi um dos santos mais populares de todos os tempos.

Contudo, nem sempre a devoção popular sabe das razões de seu extremado devotamento, pois se deixa facilmente levar pelas lendas fantasiosas que a tradição tece sobre a vida de certos santos antigos. Entre estes inclui-se, sem dúvida, São Nicolau, bispo de Mira, na Ásia Menor.

Mesmo livre das estórias lendárias, a figura de São Nicolau emerge como um gigante. Filho de pais ricos e piedosos, Nicolau nasceu por volta do ano 275 na Lícia, hoje Turquia. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde exerceu seu ministério. Como sacerdote desdobrou-se em amor e dedicação na evangelização e conversão dos pagãos, num clima de perseguição religiosa.

Nicolau é conhecido, sobretudo, pela extremada caridade para com os pobres. Distribuiu entre eles a fortuna herdada de seus pais. Em sua vida registra-se o caso de três moças cujo pai pobre, não podendo fornecer dotes para o casamento, aconselhava as filhas a se entregarem à prostituição. Nicolau, ao saber disso, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens.

Este episódio deu motivo à fantasia dos países do norte da Europa de verem Nicolau, sob o nome de Claus, o velho de barbas brancas, que levava presentes às crianças, exatamente no dia seis de dezembro.

Após a morte do bispo de Mira, Nicolau foi eleito seu sucessor. A obediência obrigou Nicolau a deixar o doce remanso da solidão e assumir as responsabilidades de bispo.

Em pouco tempo conquistou a simpatia de todos. Sua caridade e bondade sem par, seu zelo, seu espírito de oração o tornaram conhecido e chamado por toda a Ásia Menor. Deus, por sua vez, brindou-o com o poder de milagres em favor, sobretudo, dos doentes.

Historiadores gregos dizem que Nicolau foi preso durante a perseguição de Diocleciano por volta do ano 310. O santo bispo sustentou corajosamente a dura prisão e várias torturas e já estava para ser processado e condenado à morte, quando foi publicado o edito de Milão, em 313, concedendo a liberdade religiosa.

Nicolau foi um dos bispos que participaram do Concílio de Nicéia em 325, onde, contra a heresia ariana, foi definida a divindade de Cristo declarado consubstancial ao Pai. No início do Concílio, Nicolau presenciou uma cena de indescritível emoção: Constantino Magno, o imperador de Roma que por 250 anos tinha perseguido os cristãos, ajoelhou-se para beijar as cicatrizes de Nicolau e dos outros varões torturados na última perseguição.

Os mesmos soldados que os tinham preso e torturado, agora lhes prestavam honras de heróis! Parecia um sonho!

Ao que parece, Nicolau faleceu na Mira no ano de 342, com grande fama de santidade e de poder taumatúrgico.

Uma biografia, publicada em 847, divulgou notícias lendárias entre o povo ávido de coisas extraordinárias. A fama deste santo se propagou na Ásia menor e nas cidades marítimas do sul da Itália por motivo de comércio com o Oriente. Perante a ameaça de profanação do seu sepulcro pela invasão muçulmana, foi organizada uma expedição por iniciativa da cidade de Bári, na Itália, a fim de transportar as sagradas relíquias para lugar mais seguro. Esta expedição teve bom êxito e o corpo de São Nicolau foi, de fato, depositado na catedral de Bári dedicada ao grande padroeiro.

Este santo tornou-se sobremaneira popular também na Rússia, onde foi declarado padroeiro principal. Motivo pelo qual muitos czares adotaram este nome. Antes da revolução comunista, muitos eram os russos que visitavam o sepulcro de São Nicolau em Bári, de tal modo que havia naquela cidade uma hospedaria exclusiva para eles.

São Nicolau é invocado contra os perigos de incêndio e é padroeiro dos marinheiros.

São Nicolau, rogai por nós!

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