São Nicolau foi um dos santos
mais populares de todos os tempos.
Contudo, nem
sempre a devoção popular sabe das razões de seu extremado devotamento, pois se
deixa facilmente levar pelas lendas fantasiosas que a tradição tece sobre a
vida de certos santos antigos. Entre estes inclui-se, sem dúvida, São Nicolau, bispo
de Mira, na Ásia Menor.
Mesmo livre
das estórias lendárias, a figura de São Nicolau emerge como um gigante. Filho
de pais ricos e piedosos, Nicolau nasceu por volta do ano 275 na Lícia, hoje
Turquia. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde exerceu seu ministério. Como
sacerdote desdobrou-se em amor e dedicação na evangelização e conversão dos
pagãos, num clima de perseguição religiosa.
Nicolau é
conhecido, sobretudo, pela extremada caridade para com os pobres. Distribuiu entre
eles a fortuna herdada de seus pais. Em sua vida registra-se o caso de três
moças cujo pai pobre, não podendo fornecer dotes para o casamento, aconselhava
as filhas a se entregarem à prostituição. Nicolau, ao saber disso, jogou pela
janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes
das jovens.
Este episódio
deu motivo à fantasia dos países do norte da Europa de verem Nicolau, sob o
nome de Claus, o velho de barbas brancas, que levava presentes às crianças,
exatamente no dia seis de dezembro.
Após a morte
do bispo de Mira, Nicolau foi eleito seu sucessor. A obediência obrigou Nicolau
a deixar o doce remanso da solidão e assumir as responsabilidades de bispo.
Em pouco tempo
conquistou a simpatia de todos. Sua caridade e bondade sem par, seu zelo, seu
espírito de oração o tornaram conhecido e chamado por toda a Ásia Menor. Deus,
por sua vez, brindou-o com o poder de milagres em favor, sobretudo, dos doentes.
Historiadores
gregos dizem que Nicolau foi preso durante a perseguição de Diocleciano por
volta do ano 310. O santo bispo sustentou corajosamente a dura prisão e várias
torturas e já estava para ser processado e condenado à morte, quando foi
publicado o edito de Milão, em 313, concedendo a liberdade religiosa.
Nicolau foi um
dos bispos que participaram do Concílio de Nicéia em 325, onde, contra a
heresia ariana, foi definida a divindade de Cristo declarado consubstancial ao
Pai. No início do Concílio, Nicolau presenciou uma cena de indescritível
emoção: Constantino Magno, o imperador de Roma que por 250 anos tinha
perseguido os cristãos, ajoelhou-se para beijar as cicatrizes de Nicolau e dos
outros varões torturados na última perseguição.
Os mesmos
soldados que os tinham preso e torturado, agora lhes prestavam honras de
heróis! Parecia um sonho!
Ao que parece,
Nicolau faleceu na Mira no ano de 342, com grande fama de santidade e de poder
taumatúrgico.
Uma biografia,
publicada em 847, divulgou notícias lendárias entre o povo ávido de coisas
extraordinárias. A fama deste santo se propagou na Ásia menor e nas cidades
marítimas do sul da Itália por motivo de comércio com o Oriente. Perante a
ameaça de profanação do seu sepulcro pela invasão muçulmana, foi organizada uma
expedição por iniciativa da cidade de Bári, na Itália, a fim de transportar as
sagradas relíquias para lugar mais seguro. Esta expedição teve bom êxito e o
corpo de São Nicolau foi, de fato, depositado na catedral de Bári dedicada ao
grande padroeiro.
Este santo tornou-se
sobremaneira popular também na Rússia, onde foi declarado padroeiro principal. Motivo
pelo qual muitos czares adotaram este nome. Antes da revolução comunista,
muitos eram os russos que visitavam o sepulcro de São Nicolau em Bári, de tal
modo que havia naquela cidade uma hospedaria exclusiva para eles.
São Nicolau é invocado contra os perigos de incêndio e é padroeiro dos marinheiros.
São Nicolau,
rogai por nós!

Nenhum comentário:
Postar um comentário